Publicidade
Publicidade
Publicidade

Câncer de mama masculino: alerta aponta alto índice de metástase por diagnóstico tardio

Câncer de mama masculino: alerta aponta alto índice de metástase por diagnóstico tardio

 (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom)

Câncer de mama masculino: alerta aponta alto índice de metástase por diagnóstico tardio


Desinformação e ausência de rastreamento direcionado reduzem as chances de tratamento precoce entre o público masculino

Homens descobrem o câncer de mama em estágios mais graves do que as mulheres, com taxas elevadas de metástase pelo corpo. O levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), baseado nos Registros Hospitalares de Câncer do Instituto Nacional de Câncer (Inca), aponta que 29,95% dos pacientes masculinos recebem o diagnóstico clínico no estágio IV, quando o tumor já atingiu outros órgãos.

A detecção tardia afeta diretamente o tempo de resposta e a taxa de sobrevida dos pacientes. No Paraná, homens que buscam atendimento nas unidades de saúde de Curitiba ou nos centros oncológicos de referência, como o Hospital Erasto Gaertner, frequentemente chegam com tumores invadindo a pele ou a musculatura peitoral.

Publicidade

A ausência de exames preventivos de rotina para esse público transfere a responsabilidade da identificação para a observação empírica dos próprios sintomas.

Evolução tumoral e diferenças de estadiamento

O sistema de saúde brasileiro registrou mais de 163 mil casos de câncer de mama entre 2020 e 2023. Desse montante total, 2.126 diagnósticos ocorreram no público masculino. O índice representa 1,3% dos registros da doença analisados pela SBRT no período.

A discrepância clínica surge na análise da evolução tumoral entre os gêneros. Os estágios III e IV concentram 62,29% dos quadros masculinos e 61,57% dos femininos. A diferença consolida-se na fase inicial da doença, onde apenas 3,41% dos homens detectam o câncer no estágio I, contra 5,45% das mulheres.

“A população precisa saber que o câncer de mama pode acometer homens e, inclusive, ser também letal nesse público nos casos mais avançados.” – Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT.

Anatomia masculina acelera a propagação

A biologia do corpo masculino facilita o alastramento rápido dos tumores locais. Os homens possuem volume reduzido de tecido mamário e menor exposição ao estrogênio. A falta de tecido adiposo encurta a distância entre o nódulo maligno e as estruturas adjacentes, permitindo que um caroço pequeno invada a parede muscular com facilidade.

Fatores genéticos hereditários, grau de obesidade, histórico familiar e alterações hormonais severas potencializam o risco de desenvolvimento da doença nos homens. A investigação médica deve iniciar imediatamente após a identificação de anomalias visuais.

“Muitos demoram a procurar atendimento ao perceber alterações na região. A presença de caroços, alterações no mamilo ou secreção, especialmente com sangue, deve ser investigada.”- Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT.

Abordagem cirúrgica e chances de cura

A cirurgia oncológica lidera o protocolo de combate aos tumores localizados nos pacientes masculinos. Os médicos associam a remoção cirúrgica com sessões de radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal, variando conforme a agressividade da lesão. A radioterapia atua especificamente na blindagem da região operada, reduzindo as chances de retorno das células cancerígenas.

O diagnóstico antecipado eleva drasticamente a projeção de vida. Os relatórios médicos indicam uma sobrevida relativa superior a 80% nos primeiros cinco anos após a descoberta. Homens com tumores restritos exclusivamente à área da mama ultrapassam a marca de 95% de chance de cura com o tratamento adequado.

Mulheres jovens enfrentam desafio similar na detecção

O diagnóstico tardio atinge perfis específicos fora da faixa etária de risco tradicional. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) avaliou quase 118 mil mulheres diagnosticadas no mesmo período. As pacientes com até 39 anos apresentam um cenário onde 85,6% receberam o laudo médico já nos estágios II, III ou IV da doença.

As diretrizes médicas recomendam a mamografia preventiva a partir dos 40 anos para mulheres sem fatores genéticos. A faixa etária inferior a essa marca depende do autoexame e da percepção de alterações persistentes. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná orienta a busca por avaliação especializada em postos de saúde ao menor sinal de anormalidade, independentemente do gênero ou da idade.

>> Siga o canal do Jornal O Paranaense no WhatsApp

Câncer de mama masculino: alerta aponta alto índice de metástase por diagnóstico tardio
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *