(Foto: Diego Reyes)
PIB do Chile ncolhe e desemprego atinge 9,6% sob ajuste fiscal de Kast
Política de austeridade reduz projeções do Fundo Monetário Internacional e eleva desaprovação presidencial para mais de 60%.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, enfrenta um cenário de retração econômica e alta no desemprego ao completar sete meses de mandato, em meio a um severo programa de ajuste fiscal.
O Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou queda de 0,3% no terceiro trimestre de 2026, somando-se à retração de 0,2% do trimestre anterior. O índice de desocupação subiu 1 ponto percentual no acumulado de 12 meses, alcançando a marca de 9,6%.
A combinação de estagnação produtiva e repasse de custos afeta diretamente a rotina da população chilena. O governo federal decidiu não intervir no preço da gasolina e do diesel, repassando as altas globais impulsionadas pelas tensões no Oriente Médio diretamente para as bombas.
Essa decisão pressiona o orçamento das famílias, encarece a logística interna e espalha efeitos inflacionários por toda a rede de comércio e serviços.
Cortes em áreas sociais e pressão orçamentária
O plano implementado na posse do Executivo prometia reduzir as despesas do Estado em 3% e diminuir a carga tributária das empresas. Levantamentos recentes da imprensa local, que analisaram 17 das 25 pastas governamentais, indicam que os cortes já ultrapassam a marca de US$ 1,4 bilhão. O Ministério da Saúde sofreu a maior redução, com a retenção de 413 bilhões de pesos chilenos.
As restrições de verba atingiram os ministérios da Habitação, com 200 bilhões a menos, e da Educação, que perdeu 197 bilhões. O reflexo imediato das medidas provocou reações nas ruas de Santiago e outras cidades do país.
Estudantes universitários e secundaristas organizam marchas frequentes contra o enxugamento do sistema educacional, mobilizações que acabam em repressão policial e empurram a desaprovação do chefe do Executivo para acima de 60%.
A redução dos impostos corporativos, estratégia inspirada nos governos dos Estados Unidos e da Argentina, não gerou o ciclo de reinvestimento esperado na economia local. A retenção do capital pelo setor privado desidratou a arrecadação estatal sem criar novos postos de trabalho.
“O rico faz o que nesse momento de extrema incerteza que é a crise? Ele pega esse dinheiro da redução dos impostos e retira do circuito econômico, normalmente direcionando a aplicações financeiras. É isso que ele faz”, explicou Fernando Henrique Lemos Rodrigues, professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Desempenho do setor de mineração
A base da economia exportadora chilena apresenta sinais estruturais de desgaste. A extração de cobre, matéria-prima responsável por quase metade de todas as exportações do país, caiu 8% entre janeiro e agosto deste ano em comparação com 2025, de acordo com o balanço da Câmara Mineira do Chile.
Problemas de tecnologia para extração e o esgotamento de minas tradicionais limitam a capacidade de oferta do país. Eventos climáticos extremos bloqueiam frequentemente as rotas de escoamento da produção. Movimentos operários exigem reajustes salariais e paralisam atividades, travando o fluxo financeiro do setor mais lucrativo da nação.
“Ele está freando a expansão dos gastos. Só isso já dá um impacto brutal sobre a economia chilena, porque ela está diante de uma conjuntura bastante precária no seu principal setor, que é do cobre”, avaliou Rodrigues.
Socorro econômico e projeções para 2027
O enfraquecimento contínuo da atividade produtiva obrigou a administração federal a anunciar um pacote de investimentos públicos de 1,3 bilhão de pesos no fim de setembro. O objetivo da injeção de capital é fomentar a criação de empregos por meio de obras de infraestrutura, subsidiar novos postos de trabalho e ampliar o financiamento para empresas em dificuldade.
As perspectivas de curto prazo levaram o Fundo Monetário Internacional a revisar a projeção de crescimento da nação andina. A estimativa inicial de 1,8%, traçada em julho, despencou para 0,6% na revisão oficial de outubro.
O novo patamar coloca o desempenho chileno como o segundo mais fraco de toda a América do Sul, superando apenas a economia da Bolívia, que deve fechar o ano com recessão de 3%.
A elaboração do orçamento para o próximo ano prevê expansão de apenas 1,5% do PIB, frustrando a retomada esperada pelo mercado. A Fundação Horizonte Cidadão e organizações independentes mapearam os efeitos dessa restrição nas contas de 2027:
- Redução de repasses orçamentários para 48 programas focados na população de baixa renda;
- Corte direto calculado em 325 bilhões de pesos chilenos nos projetos de assistência;
- Quebra da promessa de campanha de reduzir gastos fiscais sem alterar benefícios sociais, conforme denúncias do Centro de Investigação Jornalística do Chile.
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Com informações de Agência Brasil
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