Curitiba aposta em ‘mosquito do bem’ e drones para blindar a cidade contra a dengue

Curitiba aposta em 'mosquito do bem' e drones para blindar a cidade contra a dengue

(Foto: Levy Ferreira)

Curitiba aposta em ‘mosquito do bem’ e drones para blindar a cidade contra a dengue


Após redução de 90% nos casos em 2025, prefeito lidera nova mobilização que une tecnologia biológica, fiscalização aérea e mutirões de limpeza nos bairros

A guerra contra o mosquito Aedes aegypti em Curitiba ganhará reforços tecnológicos de ponta em 2026. Em reunião realizada nesta segunda-feira (12) na Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o prefeito Eduardo Pimentel anunciou que liderará pessoalmente, pelo segundo ano consecutivo, a mobilização de enfrentamento à doença.

A grande novidade para este ciclo é a implementação do Método Wolbachia, uma estratégia biológica inovadora, somada à ampliação do uso de drones para fiscalização e a continuidade dos mutirões de limpeza.

Resultados expressivos em 2025

A estratégia agressiva adotada pela gestão municipal no último ano mostrou resultados contundentes. Curitiba registrou 1.575 casos de dengue em 2025, um número 11 vezes menor do que o recorde de 17.761 casos confirmados no ano anterior.

O prefeito destacou a importância da continuidade do trabalho integrado:

“Exatamente um ano atrás, no início da minha gestão como prefeito, fizemos uma reunião com todas as secretarias envolvidas, aqui na Saúde, e que deu um resultado muito importante. Reduzimos em mais de 90% os casos de dengue na cidade.”

Como funciona o Método Wolbachia

A principal inovação anunciada é um projeto-piloto de cooperação com a Wolbito do Brasil. O método consiste em introduzir a bactéria Wolbachia, naturalmente presente em muitos insetos, no mosquito Aedes aegypti. Essa bactéria bloqueia a capacidade do mosquito de transmitir vírus como dengue, zika e chikungunya.

Curitiba, que já abriga uma biofábrica da empresa, agora servirá como campo de prova para essa tecnologia. A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, explicou que a cidade não se enquadrava nos critérios do Ministério da Saúde para receber a tecnologia federal justamente por ter controlado os casos, mas a parceria municipal viabilizou o projeto.

“Com o projeto-piloto que vamos desenvolver em um dos bairros de maior incidência da dengue, será possível contribuir para um grande estudo sobre a eficácia da tecnologia.”

Drones e repelente mais barato

Além da biotecnologia, o prefeito garantiu que a estrutura do governo municipal será ampliada. O decreto que institui o Plano Municipal de Enfrentamento à Dengue será revisado para endurecer a fiscalização de terrenos e imóveis abandonados.

Para auxiliar nessa tarefa, o uso de drones de fiscalização será intensificado nos bairros, permitindo identificar focos do mosquito em locais de difícil acesso. Outra medida de apoio à população é a venda de repelentes a preços reduzidos nos Armazéns da Família. Para descentralizar as ações, serão criados comitês regionais de combate à dengue nas dez administrações regionais da cidade.

Mutirão de limpeza começa no Sítio Cercado

A ação prática nas ruas já tem data para começar. O primeiro mutirão de recolhimento de resíduos de 2026 acontece nesta quinta-feira (15), no bairro Sítio Cercado.

A dinâmica envolve agentes de endemias orientando os moradores sobre o descarte correto, seguidos por caminhões da Secretaria do Meio Ambiente que recolhem os entulhos. Em 2025, foram realizados 66 mutirões que retiraram 415 toneladas de lixo dos quintais curitibanos.

Tatiane Filipak reforça que, apesar de todo o esforço governamental, a vigilância doméstica é insubstituível:

“A gente sabe da importância do terreno bem-cuidado para combater a dengue, porque o mosquito está no meu quintal. Então, a gente pede que a população nos apoie mais uma vez.”

Vacinação para crianças e adolescentes

A imunização continua sendo uma ferramenta vital. A vacina contra a dengue, fornecida pelo Ministério da Saúde, está disponível na rede municipal para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Eduardo Pimentel fez um apelo aos pais:

“Essa é mais uma forma importante de proteger nossa população. Se você tem filhos nessa faixa etária, não deixe de levá-los para receber as duas doses contra a dengue.”

Tecnologia aliada à consciência cidadã

Curitiba se posiciona na vanguarda do combate à dengue ao unir evidências científicas, como o Método Wolbachia e as Estações Disseminadoras de Larvicida, com ações de zeladoria urbana. No entanto, a vitória contra o mosquito depende do engajamento da comunidade.

A tecnologia pode bloquear o vírus e os drones podem achar o foco, mas a eliminação da água parada dentro de casa continua sendo a responsabilidade diária de cada morador para manter os números da doença em queda histórica.

Curitiba aposta em 'mosquito do bem' e drones para blindar a cidade contra a dengue
(Foto: Hully Paiva)

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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