(Foto: Ricardo Stuckert)
Megapacote na Índia: Brasil fecha acordos para fábrica da Embraer, remédios para o SUS e terras raras
Em missão a Nova Délhi, presidente Lula e primeiro-ministro Narendra Modi assinam parcerias bilionárias que envolvem transferência de tecnologia, minerais críticos e expansão do setor aéreo.
O governo brasileiro firmou neste sábado (21) um amplo pacote de acordos bilaterais com a Índia durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia, em Nova Délhi. Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, as parcerias firmadas cobrem áreas estratégicas para o desenvolvimento dos dois países: indústria aeroespacial, saúde pública e exploração de minerais críticos.
O megapacote reflete o aprofundamento das relações entre duas das maiores economias do Sul Global, com foco em transferência de tecnologia e atração de investimentos. Confira os três principais eixos dos acordos assinados:
Embraer e a nova fábrica na Índia
Na frente de defesa e aviação, a brasileira Embraer assinou um acordo definitivo com a gigante indiana Adani Defense & Aerospace para estabelecer uma linha de montagem final do jato regional E175 em território indiano.
A parceria visa abocanhar uma fatia de um dos mercados de aviação que mais crescem no planeta. A Índia tem uma demanda estimada de, pelo menos, 500 aeronaves de médio porte (80 a 146 assentos) para as próximas duas décadas, perfil que se encaixa perfeitamente no E175.
Segundo a Embraer, além da fabricação, o acordo envolve a cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda e treinamento de pilotos. O objetivo é viabilizar novas rotas para cidades de pequeno e médio porte na Índia, acelerando a aviação regional asiática e consolidando a presença da fabricante brasileira, que já possui 50 aeronaves operando no país.
Medicamentos contra o câncer no SUS
Na área da saúde, os governos assinaram Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) focadas na transferência de tecnologia para a fabricação de medicamentos de alta complexidade no Brasil. O alvo são fármacos usados no tratamento de câncer de mama, pele e leucemias (pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe).
A meta é reduzir a dependência externa do Brasil e garantir a estabilidade dos estoques no Sistema Único de Saúde (SUS).
- O investimento: No primeiro ano, o Brasil investirá R$ 722 milhões no projeto.
- Longo prazo: Em uma década, a projeção é que o investimento chegue a R$ 10 bilhões para nacionalizar a produção desses tratamentos.
O pacote de saúde também incluiu memorandos da Anvisa para troca de informações regulatórias com a Índia e acordos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com laboratórios indianos para pesquisa e desenvolvimento de insumos estratégicos. Atualmente, os produtos farmacêuticos já figuram entre os principais itens que o Brasil importa da Índia (US$ 7,3 bilhões movimentados em 2024).
Terras Raras e Minerais Críticos
O terceiro pilar das negociações envolve o futuro da tecnologia e da transição energética. Brasil e Índia assinaram um acordo pioneiro para a cooperação na exploração de minerais críticos e terras raras — recursos essenciais para a fabricação de baterias, semicondutores e equipamentos de energia renovável. O Brasil detém hoje a segunda maior reserva global desses recursos, atrás apenas da China.
Para o primeiro-ministro Narendra Modi, o pacto é um passo gigantesco “em direção a construir cadeias de suprimento resilientes”.
O presidente Lula reforçou que o acordo une a riqueza natural brasileira ao avanço tecnológico indiano.
“É notável a evolução indiana em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial e exploração espacial. Isso cria oportunidades e traduz nosso compromisso com uma agenda que coloca a tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo”, destacou o presidente brasileiro.

Com informações de Agência Brasil
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