Adrianópolis tem 91% de área livre e Curitiba só 29%: o raio-x da ocupação urbana na região metropolitana

Adrianópolis tem 91% de área livre e Curitiba só 29%: o raio-x da ocupação urbana na região metropolitana

(Foto: Roberto Dziura Jr)

Adrianópolis tem 91% de área livre e Curitiba só 29%: o raio-x da ocupação urbana na região metropolitana


Levantamento da Amep aponta que “vazios urbanos” encarecem serviços públicos; cidades podem absorver crescimento populacional sem precisar levar moradores para longe do centro

A Região Metropolitana de Curitiba (RMC), casa de 3,5 milhões de pessoas e a 8ª mais populosa do Brasil, ainda tem muito espaço para crescer — e sem precisar derrubar mais árvores ou ampliar suas fronteiras. Um estudo recente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) revelou um dado surpreendente: menos da metade dos terrenos considerados urbanos na região estão, de fato, ocupados.

O levantamento aponta que a ocupação oficial dos perímetros urbanos é de apenas 40%. Isso significa que a maioria das cidades da Grande Curitiba convive com os chamados “vazios urbanos”: terrenos que já estão dentro da cidade, muitas vezes com rua asfaltada, luz e água passando na porta, mas que permanecem vazios ou subutilizados.

Onde estão os maiores vazios da região?

Os dados, que fazem parte do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), mostram um cenário desigual. Enquanto a capital está quase lotada, as cidades vizinhas têm imensas áreas disponíveis.

Confira o ranking de desocupação nas áreas urbanas delimitadas:

  • Adrianópolis: 91% de área livre.
  • Tijucas do Sul: 90%.
  • Doutor Ulysses e Quatro Barras: 87%.
  • Tunas do Paraná e Rio Negro: 86%.
  • Campo Magro: 85%.
Adrianópolis tem 91% de área livre e Curitiba só 29%: o raio-x da ocupação urbana na região metropolitana
(Imagem: AMEP)

Na outra ponta, as cidades mais adensadas e com menos espaços vazios são Curitiba (apenas 29% livre), seguida por Araucária (50%) e Pinhais (54%).

O custo invisível de espalhar a cidade

Para o cidadão comum, pode parecer que “abrir novos loteamentos” longe do centro é sinal de progresso. Mas, para os especialistas, essa prática quando há terrenos vazios no centro é um erro caro.

Gilson Santos, diretor-presidente da Amep, alerta que manter serviços públicos em áreas espalhadas custa muito dinheiro ao contribuinte.

“Os perímetros urbanos municipais normalmente possuem melhor atendimento de serviços públicos. Ter áreas desocupadas nestas regiões acaba tornando o município menos eficiente, pois existe um alto custo para manter os equipamentos e serviços nestes locais.”

Por que crescer para os lados é um problema?

Muitos prefeitos optam por ampliar o perímetro urbano (a linha imaginária que define onde acaba a cidade e começa a área rural) para atrair novos empreendimentos. O estudo da Amep, porém, sugere que isso onera os cofres públicos e piora a vida do morador.

Segundo Santos, quando a cidade se espalha demais:

  1. Aumenta o custo da coleta de lixo, iluminação e transporte coletivo;
  2. Exige a construção de novas escolas e postos de saúde em locais distantes;
  3. Obrigada o trabalhador a gastar mais tempo e dinheiro no trânsito diário.

Soluções para ocupar o que já existe

O levantamento indica que o desafio da RMC não é falta de espaço, mas sim a falta de eficiência no uso do solo. O estudo sugere que as prefeituras utilizem ferramentas do Estatuto da Cidade, como o IPTU Progressivo (cobrar mais caro de quem deixa o terreno baldio esperando valorização) e incentivos fiscais para quem constrói onde já existe infraestrutura.

O objetivo é combater a especulação imobiliária que deixa terrenos vazios nos centros, tornando-os inacessíveis para famílias de baixa renda e empurrando a população para as periferias distantes.

Espaço de sobra para o futuro

Uma das conclusões mais impactantes do estudo é sobre o futuro da região. Ao cruzar a quantidade de terrenos vazios com a expectativa de nascimento de pessoas e migração, a Amep descobriu que as áreas urbanas atuais são 90% maiores do que a demanda estimada.

Isso significa que, mesmo se todas as previsões de crescimento populacional se concretizarem nos próximos anos, ainda sobraria espaço dentro das cidades atuais, sem a necessidade de expandir um único metro de perímetro urbano. E isso sem contar com a verticalização (prédios), que permitiria abrigar ainda mais gente no mesmo espaço.

Planejamento para melhorar a vida das pessoas

O estudo da Amep serve como um mapa para que os prefeitos da região tomem decisões mais inteligentes. Ao focar no preenchimento dos vazios urbanos, é possível reduzir o déficit habitacional e garantir que as pessoas morem perto de onde há emprego, escola e hospital.

O objetivo final não é interferir na autonomia de cada prefeitura, mas fornecer dados técnicos para que o crescimento da Grande Curitiba seja sustentável, econômico e, acima de tudo, humano.

Adrianópolis tem 91% de área livre e Curitiba só 29%: o raio-x da ocupação urbana na região metropolitana
(Imagem: AMEP)

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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