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Sergio Moro deixa o União Brasil, filia-se ao PL e sela apoio de Flávio Bolsonaro para disputar o Governo do Paraná

Sergio Moro deixa o União Brasil, filia-se ao PL e sela apoio de Flávio Bolsonaro para disputar o Governo do Paraná

(Foto: Marcelo Camargo)

Sergio Moro deixa o União Brasil, filia-se ao PL e sela apoio de Flávio Bolsonaro para disputar o Governo do Paraná


Acordo com Flávio Bolsonaro isola o governador Ratinho Junior. Novo partido planeja chapa forte com Deltan Dallagnol e Filipe Barros para o Senado.

O cenário político paranaense passou por uma grande reviravolta nesta quarta-feira (18). O senador Sergio Moro decidiu deixar o União Brasil e filiar-se ao Partido Liberal (PL) com um objetivo claro: disputar o Governo do Paraná nas eleições de 2026.

A mudança de partido, com filiação já marcada para o próximo dia 24, garante a Moro o apoio oficial do PL e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A movimentação redesenha as alianças no estado e afeta diretamente os planos do atual governador, Ratinho Junior (PSD).

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O fim da linha no União Brasil e a busca por segurança

A ida de Moro para o PL não foi apenas uma escolha por conveniência, mas uma estratégia de sobrevivência. O ex-juiz vinha enfrentando forte insegurança e resistência dentro de seu antigo partido.

O principal obstáculo era a iminente formação de uma federação partidária entre o União Brasil e o Partido Progressista (PP). Dentro desse novo bloco, o senador encontrou um adversário de peso: o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), que articulava nos bastidores contra a candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu.

Temendo ser deixado de lado nas negociações locais e ficar sem legenda para disputar a eleição, Moro acelerou as conversas com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A reunião em Brasília selou o acordo, oferecendo ao senador a garantia que ele precisava para liderar a chapa majoritária.

O rompimento oficial com Ratinho Junior

A aliança entre Moro e o PL resultou no rompimento direto do partido de Jair Bolsonaro com o governador Ratinho Junior. Antes de fechar com Moro, a cúpula do PL tentou negociar com o PSD paranaense.

A proposta do PL era simples: o partido apoiaria o candidato de Ratinho ao governo do estado — o atual secretário das Cidades, Guto Silva (PSD) —, desde que o governador desistisse de concorrer à Presidência da República para apoiar Flávio Bolsonaro. Ratinho recusou a oferta, mantendo seu projeto nacional vivo. Diante da recusa, o PL decidiu apostar todas as fichas em Moro, que lidera as pesquisas locais.

“Nós vamos ter que unir todo mundo lá para ele ganhar a eleição no primeiro turno. Senão nós estamos mortos por causa do Ratinho. Mas acontece que ele vai sair de candidato a presidente, então vamos fazer zero votos no Paraná? E Moro está lá explodindo. Talvez, com 22, Moro ganhe até a eleição no primeiro turno.” — Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL.

O plano para unir Moro e Deltan Dallagnol

Com a filiação acertada, Flávio Bolsonaro já designou a primeira missão política a Sergio Moro: reabrir o diálogo com o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo). A meta do PL é montar uma “chapa da Lava Jato” para dominar as eleições no estado.

A reaproximação, no entanto, é um desafio. Os dois estão afastados desde 2023, quando Deltan teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seus aliados cobraram uma defesa mais enérgica por parte de Moro.

Desde então, Deltan tem se aproximado do grupo político de Ratinho Junior. Nas eleições municipais de 2024 em Curitiba, por exemplo, os antigos aliados estiveram em palanques opostos:

Deltan Dallagnol: Apoiou o atual prefeito Eduardo Pimentel (PSD), candidato de Ratinho.

Sergio Moro: Lançou sua esposa, Rosângela Moro, como vice de Ney Leprevost (União Brasil).

O xadrez político e a disputa pelo Senado

A montagem dessa nova super chapa do PL no Paraná exige acomodações complexas. A ideia da cúpula do partido é estruturar a disputa da seguinte forma:

  • Governo do Estado: Sergio Moro (PL).
  • Vice-governador: A vaga pode ser oferecida à federação União Brasil-PP, como um gesto para manter pontes abertas.
  • Senado (Vaga 1): O deputado federal Filipe Barros (PL-PR).
  • Senado (Vaga 2): Deltan Dallagnol, caso aceite a aliança.

Essa engenharia política deixa a jornalista Cristina Graeml sem espaço. Ela era pré-candidata ao Senado pelo União Brasil com o apoio de Moro. Agora, a estratégia do PL é convidá-la para se filiar ao partido e concorrer à Câmara dos Deputados como uma “puxadora de votos”, embora ela ainda resista à ideia de abrir mão do Senado.

Reviravoltas na relação com o bolsonarismo

O acordo sela mais um capítulo de idas e vindas na turbulenta relação entre Sergio Moro e a família Bolsonaro. O ex-juiz, que ganhou notoriedade na Operação Lava Jato ao condenar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem um histórico de atritos e reconciliações com o bolsonarismo:

  • 2018: Moro abandona a magistratura para ser o “superministro” da Justiça do governo Bolsonaro.
  • 2020: Pede demissão do cargo, acusando o então presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.
  • 2021: Durante um pronunciamento, Moro ataca diretamente o filho do presidente, declarando: “Chega de rachadinha”.
  • 2022: Após não conseguir se viabilizar como candidato à Presidência, volta atrás, faz as pazes com Bolsonaro e atua como seu conselheiro nos debates de segundo turno.
  • 2026: Filia-se ao PL a convite de Flávio Bolsonaro.

O futuro de Ratinho Junior no novo cenário

Dentro do PL, a avaliação é que Ratinho Junior perdeu espaço e poder de barganha ao recusar o acordo nacional com Flávio Bolsonaro. Se Moro conseguir atrair Deltan Dallagnol e consolidar essa chapa forte, o governador corre o risco de ficar isolado na disputa estadual.

Ainda assim, a política é dinâmica. Dirigentes do PL não descartam que, diante de um palanque altamente estruturado pela oposição, Ratinho seja forçado a rever sua posição no futuro para não ficar fora do principal arranjo político do estado, o que poderia render a Moro o apoio de seu atual rival.

Sergio Moro deixa o União Brasil, filia-se ao PL e sela apoio de Flávio Bolsonaro para disputar o Governo do Paraná
(Foto: Divulgação)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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