(Foto: Divulgação TJ-PR)
STF exige devolução de supersalários de juízes e cerco chega aos tribunais do Paraná
Decisão do ministro Alexandre de Moraes manda cortar penduricalhos milionários; no estado, mais de 90% dos magistrados passaram a receber gratificação extra recentemente
Os recursos arrecadados por meio de impostos pagos pela população estão no centro de uma nova queda de braço judicial que pode devolver milhões aos cofres governamentais. O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou o corte imediato e a devolução de pagamentos exorbitantes feitos a juízes de forma contrária ao limite legal.
A medida busca frear a constante manobra de tribunais que criam benefícios extras, conhecidos popularmente como “penduricalhos”, para engordar os contracheques de seus integrantes, consumindo verbas públicas que deveriam sustentar áreas essenciais para os brasileiros e paranaenses, como a saúde, educação e segurança pública.
A destinação do orçamento estadual no Paraná sofre pressões diretas quando o poder judiciário eleva os próprios repasses. Cada nova gratificação incorporada aos salários da magistratura reduz a fatia de dinheiro disponível para investimentos reais na infraestrutura das cidades.
A ordem para cortar as vantagens financeiras
O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta quarta-feira (12) que sete tribunais brasileiros suspendam pagamentos que desrespeitam as diretrizes de teto fixadas pelo Supremo. Os presidentes das cortes receberam um prazo de cinco dias para comprovar que interromperam definitivamente as remunerações fora do padrão. A decisão do ministro subiu o tom ao exigir que os magistrados devolvam imediatamente qualquer valor recebido que ultrapasse as barreiras criadas recentemente pelo STF.
Casos que assustaram a corte suprema
O despacho do relator listou diversos exemplos de faturamentos que chamaram a atenção pela enorme desproporção em relação à renda do cidadão comum. No Tribunal de Justiça do Maranhão, havia a perspectiva de que um único desembargador recebesse mais de R$ 3,2 milhões, divididos em doze parcelas, justificados como verbas rescisórias. O levantamento também detectou que em Rondônia, por exemplo, 90% dos membros do judiciário estadual embolsaram mais de R$ 100 mil apenas no contracheque do mês de abril de 2026.
Histórico da tentativa de driblar a lei
O conflito entre o limite remuneratório do funcionalismo público e as folhas de pagamento dos juízes é antigo no Brasil. A constituição determina que nenhum servidor do Estado ganhe mais do que um ministro da Suprema Corte. Para contornar essa regra, órgãos estaduais têm o hábito histórico de criar auxílios e verbas de caráter estritamente indenizatório, rubricas que ficam blindadas e não entram na contabilidade do limite.
Entenda as regras atuais do limite salarial e as brechas usadas:
O teto do funcionalismo: O vencimento dos ministros do Supremo é a linha de corte nacional, estabelecido atualmente no valor de R$ 46.366,19 mensais.
A manobra legal: Benefícios classificados como “indenizatórios”, como auxílio-moradia, auxílio-creche e gratificações por acúmulo de funções, são isentos do teto constitucional.
A trava de 35%: Visando reduzir abusos evidentes, o STF e o Conselho Nacional de Justiça limitaram a soma dessas indenizações extras a 35% do teto, liberando no máximo R$ 16.228,16 de complemento.
O limite total permitido: Hoje, somando a remuneração de base com a parcela máxima de indenização, o contracheque de um juiz não deve ultrapassar a faixa de R$ 78.822,32 mensais.
O cenário nos corredores da justiça paranaense
Dentro do Paraná, o reflexo das decisões vindas de Brasília tem sido acompanhado sob lupa, uma vez que a folha de pagamento consome a maior parte dos fundos destinados à corte. Logo após o STF barrar a criação desenfreada de regalias, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) encontrou um caminho alternativo dentro das regras e ampliou de forma expressiva o repasse da chamada “gratificação por exercício cumulativo de jurisdição”.
Levantamentos feitos através do Painel de Remuneração do Conselho Nacional de Justiça revelaram que, entre os meses de maio e junho deste ano, a quantidade de beneficiados por este penduricalho específico disparou. O número saltou de 279 para 868 pessoas, passando a abranger 91% de toda a magistratura ativa no estado paranaense em um curtíssimo espaço de tempo.
As idas e vindas dos pagamentos no estado
A tentativa de estabelecer novas fontes de renda adicional no estado enfrentou resistência forte e recente. Há poucos meses, o tribunal local aprovou a criação do cargo de “magistrado tutor”. A novidade renderia um extra de R$ 14 mil todos os meses para juízes que apenas dessem orientações para estagiários que já atuavam em seus próprios gabinetes. A repercussão negativa imediata fez com que a cúpula do judiciário paranaense recuasse e revogasse a medida em questão de dias.
O que dizem os responsáveis pelas contas
A defesa institucional dos tribunais costuma girar em torno da alta demanda processual e da busca contínua por mais eficiência na resolução de litígios judiciais para justificar remunerações de topo de carreira. Sobre o aumento exponencial de beneficiários da gratificação, o órgão local afirmou que apenas aplicou diretrizes padronizadas em nível federal.
“O pagamento das verbas remuneratórias e indenizatórias, inclusive em razão do critério do acúmulo de jurisdição, passou a seguir o modelo previamente adotado nas Justiças Federal e do Trabalho“, justificou o Tribunal de Justiça do Paraná por meio de nota oficial.
A pressão do Supremo Tribunal Federal, porém, emite um forte sinal de que qualquer benefício que use o dinheiro do contribuinte e ultrapasse as barreiras já pacificadas não será mais tolerado, devendo ser integralmente devolvido ao erário público.
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O que você precisa saber em resumo
- O STF exigiu que tribunais suspendam regalias exorbitantes que furaram o limite salarial e determinou a devolução imediata de valores aos cofres públicos.
- O Tribunal de Justiça do Paraná alterou regras internas e passou a pagar uma gratificação de acúmulo de trabalho para 91% dos seus juízes em apenas trinta dias.
- A Suprema Corte tenta acabar com as estratégias locais de usar “penduricalhos” indenizatórios para elevar artificialmente a renda da magistratura usando arrecadação de impostos.

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