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Preço do limão dispara no Paraná e chuvas afetam safra

Preço do limão dispara no Paraná e chuvas afetam safra

(Foto: Canva)

Preço do limão dispara no Paraná e chuvas afetam safra


Queda na oferta nacional eleva custos para o consumidor paranaense, enquanto produtores locais enfrentam desafios climáticos.

O consumidor paranaense encontra o limão até 374% mais caro nas prateleiras dos supermercados neste segundo semestre. O excesso de chuvas no início do ano prejudicou a florada nos principais polos produtores do país, derrubando a oferta da fruta justamente no período de entressafra.

O impacto no bolso afeta diretamente a rotina das famílias e os custos operacionais de bares e restaurantes no Paraná. A normalização dos valores cobrados no varejo ocorrerá apenas no fim do ano, quando o volume da nova safra chegará integralmente aos centros de distribuição.

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Preço da caixa supera a marca de 2025

A escalada do custo na origem formou um abismo em relação ao cenário financeiro do ano anterior. O produtor recebia R$ 32,10 pela caixa em junho e viu o valor saltar para R$ 55,60 em julho, consolidando o pico de R$ 104,78 em agosto.

Ao cruzar esses dados com o cenário agrícola recente, a diferença assusta o setor atacadista. O preço da caixa pago ao produtor em agosto deste ano fechou 71% maior quando comparado ao mesmo mês de 2025.

O varejo reflete de forma agressiva essa escassez de campo. O quilo do limão, que custava cerca de R$ 1,82 no início da entressafra em maio, bateu R$ 8,62 nos grandes entrepostos do país durante o mês de setembro.

A força da produção agrícola no interior paranaense

Para mitigar a dependência externa, o mercado estadual conta com a produção concentrada na região Noroeste. O município de Altônia cultiva 65% de todo o limão colhido no território estadual, superando 22,4 mil toneladas anuais. A cidade de São Jorge do Patrocínio aparece na segunda posição do ranking local, com quase 8% de participação nas colheitas.

A agricultura familiar sustenta essa cadeia produtiva regional, envolvendo cerca de 150 propriedades e gerando aproximadamente 5 mil empregos. O cultivo ganhou força comercial há pouco mais de uma década, quando diversos produtores precisaram migrar da plantação de laranja para o limão devido à alta incidência da praga do greening.

“Muitas áreas de citros, principalmente tangerinas e laranjas, foram erradicadas. Essa cultura se mostrou mais resistente, mais tolerante à doença“, explicou o técnico agropecuário Paulo Cesar Lavaqui.

O escoamento dessa safra abastece feirantes e supermercados por meio de atravessadores. As unidades da Ceasa de Curitiba e Maringá respondem pela distribuição direta desses lotes agrícolas aos comerciantes de varejo.

Desafios climáticos e a formação dos preços

Manter o volume de colheita em campo aberto exige altos investimentos do agricultor em adubação e pulverização. As variações extremas de temperatura e o excesso de umidade afetam de forma implacável o rendimento das árvores frutíferas.

“Trabalhamos juntos em família e vivemos bem. Tem ano bom que dá R$ 20 de lucro por caixa, mas se chover muito ou se der muito sol, acaba caindo“, detalhou o agricultor Alessandro Davanso Cracco.

O mercado paranaense reflete o cenário de São Paulo, estado que concentra 80% da produção nacional e envia a maior parte da oferta para a Ceasa. As chuvas excessivas nos municípios paulistas reduziram a qualidade comercial dos frutos e prejudicaram o pegamento das flores.

O calor intenso registrado no fim do inverno elevou o consumo interno de bebidas refrescantes, pressionando estoques que já estavam reduzidos nos galpões atacadistas. O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, da Esalq, alerta para a continuidade das dificuldades estruturais no campo.

“O limão tem como uma de suas características ter uma volatilidade muito alta em seu histórico de preços. Tivemos anos anteriores bons, mas houve impacto da condição climática, que deve se estender para o próximo ano“, projetou o especialista.

O peso da citricultura na economia estadual

O cultivo de frutas representa uma fatia bilionária do agronegócio paranaense. Dados projetados para 2025 pelo Deral, órgão vinculado à Seab, indicam que a fruticultura alcançará um Valor Bruto de Produção de R$ 4,3 bilhões no estado.

A citricultura domina esse segmento agrícola com ampla margem financeira em relação às demais plantas. O plantio de laranjas, tangerinas e limões ocupa 53,6% da área frutífera estadual e responde por 62,9% do volume total colhido.

A geração de renda desse setor agropecuário destaca cinco culturas principais:

  • Laranja;
  • Morango;
  • Uva;
  • Tangerina;
  • Goiaba.

Essa rede econômica diversificada atinge todos os municípios do Paraná, garantindo o sustento do produtor rural e movimentando intensamente a indústria de beneficiamento alimentar em diversas macrorregiões.

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Preço do limão dispara no Paraná e chuvas afetam safra
(Foto: Canva)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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