(Foto: Ricardo Marajó)
“A moto mais mortal do mundo”: Curitiba usa peças de acidentes fatais para chocar e salvar vidas no trânsito
Veículo construído com partes de 12 motocicletas destruídas vira símbolo de campanha educativa; dados apontam aumento de 38% nas mortes de motociclistas na capital.
Ela tem duas rodas, motor e guidão, mas não foi feita para rodar. Foi feita para parar você. Uma motocicleta única e perturbadora passa a circular por Curitiba com uma missão urgente: frear a violência no trânsito. Batizada de “A moto mais mortal do mundo“, a instalação é a peça central da nova campanha educativa da Prefeitura, construída literalmente com pedaços de outras 12 motos que se envolveram em acidentes com vítimas fatais na cidade.
A iniciativa aposta no impacto visual para gerar empatia e mudança de comportamento. Ao olhar para o veículo, o observador não vê apenas metal retorcido, mas fragmentos de histórias interrompidas.
“Essa moto é formada por 12 partes de outras motos envolvidas em acidentes fatais. Cada parte conta a história de alguém que perdeu a vida e guarda a saudade da família”, explica o prefeito Eduardo Pimentel.
Por trás do ferro, a dor real
A campanha busca humanizar as estatísticas frias do trânsito. Uma das histórias representadas na “moto Frankenstein” é a de Esmael Torres, de 51 anos, falecido em julho do ano passado após ser atingido por um carro que fez uma conversão proibida.
Para sua filha, Gleicy Kelli Fernandes Torres, a exposição da tragédia serve a um propósito maior: a prevenção.
“Essa campanha vai prevenir muitas mortes que trazem dor para as famílias. A conscientização é muito importante para que casos como esse, que mostram a irresponsabilidade dos motoristas, não aconteçam”, desabafa Gleicy.
Uma morte a cada 5 dias
O tom de alerta máximo da campanha é justificado pelos números alarmantes do Comitê de Dados do Programa Vida no Trânsito (PVT). A violência sobre duas rodas está crescendo em Curitiba.
Enquanto em 2024 foram registradas 66 mortes de motociclistas, em 2025 esse número saltou para 91 vítimas fatais — um aumento de aproximadamente 38%.
Gustavo Garrett, superintendente de Trânsito de Curitiba, traduz a gravidade do cenário:
- A capital registra uma morte de motociclista a cada 5 dias.
- Ocorrem, em média, 19 acidentes com motos por dia.
- Embora o número total de vítimas tenha caído levemente, a gravidade das lesões aumentou.
“A moto é nosso modal mais crítico. Queremos que todas as famílias de motociclistas estejam conosco nessas ações de conscientização. Vamos trabalhar todos juntos para que nenhuma morte aconteça mais na cidade”, reforça Garrett.
Ação prática e Exposição Itinerante
Além do trabalho de conscientização visual, a campanha inclui medidas práticas de segurança, como a distribuição gratuita de mais de 3 mil antenas corta-pipas (item essencial para evitar cortes no pescoço por linhas com cerol).
A “Moto Mais Mortal do Mundo” não ficará parada. Ela faz parte de uma exposição itinerante que percorrerá as dez Ruas da Cidadania e locais de grande circulação nos próximos meses, levando a mensagem de que no trânsito, a prudência é a única peça que não pode faltar.

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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