(Foto: Agustin Marcarian)
Corrida pela ratificação: Milei envia acordo UE-Mercosul ao Congresso e quer Argentina na liderança do bloco
Governo argentino iniciou trâmite legislativo em sessões extraordinárias citando benefícios para exportação de carne, vinhos e erva-mate. Brasil e demais parceiros também já movimentam seus parlamentos.
O presidente da Argentina, Javier Milei, não quer perder tempo. Nesta quinta-feira (5), o governo argentino enviou oficialmente à Câmara dos Deputados o texto do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, dando o pontapé inicial para o processo de ratificação.
O objetivo da Casa Rosada é claro: tornar a Argentina o primeiro país do bloco sul-americano a aprovar o tratado, assinado em 17 de janeiro em Assunção após 25 anos de negociações. O projeto deve ser debatido nas sessões extraordinárias do parlamento, que seguem até 27 de fevereiro.
No texto enviado aos legisladores, o governo Milei argumenta que o acordo traz “inúmeros benefícios” e cria condições para a internacionalização das empresas argentinas. Entre os produtos que teriam ganho imediato de competitividade na Europa estão listados:
- Carne bovina;
- Pescados (camarão, lula e pescada);
- Mel e cítricos;
- Biodiesel e vinho;
- Produtos regionais como leguminosas e erva-mate.
“A Argentina regressa ao mundo”, celebrou o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, na rede social X. A deputada governista Sabrina Ajmechet reforçou a pressa: a esperança é que o país ratifique antes dos vizinhos para “começar a colher os benefícios”.
Contexto Regional e Europeu
A movimentação argentina não é isolada. Brasil, Uruguai e Paraguai também iniciaram seus processos de ratificação parlamentar na última semana. Para entrar em vigor, o tratado precisa ser ratificado por pelo menos um país do Mercosul e pela União Europeia.
Do lado europeu, o processo enfrenta burocracia. O Parlamento Europeu aguarda um parecer do Tribunal de Justiça da UE. No entanto, existe uma “brecha”: a Comissão Europeia poderia decidir pela aplicação provisória do acordo assim que um parceiro do Mercosul o ratifique, tese defendida pelo presidente do Conselho Europeu, o português António Costa.
O acordo prevê a eliminação de tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e 92% no sentido inverso, criando um mercado comum de 700 milhões de consumidores.
Acordo Duplo: EUA e Europa
O envio do texto ao Congresso coroa uma semana de ofensiva diplomática de Milei. Horas antes, o chanceler Quirno havia anunciado também a assinatura de um acordo de comércio e investimento recíproco com os Estados Unidos.
A aproximação com Washington, facilitada pela gestão de Donald Trump, prevê a redução de tarifas para produtos argentinos em troca da abertura do mercado local, consolidando uma guinada liberal na política externa de Buenos Aires.
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