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Cerco energético: bloqueio de petróleo imposto pelos EUA empurra sistema de saúde de Cuba para o colapso

(Foto: Norlys Perez)

Cerco energético: bloqueio de petróleo imposto pelos EUA empurra sistema de saúde de Cuba para o colapso


Falta de combustível afeta desde ambulâncias até tratamentos de câncer; crise se agravou após Donald Trump cortar fornecimento venezuelano e ameaçar retaliar novos fornecedores.

O já fragilizado sistema de saúde de Cuba atingiu um ponto crítico. O ministro da Saúde cubano, José Ángel Portal Miranda, alertou nesta sexta-feira (20) que a rede pública do país está à beira do colapso total devido ao bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.

Em entrevista à agência Associated Press, Miranda afirmou que a proibição do fornecimento de petróleo à ilha ultrapassou a barreira do impacto econômico e agora ameaça diretamente a “segurança humana básica” da população.

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“Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes. Esta situação pode colocar vidas em risco. Estamos diante de um cerco energético com implicações diretas para a vida das famílias cubanas”, desabafou o ministro.

O impacto direto nos pacientes

O sistema de saúde cubano — historicamente conhecido por seu modelo universal, gratuito e com clínicas locais de bairro — já vinha sofrendo desde a pandemia de Covid-19, com a emigração em massa de médicos e o surgimento de um mercado paralelo de medicamentos. Agora, o apagão logístico ameaça paralisar os atendimentos de alta complexidade.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de cinco milhões de pessoas com doenças crônicas correm o risco de ficar sem medicamentos ou ter seus tratamentos adiados. As áreas mais afetadas incluem:

  • Oncologia: 16 mil pacientes podem ter a radioterapia suspensa e outros 12,4 mil correm risco de interrupção na quimioterapia.
  • Terapia Intensiva e Urgências: Serviços de ambulância estão limitados por falta de combustível, e UTIs que dependem de geradores de energia reserva operam no limite.
  • Outras especialidades: Tratamentos para doenças renais (hemodiálise), cardiologia e ortopedia também estão na lista de serviços severamente impactados.

Racionamento médico e “medicina de guerra”

Para tentar mitigar a crise nas próximas semanas, o governo cubano iniciou a instalação de painéis solares em clínicas locais e determinou que o atendimento a crianças e idosos seja prioridade absoluta.

No entanto, o racionamento de energia forçou as autoridades a restringirem o uso de tecnologias de alto consumo elétrico. Exames laboratoriais complexos e tomografias computadorizadas foram limitados, obrigando os médicos a recorrerem a métodos clínicos mais básicos para diagnosticar e tratar os doentes.

O estopim geopolítico: A ofensiva de Trump

A atual crise humanitária é o reflexo direto de uma escalada na tensão geopolítica que teve início em janeiro deste ano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs um bloqueio energético a Cuba sob a justificativa de que a ilha (localizada a apenas 150 quilômetros da costa da Flórida) representa uma ameaça à segurança nacional norte-americana.

A situação asfixiou a ilha logo após o sequestro do líder venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro. Na ocasião, Trump suspendeu imediatamente o envio de petróleo da Venezuela para Cuba e ameaçou impor duras tarifas comerciais a qualquer país do mundo que ouse vender petróleo para Havana, isolando o país caribenho de suas principais matrizes energéticas.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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