(Foto: Isabella Mayer)
Incentivos fiscais impulsionam boom de restaurantes e cafeterias no centro de Curitiba
Centro da capital atrai empreendedores com incentivos fiscais e supera a CIC na geração de novas empresas este ano.
Quem transita pelas ruas da região central de Curitiba nota uma alteração direta no perfil do comércio local. As tradicionais lojas de varejo dividem agora o espaço com centenas de novos estabelecimentos focados em gastronomia e serviços rápidos. Entre janeiro e agosto, o bairro registrou a abertura de 662 novas cafeterias, o que representa um aumento de 23,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Atualmente, a área concentra pouco mais de mil casas de café, chá e sucos.
Esse movimento reflete uma mudança no comportamento dos moradores e trabalhadores da região. O formato dos negócios varia desde balcões de atendimento rápido até ambientes estruturados para permanência prolongada. Nos primeiros sete meses do ano, 5.181 novas empresas iniciaram operações no perímetro central. Esse volume representa um crescimento de 72%, índice superior à média municipal, de 34%. Com esses números, o Centro ultrapassou a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) na atração de novos empreendimentos.
A força da desburocratização e dos incentivos públicos
O volume de aberturas de empresas encontra respaldo nas ações da Prefeitura de Curitiba para estimular a reocupação da área. A gestão municipal estruturou o programa Curitiba de Volta ao Centro, que injeta R$ 133 milhões em incentivos fiscais. O pacote inclui redução, remissão e até 100% de isenção de impostos para empresários que apostam no local. Além disso, um edital de R$ 30 milhões reembolsa até 50% dos custos de obras de revitalização em imóveis comerciais e residenciais.
As medidas econômicas operam em conjunto com a redução da burocracia documental. O programa Facilita Mais isentou mais de 1.200 categorias empresariais da exigência de alvarás e licenças complexas para o início das operações. De acordo com a Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento, mais de 60% das empresas abertas na capital paranaense desde fevereiro utilizam esses benefícios.
O resultado direto é a ocupação de grandes espaços que estavam vazios. O antigo prédio de uma agência bancária na Rua XV de Novembro abriga agora a primeira unidade da rede Serallê na capital, uma megaloja de 1.200 metros quadrados que gerou 30 empregos diretos.

Torrefação própria e experiências temáticas atraem o público
Para disputar a preferência dos consumidores, os empresários investem na segmentação dos produtos e do ambiente. Na Rua São Francisco, a Royalty Café começou como um negócio de torrefação e dobrou de tamanho recentemente. Os fundadores, Zeca Dominico e Daniel Munari, incorporaram o ponto comercial vizinho para oferecer também coquetelaria e gastronomia. A marca realiza eventos mensais de torrefação aberta com degustação, atraindo clientes que buscam entender o processo de produção.
“Durante a semana, o público é mais de quem trabalha ou mora por aqui. Mas, no fim de semana, vem gente de todas as partes da cidade. São pessoas que vêm para conferir o nosso café e o nosso ambiente.”
Outras cafeterias buscam inspiração no entretenimento. Na Rua Saldanha Marinho, o Cafézinho, Dona Helena? utiliza a teledramaturgia brasileira como conceito central. A proprietária Renata Gamboa Almeida decorou o espaço com trilhas sonoras e batizou as bebidas com nomes de personagens das novelas de Manoel Carlos.
Na Rua Riachuelo, as sócias Amanda Yoshie e Lucianne Rosa abriram o Brau Brau. A dupla aproveitou a experiência prévia como baristas e a produção terceirizada de doces para centralizar as operações em um ponto físico próprio.
A imersão cultural e a gastronomia diversificada nas calçadas
A diversificação do comércio no Centro abrange também a cultura internacional e novas opções de alimentação rápida. Na Praça Osório, a tradição asiática ganhou representação com a abertura do Hozak. A empresária coreana Yoon Su Ki, em parceria com a mãe, Bianca, elaborou um cardápio focado na confeitaria do país asiático. O local serve doces típicos, como o yagwa, e bebidas que misturam café espresso com o purê de yuzu, fruta cítrica semelhante à tangerina.
O consumo de alimentos de rápido preparo também motiva mudanças de carreira de novos empreendedores. O empresário Marlon Godoy abriu a Manja Pizza na Rua Inácio Lustosa, adotando um conceito de atendimento no balcão e cozinha aberta. A massa de fermentação natural assa em apenas 90 segundos. O estabelecimento destinou 50% do cardápio para opções veganas, visando atender o público crescente que busca dietas livres de produtos de origem animal na região.
Na Rua Desembargador Ermelino de Leão, a cafeteria Manana ajusta seu funcionamento conforme a agenda cultural do bairro. Fundado por Dora Suh e Vitor Coelho, o espaço possui torrefação própria e estende o horário de atendimento nos dias de espetáculos no Cine Lido. A demanda do público gerou caixa suficiente para a dupla abrir uma segunda unidade no bairro Bigorrilho, destinada à produção exclusiva do menu vegano da marca.(

Restauro de casarões históricos impulsiona novos investimentos
A valorização comercial do Centro passa obrigatoriamente pela recuperação de sua arquitetura original. A empresária Raquel Uchôa direcionou seus investimentos para a esquina das ruas Carlos Cavalcanti e Mateus Leme. O primeiro negócio, o Lynk Gastrô, opera em um imóvel construído em 1877, de estilo colonial português. O ambiente exibe louças antigas e peças do início do século XX, resgatando a história familiar da proprietária.
A expansão dos negócios de Raquel ocorre em um segundo imóvel de 1877, localizado na mesma rua. O casarão passou por um processo minucioso de restauro, acompanhado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). O espaço abrigará o Porthos Empório Gourmet a partir de 2026.
O local marca a chegada da franquia paulista Mundo Pão do Olivier à capital paranaense. A cozinha industrial do novo endereço já realiza testes de produção dos croissants de massa folheada, que são vendidos provisoriamente na operação atual do Lynk Gastrô.
Turismo de experiência fortalece a formação profissional
A consolidação da cena gastronômica local exige profissionais qualificados para o atendimento ao público. A resposta a essa demanda ocorre diretamente em um dos principais cartões-postais da cidade. O Café-escola Senac PR, instalado na Galeria das Quatro Estações do Jardim Botânico, funciona como laboratório prático para dezenas de alunos. No primeiro semestre deste ano, 150 estudantes de 13 turmas diferentes realizaram o atendimento prático no local.
O serviço prestado pelos alunos conquistou reconhecimento de mercado e prêmios na cidade. O estabelecimento venceu recentemente o Prêmio Bom Gourmet na categoria de locais para levar turistas. O espaço registrou a passagem de 32 mil visitantes apenas na primeira metade do ano. Clientes de diferentes estados frequentam o café pela junção do cardápio prático com a vista privilegiada para a estufa de vidro, símbolo máximo do turismo curitibano.
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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