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O “beijo da ponte”: concretagem final une Guaratuba e Matinhos pela primeira vez na história

O "beijo da ponte": concretagem final une Guaratuba e Matinhos pela primeira vez na história

(Foto: Rodrigo Felix Leal)

O “beijo da ponte”: concretagem final une Guaratuba e Matinhos pela primeira vez na história


Governador Ratinho Junior participou da etapa decisiva na manhã desta sexta-feira (6), concluindo a ligação de 1.200 metros que vai aposentar o ferry boat após mais de 60 anos de espera no litoral paranaense.

A noite de quinta-feira (5) e a manhã desta sexta-feira (6) entraram para a história da engenharia e da infraestrutura do Paraná. Com um investimento total de R$ 400 milhões do Governo do Estado, as cidades de Guaratuba e Matinhos estabeleceram sua primeira conexão definitiva por terra.

O marco ocorreu com a concretagem da aduela de fechamento — etapa que os engenheiros e operários apelidaram carinhosamente de “o beijo da ponte”. Esse foi o exato momento em que os dois lados da megaestrutura estaiada se encontraram no ar, formando uma única via contínua sobre a baía.

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Governador participa da travessia simbólica

Na manhã desta sexta-feira (6), o governador Carlos Massa Ratinho Junior esteve no canteiro de obras e ajudou, literalmente, a concretar o último metro cúbico que faltava para selar a união das duas margens.

Após a concretagem, Ratinho Junior foi um dos primeiros civis a realizar a travessia simbólica a pé entre os dois municípios. No local, ele afixou uma placa para eternizar a conquista.

“Estamos felizes de estar aqui junto com todos os trabalhadores, com a equipe que trabalhou 24 horas por dia, e somou 3 milhões de horas trabalhadas nesta obra, para que a gente pudesse realizar esse grande sonho e entregar para a nossa população. Hoje é o dia da vitória. É um dia de vitória para todos os paranaenses. A Ponte de Guaratuba passa, agora, a integrar as duas pontas pela primeira vez na nossa história.”

A precisão milimétrica da engenharia noturna

A etapa do “beijo” exigiu o lançamento de cerca de 44 metros cúbicos de concreto para preencher um espaço de aproximadamente 2 metros. Apesar de curto, é o momento mais crítico da obra, exigindo precisão absoluta.

A operação principal foi realizada propositalmente durante a noite de quinta-feira. Como não há a incidência direta do sol, evita-se a dilatação térmica do aço e do concreto, garantindo que as extremidades da ponte ficassem perfeitamente alinhadas.

Nos próximos dias, as equipes farão a protensão dos cabos internos (a “costura estrutural”), permitindo que a treliça de travamento provisória seja finalmente removida.

O fim da era do ferry boat

Para a população local e para os turistas, a conclusão da ponte representa o fim de um gargalo logístico histórico. O ferry boat, que opera na baía desde a década de 1960, será desativado.

Na prática, a travessia de balsa que hoje leva, em média, de 20 a 30 minutos (sem contar o tempo exaustivo nas filas de espera durante a temporada), passará a ser feita de carro em apenas 2 minutos.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, celebrou o cumprimento do cronograma:

“Essa é uma obra emblemática e simbólica. Trabalhamos arduamente nesse projeto e agora completamos a conexão. Construir ponte é um desafio e vencemos muito bem esse desafio. Nós tínhamos um prazo desafiador e estamos cumprindo esse prazo. Enquanto o mundo briga, o Paraná trabalha.”

Os números impressionantes da megaobra

A magnitude da Ponte de Guaratuba (classificada pelo DER como a ponte número 894 do Paraná) impressiona quem analisa os dados de construção. Veja os números superlativos que erigiram a estrutura:

  • Extensão total: Mais de 1.200 metros, com quatro faixas de tráfego, faixas de segurança e ciclovias de 3 metros de largura em cada lado.
  • Altura das torres: 40 metros de altura, sendo mais altas que o Cristo Redentor (que tem 38 metros, somando o pedestal).
  • Fundação profunda: 64 estacas de concreto, algumas chegando a 55 metros de profundidade, escavando até 15 metros na rocha do fundo do mar.
  • Aço: 5,5 mil toneladas utilizadas — quase o peso total da estrutura da Torre Eiffel (7,3 mil toneladas).
  • Concreto: 45 mil metros cúbicos aplicados, volume idêntico ao usado na fundação do Burj Khalifa (o prédio mais alto do mundo, em Dubai).
  • Controle térmico: 300 toneladas de gelo foram misturadas ao concreto para evitar rachaduras e fissuras térmicas durante o endurecimento dos blocos.

Monitoramento ambiental de 25 mil animais

Além do desafio da engenharia civil, a construção exigiu um rigoroso cuidado ambiental, liderado por biólogos e oceanógrafos. Durante as obras, 25.419 animais de 585 espécies foram registrados e monitorados pelas equipes.

O trabalho encontrou desde peixes e crustáceos até espécies ameaçadas de extinção e com alta sensibilidade ambiental. Entre os registros raros comemorados pelos biólogos estão a presença do macaco-prego, do gato-maracajá, da figuinha-do-mangue, do papagaio-de-cara-roxa e o registro de uma cuíca carregando seus filhotes.

Para o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/PR), Fernando Furiatti, a obra é um marco definitivo para o estado:

“Essa é a ponta número 894 do Paraná, mas é como se fosse a primeira em importância. Agora seguimos para a reta final das obras e vamos entregar esse sonho aos paranaenses. Ela também é uma das obras mais rápidas feitas no Brasil, prova da competência do DER, que completa 80 anos.”

O "beijo da ponte": concretagem final une Guaratuba e Matinhos pela primeira vez na história
(Foto: Jonathan Campos)

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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