Alívio parcial: 44,6% das exportações do Brasil para os EUA escapam de tarifa de 50%

Alívio parcial: 44,6% das exportações do Brasil para os EUA escapam de tarifa de 50%

(Foto: Cláudio Neves)

Alívio parcial: 44,6% das exportações do Brasil para os EUA escapam de tarifa de 50%


Lista de exceções ao tarifaço de Trump, divulgada pelo MDIC, protege setores-chave para o estado, como madeira e autopeças; no entanto, café e carnes processadas serão taxados.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou, nesta quinta-feira (31), a primeira análise detalhada do impacto do “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos. Segundo a pasta, 44,6% de tudo o que o Brasil vende para o mercado americano, em valores, ficou na lista de exceções e não sofrerá a nova sobretaxa. A notícia traz um alívio significativo para indústrias estratégicas do Paraná, embora outros setores importantes do agronegócio paranaense permaneçam sob ameaça.

O balanço do tarifaço: um terço da pauta afetada

De acordo com o levantamento do Mdic, que usou como base as exportações de 2024, a nova tarifa de 50% incidirá sobre 35,9% dos produtos brasileiros vendidos aos EUA. Os 44,6% isentos continuarão pagando as alíquotas normais, de até 10%. Os 19,5% restantes referem-se a produtos como aço e alumínio, que já estavam sujeitos a tarifas específicas anteriores. Na prática, a decisão protege quase metade do comércio bilateral, mas ainda representa um duro golpe para um terço da pauta exportadora.

O alívio para o Paraná: madeira e autopeças estão na lista de isenção

Para a economia paranaense, a lista de exceções foi crucial. Dois dos principais produtos exportados pelo estado para os EUA foram poupados: madeira e seus derivados (como compensados e molduras) e peças de veículos. Segundo dados da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), esses setores são responsáveis por centenas de milhões de dólares em exportações e pela geração de milhares de empregos, especialmente na Região Metropolitana de Curitiba e no Sudoeste. A isenção garante a manutenção desses mercados e afasta, por ora, o risco de uma crise nesses segmentos.

Alívio parcial: 44,6% das exportações do Brasil para os EUA escapam de tarifa de 50%
(Foto: Marcelo Camargo)

A preocupação persiste: café e carnes do Paraná serão taxados

Apesar das boas notícias para a indústria de transformação, o agronegócio paranaense tem motivos para preocupação. Produtos de grande relevância na pauta de exportação do estado, como o café não torrado e as carnes processadas, não entraram na lista de exceções e serão diretamente afetados pela sobretaxa de 50%. A medida deve impactar fortemente a competitividade desses produtos no mercado americano, forçando os produtores paranaenses a buscarem a diversificação de mercados como estratégia de sobrevivência, alerta a Federação da Agricultura do Paraná (Faep).

Entendendo as regras e o cenário futuro

O Mdic esclareceu que a análise ainda é preliminar e que o governo brasileiro busca mais detalhes sobre a abrangência de alguns códigos tarifários. A pasta também confirmou que as mercadorias que já estavam em trânsito para os Estados Unidos antes da publicação da ordem executiva não serão afetadas pela nova tarifa. A diplomacia brasileira continua trabalhando para mitigar os danos, mas o cenário para os produtos não isentos é de grande incerteza a partir de 6 de agosto, quando as novas regras entram em vigor.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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