(Foto: Luiza Gonzales)
Colômbia enfrenta protestos contra Decreto 1525 e política econômica
Milhares marcham na capital e outras cinco cidades contra aumento do custo de vida e repressão policial a movimentos sociais
Milhares de manifestantes tomaram as ruas de Bogotá, Cali, Medellín, Bucaramanga, Pereira e Riohacha nesta quarta-feira (14) para protestar contra as políticas do presidente Abelardo de la Espriella, que completa apenas dois meses de mandato.
A mobilização ocorre horas após a assinatura do Decreto 1525, norma que autoriza a intervenção direta das forças de segurança em atos públicos e impõe regras estritas para o controle de distúrbios urbanos.
A vigência da nova legislação altera o cotidiano do país e a dinâmica das manifestações populares. A partir de agora, as autoridades possuem respaldo legal para dispersar grupos caso detectem o uso de armas brancas, explosivos ou a retenção de pessoas contra a vontade.
O decreto também obriga os agentes de segurança a manterem uma distância mínima de quatro metros dos participantes, modificando o protocolo de policiamento que impacta todos os cidadãos nas ruas.
Impacto econômico e mobilização sindical
O encarecimento acentuado do custo de vida e a percepção de desmonte das conquistas sociais impulsionam a agenda dos trabalhadores. Centrais sindicais, coletivos estudantis e movimentos de classe compõem a força motriz dos atos organizados nas principais regiões colombianas, exigindo respostas imediatas para a inflação e a escalada da violência urbana.
A Fecode (Federação Colombiana de Educadores) direcionou suas demandas para a defesa da educação pública e da saúde dos professores. A entidade exige a reconstrução urgente da infraestrutura escolar, gravemente danificada pelos recentes terremotos no Vale do Cauca, e repudia a estigmatização do sindicalismo docente promovida pela atual gestão.
A controvérsia sobre o decreto 1525
O Executivo defende que a regulamentação visa assegurar a ordem pública e proteger servidores estatais, pessoal uniformizado, missões médicas e equipes jornalísticas. Durante um pronunciamento em rede de televisão nacional, o presidente reconheceu o protesto pacífico como uma garantia constitucional, mas delimitou a atuação popular:
“Não autoriza agredir outros cidadãos, destruir bens, ameaçar trabalhadores nem impedir o acesso de ambulâncias e serviços de emergência.”
Movimentos de oposição e organizações da sociedade civil interpretam a operação como uma manobra preventiva para legalizar a repressão estatal. A presença maciça de efetivos policiais nos centros urbanos, articulada pelos governos locais, acirrou o clima de tensão nas avenidas e intensificou as críticas sobre a criminalização da liberdade de expressão.
Reações das comunidades originárias
As populações indígenas e camponesas também se integraram à marcha para alertar sobre as ameaças aos seus territórios ancestrais. O CRIC (Conselho Regional Indígena do Cauca) manifestou rejeição absoluta aos megaprojetos econômicos propostos pelo Executivo, acusando o governo de operar para minar a autonomia administrativa e territorial de suas organizações.
A jornada de protestos em Bogotá carrega forte peso político com a expectativa de participação do ex-presidente Gustavo Petro. Em contrapartida, comunicados emitidos pela Casa de Nariño tentam questionar a legitimidade das reivindicações.
O cenário testa a capacidade do atual governo de conter o desgaste institucional precocemente, enquanto tenta emplacar no legislativo outras pautas polêmicas, como o combate a grupos armados organizados e um novo estatuto antiterrorista.
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Com informações de Agência Brasil
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