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Maioria conservadora no Congresso de 2027 é contra pautas de preservação

Maioria conservadora no Congresso de 2027 é contra pautas de preservação

(Foto: Divulgação Ibama)

Maioria conservadora no Congresso de 2027 é contra pautas de preservação


Composição da Câmara e do Senado para a próxima legislatura afrouxará regras de proteção aos biomas e pressionará a segurança hídrica do estado.

A 58ª Legislatura do Congresso Nacional, com início marcado para 2027, atuará na oposição direta à agenda socioambiental brasileira. Um levantamento do Observatório do Clima revela que sete em cada dez parlamentares eleitos rejeitarão iniciativas de conservação e enfrentamento da crise climática.

Na Câmara dos Deputados, 345 representantes formarão uma barreira contra o planejamento ambiental, enquanto no Senado o índice de rejeição chegará a 79%.

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O desmonte das leis federais de proteção florestal atingirá o Paraná com o agravamento de secas prolongadas e quebras de safra. O agronegócio no interior do estado já contabiliza prejuízos bilionários nas lavouras de soja e milho devido à irregularidade das chuvas.

Sem a manutenção dos biomas nacionais que garantem a umidade, companhias como a Sanepar e a Copel enfrentarão custos operacionais extremos para manter o fornecimento de água e energia elétrica para a população urbana e rural.

Maioria conservadora ditará o ritmo no Legislativo

O inchaço das bancadas de direita e extrema direita redefinirá as prioridades em Brasília. O Partido Liberal (PL) assumirá 28 cadeiras no Senado e 121 na Câmara, consolidando um bloco focado estritamente em segurança pública e valores morais.

O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos, projeta que esse novo perfil travará debates econômicos sensíveis, deixando o clima fora da pauta.

Projetos de impacto trabalhista imediato, como o fim da escala 6×1, perderão velocidade de tramitação até que os novos blocos definam acordos de plenário. No cenário local, essa indefinição e paralisação atingirão o planejamento logístico e as contratações do varejo, setor monitorado de perto pela Associação Comercial do Paraná.

O Supremo Tribunal Federal também entrará na mira do novo Congresso. O professor da UnB prevê que os parlamentares tentarão alterar o desenho institucional da Corte, impondo limites ao poder individual dos ministros e discutindo a viabilidade de mandatos fixos. A dinâmica dessa pauta dependerá do desfecho da eleição presidencial do dia 25 de outubro, já que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) terminaram o primeiro turno separados por apenas 1,87 ponto percentual.

Impermeabilização urbana agravará ilhas de calor

A resistência política à pauta verde colidirá frontalmente com os alertas da comunidade científica internacional. O neurobiólogo italiano Stefano Mancuso define o atual cenário como o problema mais grave da história humana, alertando para o risco iminente de extinção caso a lógica da monocultura urbana prevaleça sobre a natureza.

“A crise climática é o problema mais grave que a humanidade já enfrentou em toda a sua história. Não se trata de uma crise passageira ou de um ciclo natural superável. Estamos diante de um risco real de extinção da nossa própria espécie se não mudarmos radicalmente a nossa relação com o planeta.”

As administrações municipais precisarão substituir 20% do asfalto por cobertura vegetal para evitar um colapso infraestrutural na próxima década. Cidades densamente povoadas, como Curitiba e Maringá, já enfrentam o aumento perigoso das temperaturas nas regiões centrais devido à impermeabilização excessiva do solo.

A renaturalização urgente dos espaços urbanos evitará mortes por ondas de calor e poupará verbas públicas na reparação de danos provocados por eventos extremos.

Ações judiciais forçarão o cumprimento de metas

O distanciamento do Legislativo federal em relação ao clima empurrará a defesa ambiental para os tribunais. A via jurídica se tornará o principal mecanismo da sociedade civil para obrigar governantes e grandes corporações a cumprirem as metas de descarbonização.

O cientista italiano ressalta que o ativismo apenas discursivo perdeu a eficácia, exigindo processos formais contra governos omissos e empresas poluidoras.

No território paranaense, a falta de diretrizes federais rígidas sobrecarregará as instituições de fiscalização. O Instituto Água e Terra e o Ministério Público do Paraná precisarão intensificar as ações civis públicas para barrar o desmatamento ilegal dos resquícios de Mata Atlântica e punir desvios de conduta de forma regionalizada.

O índice de convergência ambiental criado pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade comprova o tamanho do obstáculo legal que o país enfrentará. Apenas 17 senadores alcançarão um alinhamento satisfatório com as necessidades climáticas a partir de 2027.

A coordenadora do Observatório do Clima, Suely Araújo, adverte que o Brasil passará por quatro anos de investidas a favor da anistia a grileiros e do enfraquecimento dos órgãos de fiscalização, exigindo vigilância absoluta dos governos estaduais.

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Maioria conservadora no Congresso de 2027 é contra pautas de preservação
(Foto: Orlando K Junior)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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