(Foto: Albari Rosa)
Curitiba se torna o centro das pressões políticas municipais com a 89ª Reunião da FNP
Encontro na Arena da Baixada reúne prefeitos de todo o país para cobrar soluções sobre o subfinanciamento das cidades, os impactos da Reforma Tributária e o avanço do feminicídio.
A capital paranaense se transforma no principal palco de articulação política do país na próxima terça-feira (24). A 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), que será sediada na Arena da Baixada, promete ir muito além de um encontro institucional.
O evento colocará frente a frente os chefes dos executivos municipais para debater a sobrevivência financeira das cidades diante das recentes decisões do Congresso Nacional e do Governo Federal.
A disputa pelos recursos e a Reforma Tributária
O ponto de maior tensão política da pauta é o caixa dos municípios. A abertura do evento será marcada pelo painel “Quem paga a conta?”, um recado direto sobre o subfinanciamento dos serviços públicos essenciais. Durante a discussão, os gestores terão acesso aos dados atualizados da plataforma Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal (IFEM), que escancara a defasagem nos repasses da União.
A pauta econômica ganha ainda mais peso com as discussões sobre o novo cenário fiscal do país. Os prefeitos debaterão os impactos práticos da Reforma Tributária nas receitas locais, a estruturação do recém-criado Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a exigência de compensações pelas perdas de arrecadação geradas pelas novas regras do Imposto de Renda.
É um movimento claro de pressão para garantir que o Governo Federal não sufoque a capacidade de investimento das prefeituras nos próximos anos.
Pautas do Congresso e a crise na segurança pública
O encontro em Curitiba também servirá para alinhar o discurso dos municípios em relação a pautas polêmicas que tramitam em Brasília. A FNP colocará em debate os impactos financeiros que as decisões de deputados e senadores causam nas cidades, com foco nas discussões sobre a escala de trabalho 6×1, os pisos salariais de categorias e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
No campo da segurança, os prefeitos buscam alternativas para suprir a falta de efetivo e o avanço da criminalidade. A capital paulista apresentará o programa Smart Sampa, um sistema de monitoramento com 40 mil câmeras integradas, que deve ser usado como vitrine e modelo de resposta rápida para outras metrópoles brasileiras que enfrentam gargalos semelhantes.
Uma resposta política urgente ao feminicídio
Antes mesmo da abertura oficial na Arena da Baixada, a gravidade da violência de gênero forçará uma agenda política antecipada. Na segunda-feira (23), a Comissão de Prefeitas da FNP, presidida por Marcia Conrado, prefeita de Serra Talhada (PE), se reúne no Hotel NH Collection para buscar estratégias integradas contra o feminicídio.
A urgência do tema é justificada por dados alarmantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da última década, com mais de 1.500 vítimas — um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
O encontro servirá para o compartilhamento de políticas públicas que estão apresentando resultados concretos, como o “Caminho Lilás” de Niterói, a “CG Delas” em Campo Grande e o “Botão Maria da Penha” de Vitória.
A partir dessas experiências, a comissão definirá as prioridades do evento “Elas Governam” e apresentará o segundo ano do Programa + Iguais, focado na formação de lideranças com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Estruturação de projetos e o Smart City Expo
A força política do encontro ganha musculatura com sua realização simultânea ao Smart City Expo Curitiba. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aproveitará o quórum qualificado para apresentar linhas de financiamento voltadas à modernização da gestão e à infraestrutura de adaptação climática.
A agenda conta ainda com o anúncio das cidades contempladas pelo Programa Mutirão Brasil, reuniões do Fórum de Procuradores-Gerais e oficinas técnicas. Gestores inscritos na Reunião Geral terão acesso automático ao evento de cidades inteligentes, criando um ambiente propício não apenas para cobranças políticas, mas também para a busca de soluções práticas que definam o futuro das gestões locais.

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