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Vandalismo no transporte coletivo de Curitiba já custou quase R$ 1 milhão em 2026

Vandalismo no transporte coletivo de Curitiba já custou quase R$ 1 milhão em 2026

(Foto: Divulgação PMC)

Vandalismo no transporte coletivo de Curitiba já custou quase R$ 1 milhão em 2026


Com um recorde de depredações no primeiro quadrimestre de 2026, passageiros enfrentam falta de acessibilidade e insegurança, enquanto o conserto drena quase R$ 1 milhão dos cofres públicos

Imagine chegar à sua estação-tubo logo no início da manhã, pronto para ir ao trabalho ou à faculdade, e encontrar o ambiente totalmente às escuras. Ao tentar entrar no ônibus, as portas automáticas não funcionam e o elevador de acessibilidade, vital para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, está fora de operação. Essa não é uma situação hipotética, mas sim o impacto direto e frustrante que o vandalismo e o furto de cabos têm imposto aos curitibanos diariamente.

Reconhecida mundialmente desde a década de 1970 pelo modelo inovador de Bus Rapid Transit (BRT) e por suas icônicas estações-tubo — idealizadas no planejamento urbano do ex-prefeito Jaime Lerner e que se tornaram um verdadeiro cartão-postal do estado —, Curitiba agora enfrenta um problema que espelha uma grave crise nacional: o crescente mercado clandestino de cobre e metais.

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O impacto desse crime na capital paranaense vai muito além do desconforto temporário. Economicamente, o prejuízo afeta diretamente o bolso da população e a saúde financeira local.

O dinheiro público que poderia subsidiar o valor da tarifa, financiar a compra de novos ônibus elétricos ou modernizar os terminais é compulsoriamente desviado para refazer o que já estava pronto. Em apenas quatro meses de 2026, a absurda quantia de R$ 938 mil precisou ser gasta para repor vidros quebrados, catracas arrancadas e, principalmente, fiação elétrica furtada.

O ritmo alarmante de depredação em 2026

Os dados revelados pela Urbanização de Curitiba (Urbs) são impressionantes e demonstram a velocidade em que o patrimônio tem sido atacado. De janeiro a abril deste ano, a cidade registrou 1.174 ocorrências contra estações-tubo e terminais. Para se ter ideia da gravidade, esse volume de apenas quatro meses já superou todas as ocorrências contabilizadas ao longo dos doze meses do ano anterior (que teve 1.154 casos).

Na prática, a média de furtos diários disparou. O que no ano passado representava cerca de 1,46 ataques por dia, em 2026 saltou para alarmantes 4,75 casos diários. É rotineiro que as equipes de manutenção terminem os reparos em uma estação e, menos de duas semanas depois, o mesmo local seja vandalizado novamente.

A média passou de 1,46 furto por dia no ano passado para 4,75 furtos por dia em 2026.” — Rodrigo Baryczka de Mello, coordenador da área de manutenção da Urbs.

Abaixo, veja o ranking das estações-tubo que mais sofreram nas mãos de criminosos neste primeiro quadrimestre:

  • Teatro Paiol: 34 ocorrências (líder absoluta de depredações)
  • Maria Aguiar Teixeira: 23 ocorrências
  • Ferrovila: 21 ocorrências
  • Jardim Botânico: 20 ocorrências
  • Marumby: 17 ocorrências
  • TRE e Vila Fanny: 16 ocorrências cada

Terminais de bairro e o impacto nas estruturas básicas

Se nas ruas e canaletas as estações-tubo sofrem com o roubo de fios de cobre, dentro dos grandes terminais de integração o foco dos criminosos é direcionado ao conforto básico da população. Os atos de vandalismo têm afetado agressivamente as instalações de uso comum, destruindo pias, portas de sanitários e até mesmo danificando o calçamento.

Os terminais que apresentaram o maior número de ocorrências, concentrando grande parte dos 639 registros de depredação no período, foram o Pinheirinho, Cabral e Santa Cândida. Essas são artérias fundamentais que conectam a Região Metropolitana ao centro da capital.

A depreciação constante desses espaços gera uma forte sensação de insegurança e abandono para os milhares de trabalhadores que transitam por ali diariamente, especialmente no período noturno.

Ação da guarda municipal e a queda de crimes dentro dos ônibus

Para tentar frear essa verdadeira sangria nos cofres da cidade e na qualidade do transporte, a Prefeitura de Curitiba organizou uma resposta em frentes simultâneas de atuação.

Em janeiro de 2026, foi criada a Ação Integrada Cabo Seguro (Aics). Esta força-tarefa une a Guarda Municipal a diversas secretarias (como Urbanismo e Meio Ambiente) e empresas de telefonia e energia para asfixiar a ponta final do crime: a receptação. O foco passou a ser a fiscalização rigorosa de ferros-velhos e pontos de reciclagem. O resultado nos primeiros meses foi de 27 pessoas detidas, 55 locais fiscalizados e sete comércios clandestinos interditados por irregularidades.

Quem paga essa conta é a população, já que o vandalismo compromete a qualidade do transporte coletivo e impacta também nos custos. E o dinheiro gasto para consertar os estragos poderia ser direcionado para outras benfeitorias para os próprios curitibanos.” — Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs.

Apesar da escalada do vandalismo nas estruturas fixas, um dado positivo se destaca: as ocorrências criminosas dentro dos veículos em movimento sofreram uma queda de 14% no mesmo período. Esse avanço de segurança é atribuído ao botão de alerta acionado por motoristas, ao uso estratégico das câmeras do sistema Muralha Digital e à atuação da Patrulha do Transporte Coletivo.

Para que os resultados se estendam às estações, a participação dos cidadãos é vital. Quem presenciar ações suspeitas de furto e vandalismo deve agir rápido e acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153 ou avisar diretamente as equipes de fiscalização presencial.

O que você precisa saber em resumo

  • Impacto na sua rotina: O furto de cabos desativa imediatamente a iluminação, as portas automáticas e os elevadores de acessibilidade das estações-tubo, além de custar caro. Só neste ano, R$ 938 mil saíram dos cofres públicos para consertos.
  • Números assustadores: A onda de vandalismo está tão acelerada que os quatro primeiros meses de 2026 registraram mais ataques (1.174 ocorrências) do que todos os 365 dias do ano passado.
  • Como a cidade está reagindo: A prefeitura lançou a Operação Cabo Seguro para fechar ferros-velhos que compram o material furtado e pede que a população denuncie atos suspeitos ligando gratuitamente para o número 153.
Vandalismo no transporte coletivo de Curitiba já custou quase R$ 1 milhão em 2026
(Foto: Divulgação)

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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