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EUA aplicam tarifas de 50% ao Canadá e abrem nova crise comercial

EUA aplicam tarifas de 50% ao Canadá e abrem nova crise comercial

(Foto: Carlos Osorio)

EUA aplicam tarifas de 50% ao Canadá e abrem nova crise comercial


Decisão de Donald Trump trava negociações bilaterais e provoca reação imediata de Mark Carney com promessa de retaliação proporcional

O comércio internacional entra em uma nova fase de instabilidade com o rompimento das tratativas entre Washington e Ottawa. O governo dos Estados Unidos começou a aplicar, a partir da meia-noite deste sábado, tarifas de 50% sobre uma série de produtos importados do Canadá. A medida atinge um volume estimado em US$ 20 bilhões em mercadorias e interrompe dias de conversas que buscavam flexibilizar barreiras alfandegárias entre os dois vizinhos norte-americanos.

A escalada protecionista atinge itens diversos da pauta canadense, englobando vinho, vestuário, cimento, móveis, laticínios, varas de pesca e equipamentos esportivos, como tacos de madeira para hóquei no gelo. Embora o montante represente pouco mais de 5% do total exportado pelos canadenses ao mercado norte-americano, especialistas alertam que a sobretaxa pressiona cadeias produtivas específicas e acende um alerta sobre o futuro do acordo de livre comércio da região.

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Ruptura nas negociações e impacto no mercado

O impasse encerra uma rodada de três dias de reuniões em Washington entre o ministro canadense de Comércio para Relações com os EUA, Dominic LeBlanc, e o representante comercial americano, Jamieson Greer. Horas antes do anúncio, diplomatas sinalizavam proximidade de um entendimento que previa alívio nas tarifas de aço, alumínio e veículos, além da liberação de bebidas alcoólicas dos EUA no mercado canadense.

Contudo, as exigências de última hora travaram o consenso. Representantes da Casa Branca sustentaram que a proposta americana concederia ao Canadá condições tarifárias superiores às de outros parceiros comerciais, mas Ottawa teria insistido em concessões extras para madeira macia, automóveis e metais.

Esta noite, o Canadá se recusou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados no início desta semana. Esta é uma oportunidade perdida para o Canadá se associar aos Estados Unidos, que são a economia que mais cresce no G7.” — Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.

Reação imediata de Ottawa e impasse diplomático

Em resposta à medida norte-americana, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, ordenou o retorno imediato de sua delegação técnica e anunciou a suspensão formal de qualquer diálogo comercial com a administração americana. Carney comunicou que o Canadá prepara uma retaliação equivalente, aplicando sobretaxas “dólar por dólar” contra produtos dos EUA.

Decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e instruí os negociadores do Canadá a retornarem a Ottawa. Eles trabalharam arduamente, de boa-fé, para defender os interesses dos canadenses ao longo dessas negociações até o último minuto. No entanto, as mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA foram injustas, antieconômicas e colocaram em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo.” — Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá.

Eleito com o compromisso público de adotar uma postura firme diante das pressões econômicas de Donald Trump, Carney mantém amplo respaldo doméstico. Levantamentos de opinião no país vizinho apontam que a população rejeita concessões unilaterais à Casa Branca, o que eleva a temperatura política e reduz o espaço para acordos rápidos a curto prazo.

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Reflexos no comércio global e atenção no Paraná

O fechamento de portas entre dois dos maiores polos industriais do planeta traz repercussões indiretas para o cenário econômico global. A imposição de tarifas adicionais aprofunda incertezas cambiais e pode redirecionar fluxos de suprimentos de matérias-primas no continente americano, gerando efeitos secundários em mercados emergentes.

No cenário paranaense, analistas de comércio exterior acompanham o movimento para avaliar possíveis alterações na demanda por manufaturados e insumos industriais. Setores exportadores articulados pela Fiep e companhias com base em Curitiba monitoram o rearranjo logístico e de preços de commodities industriais decorrentes do atrito entre os dois parceiros do norte.

A revisão do tratado trilateral entre Estados Unidos, México e Canadá permanece sem data para novos encontros, deixando o ambiente de negócios sob tensão contínua.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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