O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente o Projeto de Lei nº 1.791/2019, que visava permitir o aproveitamento de empregados de empresas públicas do setor elétrico federal que foram privatizadas, como a Eletrobras. A determinação foi oficializada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (29), frustrando as expectativas de realocação de milhares de funcionários.
O que previa o Projeto de Lei?
Aprovado pelo Senado Federal em 2 de dezembro, o PL determinava que os funcionários das companhias privatizadas poderiam ser transferidos para outras empresas públicas ou sociedades de economia mista. A proposta garantia a manutenção das atribuições e salários compatíveis com suas funções anteriores, buscando assegurar a continuidade de emprego para esses profissionais.
As razões do veto presidencial
Em sua justificativa para o veto, o presidente Lula argumentou que a proposta apresentava um vício de inconstitucionalidade e contrariava o interesse público. Um dos pontos cruciais levantados foi o potencial aumento de despesas com pessoal, sem que houvesse uma estimativa de impacto orçamentário apresentada pelo projeto. Além disso, o presidente destacou que a realocação enfrentaria impedimentos devido às significativas diferenças nas carreiras dos servidores entre as diversas entidades.
Recomendação governamental e base legal
A decisão de vetar o PL foi fortemente embasada por recomendações de quatro importantes órgãos do governo federal: os Ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, e a Advocacia-Geral da União (AGU). O governo também invocou a Súmula Vinculante nº 43 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que empregados públicos não podem ocupar cargos fora da carreira na qual foram originalmente investidos, reforçando a inviabilidade jurídica da realocação proposta.
Contexto dos desligamentos
Entre os anos de 2021 e 2023, o grupo Eletrobras registrou 3.614 desligamentos, um número que ressalta a relevância da discussão sobre o futuro desses profissionais após o processo de privatização.
O futuro do veto no Congresso
Apesar da decisão presidencial, o veto ainda não é definitivo. O Congresso Nacional terá a prerrogativa de analisar a decisão de Lula, podendo optar por manter o veto ou derrubá-lo, o que daria prosseguimento à lei de realocação de servidores.
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