Com mediação do Paquistão, Trump recua de ameaças extremas e suspende bombardeios. Em contrapartida, iranianos garantem a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. Negociações começam nesta sexta-feira (10).
A escalada de tensão no Oriente Médio ganhou uma pausa temporária. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) que concordou em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas. O recuo representa um “cessar-fogo de mão dupla”, intermediado ativamente por líderes do Paquistão.
A decisão marca uma reviravolta no tom da Casa Branca. Horas antes do anúncio do acordo, Trump havia ameaçado dizimar a nação persa caso a passagem marítima não fosse liberada. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, declarou o presidente norte-americano, ignorando questionamentos posteriores sobre as violações das Convenções de Genebra que proíbem ataques intencionais contra alvos civis.
A trégua foi selada após conversas telefônicas com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o marechal Asim Munir. A condição inegociável imposta pelos EUA foi a abertura imediata, completa e segura do Estreito de Ormuz — rota por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araqchi, divulgou uma nota oficial confirmando que o país cessará os ataques, desde que não sofra novas agressões. Segundo o chanceler, a passagem segura por Ormuz será coordenada pelas Forças Armadas iranianas “tendo em conta as restrições técnicas existentes”.
A proposta de 10 pontos
O Conselho Supremo de Segurança do Irã confirmou que representantes dos dois países sentarão à mesa de negociações a partir desta sexta-feira (10), na cidade de Islamabad, no Paquistão. O próprio Trump admitiu que o documento base apresentado “é uma base viável para negociar”.
A proposta levada a Washington contém 10 exigências principais do lado iraniano:
- Compromisso dos EUA em garantir a não agressão;
- Controle contínuo do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
- Manutenção do direito do Irã ao enriquecimento de urânio;
- Retirada de todas as sanções primárias;
- Retirada de todas as sanções secundárias;
- Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o país;
- Revogação das resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de indenizações pelos danos causados aos iranianos;
- Retirada total das forças militares dos EUA da região;
- Fim da guerra em todas as frentes (incluindo as ações contra forças de resistência no Líbano).
Alívio econômico: o efeito imediato nos mercados
O movimento diplomático enviou uma mensagem clara de alívio aos investidores globais. O fechamento do Estreito de Ormuz havia causado o maior choque de fornecimento já registrado na história recente, afetando o trânsito de 12 a 15 milhões de barris de petróleo bruto por dia.
Com o anúncio do cessar-fogo e a promessa de reabertura da rota, os preços da energia entraram em queda livre na abertura dos mercados:
- Gás Natural: Na Europa, o contrato de futuros holandês TTF (referência no continente) chegou a despencar mais de 20%, estabilizando-se com queda de 19,24%, cotado a 43 euros.
- Petróleo WTI (EUA): O barril para entrega em maio caiu 14,53%, recuando para US$ 96,54.
- Petróleo Brent (Global): A referência do Mar do Norte para entrega em junho teve queda de 13,13%, negociado a US$ 94,92.
As bolsas asiáticas registraram forte alta na esteira do anúncio, enquanto o dólar norte-americano desvalorizou mais de 1% frente à libra esterlina.
Embora o mercado financeiro tenha reagido instantaneamente, analistas alertam que os efeitos de baixa nas bombas de combustível para o consumidor final ainda levarão algum tempo para serem sentidos, dependendo do sucesso prático das negociações de sexta-feira e do desbloqueio físico dos navios em Ormuz.

Com informações de Agência Brasil
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