A coalizão de 32 países que compõe a Agência Internacional de Energia (AIE) aprovou, por unanimidade, a liberação de 400 milhões de barris das reservas de emergência de petróleo para mitigar os choques causados pela guerra no Irã.
Segundo o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, trata-se do maior volume já disponibilizado pela entidade. “Os 400 milhões de barris de petróleo estão disponíveis no mercado para compensar a perda de oferta decorrente do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz”, afirmou.
Reação do mercado e peso do Estreito de Ormuz
Apesar do anúncio, o barril do Brent operava em alta de 4% nesta quarta-feira (11), acumulando avanço de cerca de 30% em relação ao período anterior ao conflito.
A pressão de preços decorre, principalmente, do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em retaliação a ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, segundo Teerã. Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados cruzem diariamente o estreito, responsável por aproximadamente 25% do comércio global de hidrocarbonetos.
Alívio temporário, dizem especialistas
Para Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), a medida deve amortecer os impactos no curto prazo, mas tem alcance limitado se a crise se prolongar.
“Trata-se de uma medida que pode contribuir para amortecer, no curto prazo, os impactos do conflito. No entanto, caso haja um prolongamento das tensões, os efeitos sobre o mercado de petróleo e gás global tendem a se aprofundar, podendo resultar em um quadro mais complexo no longo prazo”, disse à Agência Brasil.
Como e por quanto tempo as reservas serão usadas
O volume liberado pela AIE seria suficiente para substituir aproximadamente 20 dias do fluxo que normalmente passa por Ormuz. O montante representa um terço do total de cerca de 1,2 bilhão de barris mantidos como reservas estratégicas pelos países-membros.
Há ainda cerca de 600 milhões de barris em estoques da indústria, mantidos por obrigação regulatória em algumas jurisdições. A agência informou que não há um cronograma único para a liberação: os volumes serão colocados no mercado conforme as circunstâncias nacionais de cada país e poderão ser combinados com outras medidas emergenciais.
A AIE é formada majoritariamente por nações europeias; nas Américas, integram o grupo Canadá, México, Chile e Estados Unidos.
Gás natural sob pressão
Além do petróleo, o abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) preocupa a AIE, diante da dificuldade de substituir volumes que deixaram de chegar do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.
Birol afirmou que “o fornecimento global de energia foi reduzido em cerca de 20%” e que os balanços de mercado no gás já eram mais apertados do que no petróleo antes do conflito. A Ásia é a região mais afetada, com países de alta renda disputando cargas disponíveis com a Europa e outros importadores.
Escalada no Golfo e resposta internacional
Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçou navios que trafegarem pelo Estreito de Ormuz em benefício dos EUA, Israel ou aliados, afirmando que “nem um único litro de petróleo passará” nessas condições.
Autoridades iranianas disseram ainda ter atingido dois navios — um de propriedade israelense e outro de bandeira da Libéria — que teriam tentado cruzar a rota sem autorização de Teerã. Diante do agravamento da crise energética, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou reunião do G7 para discutir os desdobramentos. Nos Estados Unidos, os preços nas bombas subiram cerca de US$ 0,60 por galão, alcançando US$ 3,50 — o maior patamar desde maio de 2024, segundo a agência Reuters.
Com informações de Agência Brasil
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