Decisão provisória suspende trechos polêmicos da nova lei, como a ampliação da jornada para 12 horas diárias sem pagamento de horas extras e restrições ao direito de greve.
A Justiça da Argentina impôs um revés significativo a uma das principais apostas políticas e econômicas do governo de Javier Milei. Uma decisão provisória, divulgada nesta segunda-feira (30), suspendeu trechos cruciais da recém-aprovada reforma trabalhista do país vizinho.
A medida judicial atinge em cheio 82 artigos da lei que havia passado pelo Senado em fevereiro, sob forte disputa política e uma onda de protestos de trabalhadores.
O que foi suspenso pela Justiça?
A decisão liminar acatou o pedido da principal central sindical argentina. Entre os pontos mais polêmicos que foram temporariamente retirados de vigor, destacam-se:
- Jornada de 12 horas: A regra que permitia a ampliação da carga horária diária para até 12 horas sem a obrigatoriedade de pagamento de horas extras.
- Indenizações: A redução dos valores e a possibilidade de parcelamento das indenizações em caso de demissão.
- Direito de greve: A imposição de novas e severas restrições às paralisações de trabalhadores.
- Vínculo empregatício: A flexibilização das regras que, na prática, dificultavam o reconhecimento formal de vínculo entre empregado e empregador.
- Atuação sindical: Medidas que limitavam as ações e o poder de mobilização dos sindicatos.
Risco de “danos irreparáveis”
O juiz responsável por analisar o caso justificou a suspensão argumentando que a aplicação imediata dessas mudanças drásticas poderia causar “danos irreparáveis” aos trabalhadores, caso a lei venha a ser considerada inconstitucional no julgamento do mérito final.
A decisão mantém aceso o forte embate histórico no país. De um lado, a gestão liberal de Javier Milei defende a flexibilização das regras trabalhistas como motor essencial para destravar e reaquecer a economia. Do outro, os sindicatos apontam a precarização e a perda acelerada de direitos históricos.
Como a suspensão tem caráter temporário, o governo argentino ainda pode recorrer da decisão em instâncias superiores para tentar revalidar a totalidade do seu pacote de reformas.
Com informações de Agência Brasil
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