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Dança das cadeiras: prazo eleitoral altera o comando de 18 ministérios e 11 governos estaduais

Dança das cadeiras: prazo eleitoral altera o comando de 18 ministérios e 11 governos estaduais

(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom)

Dança das cadeiras: prazo eleitoral altera o comando de 18 ministérios e 11 governos estaduais


Com o fim da janela de desincompatibilização, o cenário político nacional passa por uma reconfiguração profunda. Ex-ocupantes do Executivo agora focam nas disputas pela Presidência, governos locais e Senado.

O tabuleiro político brasileiro passou por uma de suas maiores reconfigurações estruturais nesta semana. Com o encerramento do prazo legal de desincompatibilização no sábado (4) — regra que obriga agentes públicos a deixarem seus cargos seis meses antes do pleito —, a máquina pública federal e os governos estaduais sofreram baixas significativas visando as eleições gerais de 4 de outubro.

No âmbito federal, a Esplanada dos Ministérios perdeu cerca de metade de sua composição original. Dos 37 ministros de Estado, pelo menos 18 deixaram seus cargos para entrar na disputa eleitoral. Nos estados, o movimento também foi intenso: 11 governadores renunciaram aos mandatos para alçar novos voos políticos.

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A estratégia na Esplanada dos Ministérios

Para evitar a paralisia da máquina pública no último ano de mandato e não gerar atritos na base aliada, o Palácio do Planalto optou por uma transição caseira. Na esmagadora maioria das pastas, os ministros que saíram foram substituídos por seus respectivos secretários-executivos — os “números dois” na hierarquia de cada ministério.

A única exceção de impacto na chapa majoritária, que não exige renúncia por se tratar de reeleição, foi a confirmação de que Geraldo Alckmin (PSB) deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para compor novamente a candidatura a vice-presidente.

Confira como ficou o remanejamento do primeiro escalão federal divulgado no Diário Oficial da União (DOU):

MinistérioQuem sai (e o provável destino político)Quem assume a pasta
FazendaFernando Haddad (PT) – Gov. de São PauloDario Durigan
Planejamento e OrçamentoSimone Tebet (MDB) – Senado por SPBruno Moretti
Agricultura (Mapa)Carlos Fávaro (PSD) – Senado por MTAndré de Paula
Meio AmbienteMarina Silva (Rede) – Senado por SPJoão Paulo Capobianco
Casa CivilRui Costa (PT) – Senado pela BahiaMiriam Belchior
TransportesRenan Filho (MDB) – Gov. de AlagoasGeorge Santoro
Educação (MEC)Camilo Santana (PT) – Senado ou Gov. do CELeonardo Barchini
Desenvolvimento Agrário (MDA)Paulo Teixeira (PT) – Câmara por SPFernanda Machiaveli
Direitos Humanos (MDH)Macaé Evaristo (PT) – Assembleia de MGJanine Mello
EsporteAndré Fufuca (PP) – Senado pelo MAPaulo Henrique Cordeiro
Pesca e AquiculturaAndré de Paula – Remanejado para o MapaRivetla Edipo Cruz
Povos IndígenasSônia Guajajara (PSOL) – Câmara por SPEloy Terena
Portos e AeroportosSílvio Costa Filho (Republicanos) – Câmara por PETomé Barros da Franca
Integração e Desenv. RegionalWaldez Góes (PDT) – Senado pelo APValder Ribeiro de Moura
CidadesJáder Filho (MDB) – Câmara pelo PAAntonio Vladimir Lima
Igualdade RacialAnielle Franco (PT) – Câmara pelo RJRachel Barros de Oliveira

Nota: Gleisi Hoffmann (PT), que comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, também deixou o cargo para disputar o Senado pelo Paraná. O substituto oficial ainda não foi nomeado.

Governadores focam na Presidência e no Senado

Nos estados, a debandada também foi expressiva. Oito vices assumiram o comando definitivo de seus estados após a renúncia dos titulares.

O movimento mais ousado vem do Centro-Oeste e do Sudeste. Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) deixaram os governos de Goiás e Minas Gerais, respectivamente, pavimentando o caminho para a disputa da Presidência da República.

A maior parcela dos ex-governadores, no entanto, mira o Senado Federal. Nove chefes do Executivo estadual renunciaram para disputar uma cadeira na Câmara Alta:

  • Gladson Cameli (PP-AC)
  • Wilson Lima (União-AM)
  • Ibaneis Rocha (MDB-DF)
  • Renato Casagrande (PSB-ES)
  • Mauro Mendes (União-MT)
  • Helder Barbalho (MDB-PA)
  • João Azevêdo (PSB-PB)
  • Antonio Denarium (PP-RR)
  • Cláudio Castro (PL-RJ) — Concorrerá sub judice devido à condenação de inelegibilidade do TSE.

Quem fica: Nove governadores optaram por permanecer no cargo para disputar a reeleição (o que é permitido pela lei eleitoral, como Tarcísio de Freitas em SP e Ratinho Junior no PR). Outros sete completam seus segundos mandatos consecutivos e, por não poderem se reeleger, decidiram ficar até o dia 31 de dezembro sem disputar as eleições deste ano.

O que diz a lei

A desincompatibilização é uma exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir o abuso de poder econômico e político. A regra garante a paridade de armas, evitando que pré-candidatos utilizem a estrutura, a visibilidade e os recursos da máquina pública para obter vantagens indevidas contra os adversários durante a campanha. Aqueles que perdem o prazo tornam-se automaticamente inelegíveis.

Dança das cadeiras: prazo eleitoral altera o comando de 18 ministérios e 11 governos estaduais
Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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