(Foto: AEN)
Com janela partidária aberta, aliança de Moro com o Novo muda o xadrez político no Paraná
Governador Ratinho Junior sofre revés com saída de aliados, enquanto o início do prazo do TSE para troca de partidos promete intensificar as negociações eleitorais de 2026.
A corrida pelo Palácio Iguaçu em 2026 sofreu abalos sísmicos nesta terceira semana de março. O tabuleiro político paranaense foi reconfigurado por rompimentos oficiais, alianças pragmáticas e estratégias de sobrevivência partidária que mudam o cenário para a direita no estado.
Novo oficializa desembarque do governo e sela apoio a Moro
O boato dos bastidores se concretizou na tarde de quinta-feira (19). Dirigentes do partido Novo oficializaram ao governador Ratinho Junior (PSD) e ao chefe da Casa Civil, João Carlos Ortega, que a legenda apoiará a candidatura de Sergio Moro (PL) ao Governo do Estado.
A reunião ocorreu na sede da rádio da família Massa, em Curitiba, e contou com a presença de Deltan Dallagnol, Lucas Santos, Jeffrey Chiquini e Paulo Martins. A justificativa foi pragmática: recusar o aceno de Flávio Bolsonaro e Moro colocaria o Novo em rota de colisão com o eleitorado bolsonarista no estado. O movimento foi sentido como um forte golpe pelo Palácio Iguaçu, já que o partido estava alinhado ao governo estadual e à Prefeitura de Curitiba.
A ruptura levanta questionamentos sobre os cargos ocupados pelo Novo no primeiro escalão, como a Secretaria da Justiça e Cidadania (Seju), comandada por Valdemar Bernardo Jorge (que deve deixar o cargo em 4 de abril para disputar a eleição), e a própria vice-prefeitura da capital, com Paulo Martins.
A chapa da direita e o impasse de Cristina Graeml
Com a filiação de Sergio Moro ao PL marcada para a próxima terça-feira (24) em Brasília, a composição da chapa majoritária bolsonarista ganha contornos mais nítidos — e deixa vítimas pelo caminho.
O desenho atual coloca Moro na disputa pelo governo, com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) concorrendo às duas vagas ao Senado. Esse arranjo escanteia a jornalista Cristina Graeml, que havia se filiado ao União Brasil a pedido de Moro com a promessa de disputar o Senado.
O cenário de Cristina: Ela recusou a oferta de concorrer a deputada federal pelo PL. Se permanecer no União Brasil, poderá lançar uma candidatura avulsa ao Senado, enfrentando a chapa de seu antigo aliado.
O Plano B do PL: A candidatura de Deltan ainda depende de aval da Justiça Eleitoral. Caso seja impedido, o PL já definiu o advogado Jeffrey Chiquini como o substituto para a vaga ao Senado.
Greca no MDB e a contraofensiva de Ratinho Junior
Enquanto a direita se reorganiza em torno de Moro, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca confirmou seu retorno ao MDB. Como a sigla compõe a base de Ratinho Junior, as chances de Greca disputar o governo diminuem drasticamente, restando-lhe a possibilidade de compor a chapa de Guto Silva (PSD) como vice.
Para não perder o controle da narrativa, o núcleo de Ratinho Junior prepara um contragolpe. A estratégia envolve a migração de cinco deputados do PSD para o União Brasil. Essa injeção de parlamentares garantiria ao grupo do governador o domínio da futura federação entre União Brasil e PP, sufocando as articulações do deputado Ricardo Barros (PP) e mantendo a coalizão sob a influência do Palácio Iguaçu.
Janela partidária aberta acelera o xadrez político
Todas essas movimentações ganharão tração máxima a partir de agora com a abertura da janela partidária, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até o dia 3 de abril — véspera do prazo de desincompatibilização —, deputados estaduais, federais e distritais eleitos pelo sistema proporcional poderão trocar de legenda sem o risco de perderem o mandato por infidelidade partidária. Esse período de 30 dias será de intensa negociação e deve confirmar a debandada estratégica arquitetada pelos caciques políticos do Paraná.
Novas regras do TSE miram o uso de inteligência artificial
Além do calendário, o TSE definiu regras rígidas para a campanha de 2026, com foco especial na tecnologia. O tribunal proibiu o uso de conteúdo sintético gerado ou modificado por Inteligência Artificial (IA) que não siga as regras de rotulagem.
A medida mais drástica determina o banimento de perfis falsos ou automatizados que tentem manipular o processo eleitoral e proíbe a veiculação de qualquer conteúdo alterado por IA nas 72 horas que antecedem o pleito (marcado para 4 de outubro) e nas 24 horas seguintes à votação.

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