Contato direto entre ministros reforça canal diplomático enquanto permanecem temas sensíveis como tarifas e o papel da ONU
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram por telefone neste sábado (31), segundo nota divulgada pelo Itamaraty. De acordo com a pasta, os interlocutores trataram de comércio exterior e cooperação na área de segurança, além de detalhes relacionados à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, prevista para março, cuja data ainda não foi confirmada.
Assuntos centrais do diálogo
O Itamaraty informou que a conversa abordou principalmente temas econômicos e de segurança. Entre as pautas, estavam o comércio bilateral — em especial a questão das tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros — e a cooperação no combate a ameaças transnacionais, como o crime organizado e o narcotráfico.
Visita de Lula a Washington
Os chanceleres também trocaram informações sobre a visita presidencial anunciada na semana anterior. A nota oficial não trouxe a data precisa nem detalhes da agenda, apenas que houve alinhamento sobre pontos logísticos e políticos da viagem, que se dará em março.
Conselho da Paz e diferenças sobre multilateralismo
O contato ocorre em meio a desconfortos provocados por iniciativas recentes na arena internacional, como o chamado “Conselho da Paz”, idealizado por autoridades dos EUA para tratar do futuro da Faixa de Gaza e de outros territórios. O Brasil tem mantido uma posição tradicional de defesa do papel central da Organização das Nações Unidas (ONU) na governança multilateral. Lula recebeu convite para integrar o conselho, mas ainda não respondeu, e chegou a criticar publicamente a proposta.
Segurança regional e cooperação contra o crime organizado
Em diálogo anterior entre os presidentes Lula e Donald Trump, o Brasil defendeu reformas no Conselho de Segurança da ONU — pauta histórica do país — e ressaltou a necessidade de manter a paz na região, incluindo a Venezuela. Segundo o Palácio do Planalto, ambos os líderes manifestaram interesse em avançar na cooperação para combater o crime organizado transnacional, com propostas como o congelamento de ativos de organizações criminosas e maior intercâmbio de informações financeiras.
Tarifas e impacto no comércio
Ao fundo da conversa entre Brasil e Estados Unidos continua a questão tarifária. Em agosto do ano passado, o governo norte-americano impôs uma tarifa de 50% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, com exceções para cerca de 700 itens. Após negociações em encontros internacionais, o governo dos EUA retirou a sobretaxa de outros 238 produtos, mas diversos setores brasileiros seguem sujeitos a tarifas adicionais em relação aos níveis anteriores, como máquinas, móveis e calçados.
O Itamaraty e o Planalto mantêm interlocução próxima às autoridades dos EUA para buscar avanços tanto na questão tarifária quanto na cooperação em segurança, enquanto definem os últimos detalhes da visita presidencial em março.
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