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Eleitorado jovem encolhe para 11% no Paraná e muda foco de campanhas

Eleitorado jovem encolhe para 11% no Paraná e muda foco de campanhas

(Foto: Bruno Peres)

Eleitorado jovem encolhe para 11% no Paraná e muda foco de campanhas


Envelhecimento populacional afasta propostas para a juventude do centro dos debates eleitorais e força partidos a recalcular estratégias para 2026.

Os eleitores do Paraná notarão uma mudança clara no tom das campanhas políticas nas próximas eleições. As propostas focadas na juventude cederão espaço para pautas voltadas à terceira idade nos horários eleitorais e nos palanques de rua. O motivo está na reconfiguração demográfica que reduziu a proporção de votantes entre 16 e 24 anos para apenas 11% no estado. Partidos e candidatos já recalibram suas planilhas para direcionar verbas e discursos ao grupo de idosos, que agora domina a base eleitoral.

Esse cenário estadual reflete um movimento captado pelo levantamento do Instituto Nexus, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Brasil perdeu 5,5 milhões de eleitores com menos de 24 anos desde 2010. A parcela jovem encolheu de 24,7 milhões para 19,2 milhões projetados para 2026. Simultaneamente, o eleitorado total saltou de 135,8 milhões para 158,8 milhões. Essa alta de 17% diluiu ainda mais o peso do voto jovem, que despencou de 18,2% para 12,5% na média nacional.

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Em contrapartida, os eleitores acima de 60 anos com título ativo cresceram 74% no mesmo período. Hoje, eles somam mais de 36,8 milhões de pessoas aptas a votar no país. A disparidade matemática obriga os marqueteiros a reverem suas táticas de convencimento para não desperdiçarem energia em nichos que perdem força a cada ciclo.

Nova geografia eleitoral afasta jovens do centro das decisões

A região Sul lidera o envelhecimento do eleitorado no país e puxa a fila da mudança de rota. Enquanto estados do Norte, como Roraima e Amazonas, mantêm 18% de jovens nas urnas, o Paraná estaciona nos 11%, mesmo índice registrado em São Paulo e Minas Gerais. O Rio Grande do Sul apresenta o quadro mais agudo, com apenas 9%. Esses números retiram a juventude do centro das estratégias majoritárias nos maiores colégios eleitorais, incluindo Curitiba e sua região metropolitana.

Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença entre Lula e Jair Bolsonaro, todo eleitor é estratégico. A quantidade absoluta de votos dos jovens segue perdendo anualmente sua força, principalmente em comparação ao aumento de eleitores 60+.” – Marcelo Tokarski, CEO da Nexus

As campanhas para o governo estadual ainda tateiam a melhor forma de abordar esse público encolhido. Em disputas anteriores, o foco recaiu sobre o desenvolvimento de games e incentivos tributários para a compra de eletrônicos. No entanto, especialistas avaliam que essas abordagens superficiais perdem tração.

As candidaturas proporcionais, como as que disputam vagas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e na Câmara dos Deputados, devem concentrar os discursos mais direcionados aos jovens, tratando-os como um nicho específico para garantir a eleição.

Engajamento nas urnas e a busca por discursos radicais

A perda de volume não significa falta de interesse pela política. Os dados do TSE provam que o engajamento juvenil supera a média geral do eleitorado brasileiro. No último pleito, o comparecimento nacional fechou em 79,1%. Entre os jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, a taxa de presença nas seções eleitorais bateu 82,9%. Já no grupo de 18 a 24 anos, em que a participação é obrigatória, o índice alcançou 78,5%.

Esse público altamente engajado demonstra preferência por mensagens contundentes. O professor Hilton Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), aponta que o eleitor mais novo se sente atraído por discursos que prometem grandes rupturas.

O personalismo dos candidatos ganha mais peso do que as siglas partidárias na hora de captar a atenção dessa faixa etária. A promessa de mudança estrutural seduz rapidamente quem enfrenta dificuldades financeiras logo no início da vida adulta.

Contudo, o bloco de eleitores de até 24 anos rejeita tratamentos homogêneos por parte dos políticos. Jovens inseridos em ambientes familiares conservadores apresentam padrões de escolha distintos daqueles que habitam áreas de vulnerabilidade social. Independentemente do espectro ideológico, a busca pelo primeiro emprego e a necessidade de formação profissional continuam no topo das prioridades na hora de digitar os números na urna.

Juventudes periféricas exigem participação no desenho de políticas públicas

Nas periferias, o voto ganha o contorno de ferramenta de sobrevivência e transformação local. Movimentos organizados por juventudes de bairros afastados dos centros de decisão pressionam por protagonismo direto. O distanciamento entre quem elabora as leis em gabinetes refrigerados e quem utiliza os serviços públicos no dia a dia gera falhas na entrega de saúde, educação e transporte. Moradores dessas regiões cobram que a rotina das ruas paute as propostas dos futuros governantes, sem intermediários.

A conscientização política nesses territórios avança sobre pautas urgentes e concretas. Grupos de atuação juvenil documentam exigências que vão muito além de promessas genéricas de campanha. Eles exigem a construção de novos hospitais, a ampliação contínua da rede de assistência social e investimentos massivos em segurança pública.

A mobilidade urbana descentralizada, que conecte os bairros da periferia sem forçar a passagem diária pelos terminais centrais, forma a base das cobranças estruturais.

Projetos que incluem cursinhos populares e fomento financeiro à cultura local completam as demandas levadas aos candidatos. A comunicação “de jovem para jovem” tenta quebrar o estigma de que a formulação de políticas pertence exclusivamente aos adultos de meia-idade.

Quando a população jovem entende o impacto prático do próprio voto na chegada de asfalto, médicos e linhas de ônibus ao seu território, a ida à zona eleitoral deixa de ser um dever cívico burocrático e se converte em um instrumento real de poder.

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Eleitorado jovem encolhe para 11% no Paraná e muda foco de campanhas
(Foto: Marcelo Camargo)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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