(Foto: Sergio Moraes)
Otimismo no mercado: Dólar cai para o menor valor em 20 meses e projeção de inflação recua para 3,91%
Moeda americana fechou a R$ 5,16 impulsionada pelo fluxo de capital externo; Boletim Focus traz perspectiva de crescimento maior para o PIB e queda nos juros.
O cenário econômico brasileiro abriu a semana com uma injeção dupla de otimismo para os investidores. Enquanto o mercado financeiro revisou para baixo a projeção da inflação e para cima o crescimento do país neste ano, o dólar comercial acompanhou o bom humor e derreteu, atingindo seu menor patamar em quase dois anos.
Nesta segunda-feira (23), a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,169 (com recuo de 0,14%). Este é o menor valor registrado desde o final de maio de 2024.
O “Efeito Trump” no câmbio e na bolsa
A desvalorização do dólar no Brasil reflete o cenário externo. As incertezas em torno da política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm provocado uma enxurrada de capitais estrangeiros rumo a países emergentes, fortalecendo o real.
No entanto, esse mesmo cenário de incerteza externa freou a Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Após abrir o dia em alta, o índice Ibovespa reverteu a tendência e fechou com recuo de 0,88%, aos 188.853 pontos. O movimento foi puxado pela realização de lucros em ações de bancos e pela correção nas bolsas de Nova York.
A exceção do dia ficou por conta das ações de petroleiras, que subiram embaladas pelo aumento da cotação internacional do barril de petróleo, reflexo direto do acirramento das tensões e ameaças militares entre EUA e Irã.
Boletim Focus: O que esperar da economia?
Paralelamente à movimentação da bolsa, o Banco Central divulgou nesta segunda-feira o tradicional Boletim Focus, pesquisa que reúne as expectativas das principais instituições financeiras do país. Os dados confirmam um horizonte mais estável para a economia nacional em 2026:
- Inflação sob controle: Pela sétima semana consecutiva, a previsão para o IPCA (a inflação oficial) foi reduzida, passando de 3,95% para 3,91%. O índice permanece confortavelmente dentro do teto da meta estabelecida pelo governo (que é de 3%, com tolerância até 4,5%).
- Crescimento do PIB: O mercado elevou a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (a soma das riquezas do país) de 1,8% para 1,82% neste ano.
- Juros em queda: A projeção para a Taxa Selic no fim de 2026 também caiu, passando de 12,25% para 12,13% ao ano.
Atualmente, a taxa básica de juros está estagnada em 15% ao ano (o maior nível desde julho de 2006). A expectativa do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom) comece a cortar os juros já na próxima reunião, agendada para março, barateando o crédito e estimulando o consumo.
Resumo das Projeções do Mercado para 2026
| Indicador Econômico | Previsão Anterior | Previsão Atual (Focus) |
| Inflação (IPCA) | 3,95% | 3,91% |
| Crescimento (PIB) | 1,80% | 1,82% |
| Taxa de Juros (Selic) | 12,25% | 12,13% |
| Dólar (fim do ano) | R$ 5,45 | R$ 5,45 |

Com informações de Agência Brasil
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