O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adiou a votação de uma resolução proposta pelo Bahrein que visa proteger a navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz, podendo incluir o uso da força.
A reunião, inicialmente prevista para esta sexta-feira (3), foi remarcada para a próxima semana, em um cenário de crescente tensão geopolítica e resistência de membros-chave.
O Estreito de Ormuz, localizado na costa norte do Irã, é um dos mais importantes corredores marítimos do mundo, ligando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Essencial para o transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito global, a via tem sido palco de interrupções no tráfego desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro.
O conflito, que já dura mais de um mês, levou o Irã a controlar a passagem de navios, resultando em paralisação de embarques, interrupções no fornecimento e elevação dos preços do petróleo.
Resolução Proposta e Obstáculos Diplomáticos
O Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança, finalizou um projeto de resolução que autoriza “todos os meios defensivos necessários” para salvaguardar a navegação comercial em Ormuz. Contudo, o texto enfrentou forte resistência.
Países como China e Rússia se opuseram veementemente à autorização do uso da força. A China, membro permanente com poder de veto, mantém uma robusta parceria estratégica e econômica com o Irã, sendo o principal comprador do petróleo persa, o que explica sua postura contrária a qualquer escalada militar.
Concessões e o Jogo de Interesses
Em uma tentativa de superar as objeções, especialmente de Moscou e Pequim, o Bahrein — apoiado por outros países árabes do Golfo e pelos Estados Unidos — retirou uma referência explícita à “aplicação obrigatória da força” do texto original.
O esboço atual autoriza as medidas por um período de “pelo menos seis meses e até que o Conselho decida de outra forma”, buscando um consenso que preserve a segurança marítima sem provocar um confronto direto.
A Grande Estratégia por Trás das Tensões
Especialistas consultados pela Agência Brasil interpretam a agressão de Estados Unidos e Israel contra o Irã como uma tentativa de “troca de regime” em Teerã.
Os objetivos seriam deter a expansão econômica da China, vista como uma ameaça por Washington, e consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio. Este pano de fundo geopolítico complexo adiciona camadas de dificuldade à busca por uma solução diplomática em Ormuz.
O adiamento da votação reflete a delicada balança de poder e os intrincados interesses em jogo no Conselho de Segurança da ONU, onde a segurança de uma das rotas comerciais mais vitais do mundo se cruza com as ambições geopolíticas das maiores potências. A próxima semana será decisiva para o futuro da navegação em Ormuz e para a estabilidade no Oriente Médio.

Com informações de Agência Brasil
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