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Espetáculo Brasiliana: peça resgata histórias silenciadas de mulheres paranaenses

Espetáculo Brasiliana: peça resgata histórias silenciadas de mulheres paranaenses

(Foto: Valéria Felix)

Espetáculo Brasiliana: peça resgata histórias silenciadas de mulheres paranaenses


Peça solo da londrinense Edna Aguiar faz temporada no Teatro José Maria Santos com foco na ancestralidade e na perda de territórios.

Os curitibanos que buscam uma programação cultural com densidade histórica e impacto social já têm destino certo neste fim de semana. Estreia nesta quinta-feira (20), no Teatro José Maria Santos, com entrada totalmente gratuita, o espetáculo solo “Brasiliana”. Mais do que uma obra teatral de 50 minutos, a peça é um convite direto para que o público reflita sobre suas próprias raízes familiares e entenda como o chamado “progresso” transformou radicalmente a vida de gerações de mulheres em nosso estado.

A narrativa toca em uma ferida profunda e pouco discutida no Paraná: o impacto da colonização acelerada do Norte e dos Campos Gerais ao longo do século XX. Enquanto a história oficial celebra o ciclo de desenvolvimento e a marcha para o oeste, as populações indígenas e as mulheres que ajudaram a construir o tecido social e espiritual dessas regiões raramente são mencionadas nos livros didáticos.

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É exatamente esse vácuo histórico que a produção busca preencher, oferecendo uma visão descentralizada e humanizada sobre a formação do território paranaense. Compreender como a perda de terras e as disputas afetaram nossas matrizes culturais é um passo essencial para repensarmos a sociedade atual.

Uma viagem pelas memórias e vozes apagadas do Paraná

A trama de “Brasiliana” é definida por sua criadora como uma “escrevivência”. Em cena, o palco se transforma em prefeituras, cartórios e estradas de terra para que Edna Aguiar dê vida a diversas personagens inspiradas em figuras reais de seu cotidiano e de sua árvore genealógica. Estão ali representadas a força de sua mãe, avó e bisavó, ao lado de mulheres referenciais como a parteira Iaiá e a líder religiosa de Londrina, Yá Mukumbi.

Para enriquecer o debate histórico, a dramaturgia — escrita por Edna em parceria com Camila Feoli — também resgata a fascinante trajetória da indígena Vanuíre. Ativista e pacifista que atuou na fronteira do Paraná com São Paulo no início do século passado, Vanuíre foi peça-chave na mediação de conflitos sangrentos entre homens brancos e indígenas caingangues. Um de seus grandes feitos, que a memória oficial deixou de lado, foi ter subido em um jequitibá de dez metros de altura para cantar canções pedindo paz entre os povos.

Um dos questionamentos que me instigou a criar e escrever esta peça foi o porquê não temos nomes de mulheres na história oficial do Paraná.” — Edna Aguiar, atriz e autora da peça.

Quem é Edna Aguiar e o peso de sua trajetória na cultura

Assistir a Edna Aguiar atuar é presenciar mais de 40 anos de dedicação absoluta às artes cênicas. A artista, que iniciou sua carreira em 1982, é uma das principais potências da cultura de Londrina e do Norte pioneiro. Ao longo de sua jornada, ela já integrou elencos de diretores consagrados no cenário nacional, como Zé Celso Martinez Corrêa, Ariano Suassuna e Gabriel Villela.

Transitando pela música, contação de histórias e pelo “artivismo”, Edna traz para “Brasiliana” uma maturidade vocal e corporal raras. O espetáculo atual, viabilizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc e aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, conta com direção cênica coletiva e uma equipe que inclui a direção musical de Thunay Tartari e cenografia de Rogério Francisco Costa.

Como garantir seu ingresso e organizar sua agenda

As apresentações em Curitiba marcam a chegada da montagem à capital após duas temporadas de sucesso em Londrina no início de agosto. Como a procura tende a ser alta e a entrada é gratuita, a recomendação é retirar o bilhete com antecedência. A equipe do espetáculo já inicia as montagens na capital nesta quarta-feira (19).

Confira os detalhes para se programar:

  • Local: Teatro José Maria Santos (R. Treze de Maio, 655 – São Francisco, Curitiba).
  • Datas e horários: Quinta (20/08) e sexta-feira (21/08), em sessão única às 20h. No sábado (22/08), haverá duas sessões: às 16h e às 20h.
  • Ingressos: Totalmente gratuitos. Disponíveis para reserva via plataforma Sympla ou para retirada presencial na portaria, sujeitos à lotação do espaço.
  • Duração: 50 minutos.
  • Classificação indicativa: 18 anos.
Espetáculo Brasiliana: peça resgata histórias silenciadas de mulheres paranaenses

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O que você precisa saber em resumo

  • Programação gratuita na capital: O espetáculo solo “Brasiliana” oferece sessões de quinta a sábado (20 a 22 de agosto) no Teatro José Maria Santos, sem custo para o público.
  • Foco histórico e social: A narrativa escancara o apagamento de mulheres e lideranças indígenas da história do Paraná, abordando as consequências violentas da perda de territórios.
  • Direção e protagonismo forte: A peça é idealizada e estrelada por Edna Aguiar, multiartista de Londrina com mais de 40 anos de carreira e passagens por grandes companhias de teatro do Brasil.
Espetáculo Brasiliana: peça resgata histórias silenciadas de mulheres paranaenses
(Foto: Valéria Felix)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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