(Foto: Ricardo Marajó)
De Curitiba para o mundo: como a tecnologia de biometano e telemetria impulsiona a exportação de tratores
As vendas externas do município somaram US$ 2,2 bilhões em 2025. O polo industrial da capital paranaense se destaca na produção de tecnologia e maquinário para o agronegócio global.
Curitiba encerrou o ano de 2025 com um marco expressivo na sua balança comercial, consolidando-se como a terceira capital brasileira com o maior volume de exportações. Impulsionada pela força do agronegócio e por sua robusta cadeia industrial, a cidade comercializou US$ 2,2 bilhões com o mercado externo.
O resultado representa um crescimento de 18% em comparação ao ano de 2024 (US$ 1,83 bilhão), evidenciando a capacidade de adaptação do setor produtivo local diante das oscilações da economia global.
Os dados oficiais foram levantados pela Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).
O secretário Vitor Puppi avalia que as empresas curitibanas demonstraram resiliência: “As exportadoras conseguiram aumentar suas vendas para outros mercados, compensando a queda registrada para o mercado norte-americano.”
A força dos tratores na balança comercial
O grande motor desse desempenho econômico foi a fabricação de maquinário agrícola. As exportações de tratores produzidos nas indústrias de Curitiba deram um salto de 25%, injetando US$ 448 milhões na economia local em 2025.
Além dos equipamentos pesados para o campo, outros segmentos da indústria curitibana também registraram altas significativas no mercado internacional:
- Soja triturada: Crescimento de 37%, somando US$ 323 milhões em vendas.
- Veículos para transporte: Alta de 15%, alcançando US$ 287 milhões.
- Setor de energia: Salto de 42%, com exportações na casa dos US$ 95 milhões.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, a presença de indústrias consolidadas é o que blinda a economia da capital. “Empresas com forte base tecnológica e atuação global geram empregos, movimentam cadeias produtivas e ajudam a posicionar Curitiba como um polo de inovação e desenvolvimento industrial”, afirma.
50 anos de tradição na Cidade Industrial
O boom nas exportações de tratores reflete meio século de investimentos no setor. A cidade abriga montadoras gigantes, como a New Holland (pertencente ao grupo CNH), que completou 50 anos de instalação na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) em 2025. Sendo a fábrica mais antiga do polo, a unidade emprega hoje mais de três mil trabalhadores e exporta para 170 países.
Essa história é construída por profissionais como o técnico de qualidade Rubens Chuves, que atua na indústria desde 1979. Com 47 anos de empresa, ele acompanhou de perto a evolução das linhas de montagem. “É muito gratificante ver o orgulho que os produtores têm do produto e perceber como o nosso trabalho faz diferença no dia a dia deles no campo”, relata Chuves.
Inovação no campo: telemetria e biometano
A indústria curitibana de tratores deixou de ser apenas mecânica para se tornar um polo de tecnologia da informação. Um dos diferenciais competitivos da capital é a Central de Inteligência, que monitora em tempo real o desempenho de máquinas agrícolas em operação por toda a América Latina.
O sistema de telemetria recebe dados contínuos dos equipamentos, indicando consumo de combustível, performance da colheita e até a necessidade de manutenção preventiva, reduzindo custos operacionais para os produtores.
Outro avanço de destaque comercializado mundialmente a partir de Curitiba é o trator movido a biometano. A tecnologia pioneira permite que o maquinário funcione a partir do gás gerado pelo reaproveitamento de resíduos orgânicos da própria fazenda (como dejetos de animais).
“O agricultor pode produzir o próprio combustível dentro da propriedade. Isso cria um ciclo positivo, com ganho econômico e redução do impacto ambiental”, explica Cristiano Conti, gerente de marketing da New Holland, apontando que a Inteligência Artificial será a próxima revolução embarcada nos tratores.
Qualificação técnica acompanha o mercado
A sofisticação do maquinário exportado e vendido no mercado interno tem gerado uma nova economia voltada à educação no campo. Apenas em 2025, o Sistema Faep (Federação da Agricultura do Paraná) formou 3.622 pessoas em cursos gratuitos de operação de tratores de alta tecnologia.
De acordo com Gabriel Gugel Marques, analista técnico da entidade, o perfil do operador mudou radicalmente: “Hoje temos máquinas com piloto automático e telemetria, utilizando sensores e conectividade para transmitir dados em tempo real. A tecnologia avança rápido e o produtor precisa acompanhar esse movimento.”
O cenário nacional do setor
Os números de Curitiba acompanham o bom momento da indústria pesada no Brasil. Dados recentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revelam que as exportações de máquinas agrícolas somaram US$ 1,65 bilhão no acumulado de 12 meses, uma alta nacional de 15,2%.
Apenas no mês de janeiro de 2026, o setor faturou US$ 117,6 milhões com vendas externas. No segmento específico de tratores, foram 217 unidades exportadas pelo Brasil no primeiro mês do ano, demonstrando a estabilidade e a força do “Made in Brazil” (e do “Made in Curitiba”) nas lavouras do mundo.

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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