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De sapos a mamíferos: o resgate de 2 mil animais silvestres no novo reservatório em São José dos Pinhais

De sapos a mamíferos: o resgate de 2 mil animais silvestres no novo reservatório em São José dos Pinhais

(Foto: André Thiago)

De sapos a mamíferos: o resgate de 2 mil animais silvestres no novo reservatório em São José dos Pinhais


Força-tarefa da Sanepar usa barcos para proteger a fauna durante o enchimento da represa em São José dos Pinhais.

O início do ano marcou uma etapa importante para o abastecimento de água da Região Metropolitana de Curitiba. Com o fechamento das comportas do Reservatório Miringuava, em São José dos Pinhais, no mês de janeiro, a água começou a subir. Para garantir a segurança da vida silvestre local, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) montou uma grande operação ambiental.

“Uma estrutura como essa, que terá capacidade de reservar 38,2 bilhões de litros de água, inevitavelmente causa impactos e trabalhamos para minimizá-los ao máximo em todas as etapas”.

Esta afirmação é do diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, reforçando o compromisso em equilibrar o progresso urbano e a conservação da natureza.

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Como funciona o resgate nas ilhas formadas

Uma equipe especial, formada por técnicos, biólogos e veterinários, está percorrendo as águas do novo reservatório com o auxílio de embarcações. O objetivo é localizar e retirar os animais que acabaram ficando isolados nas pequenas ilhas que se formam com a elevação do nível da água.

Nesta etapa de resgate com barcos, cerca de 2 mil animais silvestres já foram salvos. Se contarmos desde o início do processo, ainda na fase de limpeza da vegetação, o número é muito maior: aproximadamente 7,8 mil animais foram afastados ou retirados da área de alagamento.

“Com a água subindo, conseguimos ter uma visão melhor dos animais, porque eles vão para a borda ou ficam presos na ilha”.

A explicação é de Bruno Nadalin, coordenador de campo da Jardiplan, empresa que atua como parceira da Sanepar neste processo.

Foco nos pequenos répteis e anfíbios

Durante as buscas, a equipe notou que a grande maioria (90%) dos animais resgatados pertence ao grupo de anfíbios e répteis. Apesar de serem pequenos em tamanho, eles têm um papel vital no equilíbrio da natureza.

“Os animais pequenos servem para controlar insetos, pragas e servem como alimento de animais. Ao negligenciar um grupo trófico de menor escala, você acaba a longo prazo impactando os grupos maiores até chegar nos animais de grande porte, como os mamíferos”.

Avaliação de saúde e devolução à natureza

A operação não termina no momento em que o animal é retirado da água. O processo segue um passo a passo rigoroso para garantir o bem-estar de cada espécie:

  • Exame clínico: Todo animal capturado passa por uma avaliação de saúde cuidadosa.
  • Animais saudáveis: Aqueles que estão bem são soltos imediatamente em áreas seguras escolhidas pela equipe, eliminando o risco de que voltem aos locais que serão inundados.
  • Animais doentes: Se o bicho apresentar algum problema, ele é encaminhado para avaliação no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) ou levado para clínicas veterinárias parceiras para receber tratamento adequado.

“Essa é a preocupação da Companhia com a questão ambiental e preservação da biodiversidade local, mantendo os animais que são resgatados dentro do ecossistema da região do Miringuava”.

O destaque é do biólogo Gilson Maruno, que atua na Gerência de Gestão Ambiental da Sanepar.

Criação de um corredor ecológico pioneiro

Para compensar o espaço que será coberto pelas águas da represa, a Sanepar desenvolveu um grande corredor de biodiversidade, com 7 milhões de metros quadrados. Esse espaço protegido é 62% maior do que a área utilizada para guardar a água.

A recuperação dessa área verde começou antes mesmo da formação do lago, uma prática considerada inovadora em obras desse tipo.

“É um modelo que a comunidade científica exigia que fosse desenvolvido e a Sanepar vem atender exatamente nessa perspectiva. Hoje, praticamente toda a margem do reservatório está com vegetação, então o risco de perder os animais resgatados é minimizado. É um grande ganho ambiental”.

A avaliação é de Sergio Augusto Morato, coordenador geral do projeto pela Jardiplan.

O impacto do reservatório no abastecimento de água

A área que será alagada tem 4,3 milhões de metros quadrados, o que equivale a 602 campos de futebol. Caso as chuvas sigam o ritmo esperado, a represa deve estar completamente cheia em cerca de nove meses.

Esta grande obra trará benefícios diretos e segurança hídrica para a população. Veja os números do projeto:

  • Atendimento direto: 650 mil pessoas beneficiadas.
  • Reforço no sistema: Fortalecerá o abastecimento de 3,5 milhões de moradores da Região Metropolitana.
  • Locais beneficiados: Bairros de Curitiba (Caximba, CIC, Ganchinho, Tatuquara, Umbará e Sítio Cercado) e as cidades de Araucária, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais.
  • Capacidade ampliada: Aumentará em 25% a reserva de água do sistema integrado da região, fazendo a capacidade de tratamento local saltar de mil para 2.000 litros por segundo.
De sapos a mamíferos: o resgate de 2 mil animais silvestres no novo reservatório da Grande Curitiba
(Foto: André Thiago)

Com informações de Agência de Notícias da Sanepar


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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