(Foto: Martin Cossarini)
Greve contra Milei trava portos na Argentina e paralisa exportação global de grãos
Mobilização de 48 horas de sindicatos marítimos se une à paralisação geral da CGT nesta quinta-feira (19); alvo dos protestos é a votação da nova reforma trabalhista no país vizinho.
O fluxo de exportações agrícolas da Argentina, um dos maiores fornecedores globais de alimentos, está severamente comprometido. Desde a última quarta-feira (18), uma greve coordenada por sindicatos marítimos paralisou o embarque de grãos e derivados, afetando diretamente a atracação e desatracação de navios no complexo portuário de Rosário.
Nesta quinta-feira (19), o cenário de travamento logístico ganha ainda mais força com a adesão à greve geral convocada pela poderosa Confederação Geral do Trabalho (CGT), que promete paralisar as principais atividades econômicas do país.
O estopim: A Reforma Trabalhista
O alvo dos protestos é o projeto de reforma trabalhista promovido pelo governo de Javier Milei. O texto, que já foi aprovado pelo Senado na semana passada, está na pauta da Câmara dos Deputados para debate e votação nesta quinta-feira.
A proposta enfrenta forte rejeição das centrais sindicais por prever medidas como:
- Flexibilização das regras de contratação.
- Redução dos valores de indenizações por demissão.
- Limitação do direito de greve em setores específicos.
- Permissão para o aumento da jornada de trabalho.
Em comunicado, a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf) justificou a paralisação: “Esta ação visa defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo também aderiu ao movimento, condenando o que chamou de “suposta modernização que busca apenas legalizar a erosão dos direitos”.
“Medida totalmente política”
Do outro lado do balcão, o setor produtivo calcula os prejuízos. Gustavo Idígoras, presidente da Câmara de Exportadores e Processadores de Grãos (CIARA-CEC), criticou duramente o movimento. Segundo ele, a paralisação de 48 horas trava totalmente a agroexportação de forma desnecessária. “Nos parece uma medida totalmente política e distante das necessidades específicas”, afirmou à agência Reuters.
A interrupção tem peso global: a Argentina é atualmente a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja.
Para o governo e analistas de mercado, as greves recorrentes são um gargalo crônico para a entrada de dólares no país. “Quando o transporte e os portos são afetados, o impacto vai além do dia de trabalho perdido. A Argentina depende de sua capacidade de exportação para manter o fluxo de divisas”, explicou Ion Jauregui, analista da consultoria ActivTrades.
Com informações de Agência Brasil
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