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Sem luz e com galpões no chão: produtores do Paraná cobram crédito emergencial urgente

Sem luz e com galpões no chão: produtores do Paraná cobram crédito emergencial urgente

(Foto: Defesa Civil)

Sem luz e com galpões no chão: produtores do Paraná cobram crédito emergencial urgente


Tempestades do último fim de semana varreram cidades do interior; demora no restabelecimento da luz ameaça criação de aves, suínos e produção leiteira

Para milhares de famílias no campo, o rastro de destruição deixado pelo tornado do último sábado (8) vai muito além dos telhados arrancados. Com ventos que ultrapassaram a marca dos 200 km/h, produtores de diversas regiões do estado amargam hoje a perda de galpões, estufas e, principalmente, a falta de energia elétrica.

Esse cenário coloca em risco imediato a sobrevivência de animais confinados e a refrigeração de produtos perecíveis, levando o setor agropecuário a cobrar socorro financeiro e operacional com urgência máxima.

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O relógio joga contra o agronegócio paranaense

O blecaute prolongado no campo é, neste momento, o maior adversário de quem produz no interior. Nas propriedades focadas na criação intensiva de aves e suínos, a falta de eletricidade desliga automaticamente os sistemas de ventilação e climatização. Em poucas horas, isso pode resultar na morte de lotes inteiros por asfixia ou estresse térmico.

Da mesma forma, as bacias leiteiras sofrem com a paralisação da ordenha mecanizada e o desligamento dos tanques de resfriamento, forçando o descarte de milhares de litros de leite recém-tirados.

A paralisação repentina da produção primária afeta diretamente os preços na mesa dos paranaenses nas próximas semanas, além de travar o faturamento de pequenos municípios, onde a colheita e a criação animal ditam o ritmo do comércio local.

Pressão por crédito pré-aprovado e agilidade da Copel

Diante do colapso nas estruturas rurais, o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) formalizou ofícios nesta segunda-feira (10), exigindo respostas práticas das Secretarias Estaduais da Agricultura e do Abastecimento (Seab), da Fazenda (Sefa) e da companhia elétrica estatal.

A lista de reivindicações emergenciais do setor inclui:

Força-tarefa da Copel: Prioridade máxima no religamento da rede de distribuição de energia elétrica nas propriedades rurais.

Linhas de crédito facilitado: Liberação de crédito emergencial pré-aprovado e subsidiado para que as famílias reconstruam casas, silos e galpões rapidamente.

Levantamento ágil: Atuação imediata das Defesas Civis municipais para mapear os danos, passo obrigatório para destravar laudos de seguro e benefícios.

Revisão de leis de fomento: Adequação urgente das regras do programa Reconstrói Paraná (Lei 22.787/2025), que, paradoxalmente, tem excluído da ajuda financeira os municípios que decretam situação de emergência.

Não adianta fazer reunião e dizer que está equipado, se quando ocorre um tornado não há medidas de auxílio efetivas. Precisamos de ações práticas, de forma ágil. O que a população das áreas rural e urbana precisa é de uma resposta imediata e coordenada do Poder Público.” — Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

Histórico de destruição e os municípios mais castigados

O clima severo deste fim de semana puniu severamente as regiões dos Campos Gerais, além do centro-sul e norte pioneiro paranaense. Conforme os laudos iniciais do Simepar e da Defesa Civil, a fúria dos ventos acompanhada de forte granizo causou estragos milionários, deixando um rastro de destelhamentos e estradas rurais bloqueadas.

Os municípios com os piores cenários até o momento são Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva, Sapopema e Nova Aurora.

Um estado vulnerável a extremos climáticos

O drama atual reacende um alerta constante sobre a infraestrutura do território paranaense diante do clima. Dados oficiais indicam que, apenas na última década, o estado contabilizou cerca de 6 mil desastres naturais de variadas escalas, atingindo a totalidade de seus 399 municípios. Esses eventos impactaram diretamente a vida de 4,5 milhões de cidadãos e geraram prejuízos acumulados que já superam a marca dos R$ 32 bilhões em áreas urbanas e rurais.

Apesar de audiências recentes realizadas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) debaterem estratégias de contenção e resiliência contra as anomalias do fenômeno El Niño, os agricultores sentem que a burocracia governamental continua sendo muito mais lenta do que a velocidade de reconstrução que o campo exige.

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O que você precisa saber em resumo

  • Um violento tornado e vendavais acima de 200 km/h atingiram o interior do Paraná no dia 8 de agosto, derrubando galpões e postes.
  • O setor agropecuário cobra da Copel uma força-tarefa urgente, pois o blecaute ameaça matar dezenas de milhares de aves e suínos confinados.
  • Representantes do agronegócio exigem que o Governo do Estado libere crédito pré-aprovado imediatamente para salvar a cadeia produtiva local.
Sem luz e com galpões no chão: produtores do Paraná cobram crédito emergencial urgente
(Foto: Divulgação Simepar)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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