(Foto: Paulo Pinto)
100ª São Silvestre: Corrida histórica bate recorde com 50 mil atletas e celebra seu centenário
Inspirada em uma noite parisiense, a prova criada por Cásper Líbero em 1925 se tornou a maior festa do esporte brasileiro; saiba curiosidades, horários e quem são os maiores campeões.
O dia 31 de dezembro de 2025 será marcado por um feito histórico nas ruas de São Paulo. A tradicional Corrida Internacional de São Silvestre chega à sua 100ª edição, reunindo um número recorde de participantes: mais de 50 mil corredores inscritos. O que começou como uma aventura de 48 atletas na década de 1920 se transformou no maior evento de corrida de rua da América Latina, misturando a elite mundial e milhares de amadores em uma grande festa de encerramento do ano.
A inspiração que veio de Paris
Tudo começou com o encantamento do jornalista e empresário Cásper Líbero. Em viagem a Paris em 1924, ele assistiu a uma corrida noturna onde os atletas carregavam tochas. Empolgado com a vibração do evento, decidiu trazer a ideia para o Brasil.
Em 31 de dezembro de 1925, nascia a primeira São Silvestre (na época grafada com ‘Y’), batizada em homenagem ao santo do dia. A largada foi dada às 23h40, no Parque Trianon, com apenas 48 corredores enfrentando os 8,8 km. O primeiro vencedor foi Alfredo Gomes, um atleta negro que já havia feito história ao ser o primeiro a representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, um ano antes.
A era internacional e a quebra do jejum
A prova evoluiu com o tempo. Inicialmente restrita a brasileiros, abriu as portas para estrangeiros residentes em 1927 e se tornou mundialmente aberta em 1945, após a Segunda Guerra Mundial.
Essa mudança trouxe um longo período de seca para o Brasil: foram 34 anos sem vitórias nacionais. O tabu só foi quebrado em 1980, com a vitória emocionante do pernambucano José João da Silva. “O povo começava a chorar, a gritar. Foi como uma Copa do Mundo. Eu fui o abençoado que conseguiu esse marco”, relembra o ex-atleta, que viu sua vida mudar completamente após cruzar a linha de chegada.
Histórias de superação: do canavial ao pódio
A São Silvestre é conhecida por consagrar heróis improváveis. Um dos maiores exemplos é Maria Zeferina Baldaia, vencedora da prova em 2001. Ex-boia-fria, ela corria descalça nos canaviais do interior paulista e se inspirou ao ver pela TV a portuguesa Rosa Mota vencer a prova.
“Corri durante 15 anos descalça porque meus pais não tinham condições de comprar tênis. Hoje, sirvo de inspiração, motivação e espelho para outras pessoas. Isso não tem preço”, conta Zeferina, que hoje dá nome ao centro olímpico de sua cidade, Sertãozinho (SP).
Os maiores vencedores da história
A prova feminina foi instituída apenas em 1975, vencida pela alemã Christa Valensieck. Desde então, grandes nomes dominaram o asfalto paulistano.
Confira o quadro de honra dos maiores campeões:
- Rosa Mota (Portugal): A maior vencedora da história, com 6 vitórias consecutivas.
- Paul Tergat (Quênia): O maior vencedor masculino, com 5 vitórias.
- Marílson Gomes dos Santos (Brasil): O brasileiro com mais vitórias na fase internacional (3 títulos: 2003, 2005 e 2010).
O Brasil não vence no masculino desde 2010 e, no feminino, o jejum dura desde 2006, com a vitória de Lucélia Peres.
Uma prova para todos: como funciona a largada
Hoje, a São Silvestre é um evento democrático que acolhe desde campeões olímpicos até quem busca apenas completar o percurso caminhando. Para organizar essa multidão, a largada é feita em ondas, baseada no desempenho e categoria dos atletas.
A sequência de largadas segue esta ordem:
- 7h25: Cadeirantes e atletas PCD (Pessoas com Deficiência).
- 7h40: Elite Feminina (as mulheres mais rápidas do mundo).
- 8h05: Elite Masculina e Pelotão Geral (o grande mar de gente).
Segundo Eric Castelheiro, diretor da prova, essa estrutura reforça o caráter democrático do evento. “Tem gente que vem para fazer realizações pessoais, quebrar sua própria marca e por seu próprio objetivo. Cada um vem com seu plano e todo mundo é bem recebido”.

Com informações de Agência Brasil
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