(Foto: Ari Dias)
Dona da marca Dona Benta inaugura fábrica de R$ 300 milhões em Londrina
Planta industrial da J.Macêdo, dona de marcas como Dona Benta e Sol, terá capacidade para processar mais de 200 mil toneladas de trigo por ano. Projeto é âncora da nova Cidade Industrial e prevê expansão para fabricação de massas e biscoitos.
O setor agroindustrial paranaense consolidou nesta quinta-feira (26) um dos mais importantes aportes privados dos últimos anos. A J.Macêdo, gigante nacional do setor de alimentos e detentora de marcas como Dona Benta, Sol e Petybon, inaugurou oficialmente o seu novo complexo industrial em Londrina, no Norte do Estado.
Com um investimento de R$ 300 milhões, a nova planta entra em operação projetada para redefinir os padrões de eficiência e automação no processamento de trigo no país. O empreendimento reforça o crescimento contínuo do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná — que saltou de R$ 400 bilhões para R$ 800 bilhões nos últimos oito anos — e estimula o adensamento da cadeia produtiva local.
Âncora da nova Cidade Industrial de Londrina
O peso do investimento vai além dos muros da fábrica. A J.Macêdo, presente em Londrina há mais de 50 anos, é a primeira empresa a se instalar e atuar como âncora da recém-criada Cidade Industrial do município.
A estruturação do novo parque industrial conta com R$ 38,7 milhões em investimentos do Governo do Estado. As obras, que já ultrapassaram 83% de execução, abrangem uma área total de 395 mil metros quadrados e incluem terraplenagem, pavimentação, rede de água e esgoto e ensaios tecnológicos. A estruturação do polo visa diversificar o PIB de Londrina, hoje majoritariamente dependente dos setores de comércio e serviços.
Capacidade de processamento e tecnologia de ponta
A nova fábrica foi construída a partir de um projeto greenfield (erguido totalmente do zero) em uma área de 276 mil metros quadrados, gerando cerca de 200 empregos. A estrutura conta com um moinho capaz de processar 660 toneladas de trigo por dia e um sistema de silos com capacidade para armazenar até 42 mil toneladas de grãos simultaneamente.
A planta incorpora o que há de mais moderno no mercado global de moagem. Segundo o diretor-presidente da J.Macêdo, Irineu José Pedrollo, a unidade conta com os fornecedores mais conceituados do mundo. “Temos um nível elevado de automação, eficiência energética e baixíssimo impacto ambiental. Não geramos resíduos, é uma indústria extremamente limpa”, explicou o executivo.
Novo hub logístico e verticalização da produção
O desenho do complexo atende a um plano logístico ambicioso. O local abriga um Centro de Distribuição (CD) que servirá como o principal hub de abastecimento para as regiões Sul e Sudeste.
Atualmente, o moinho de Londrina enviará a matéria-prima para abastecer a fábrica de São José dos Campos (SP), onde a farinha é transformada em misturas e massas. No entanto, o objetivo da holding é verticalizar a produção no Paraná. “Esperamos, em um espaço de tempo não muito distante, trazer também parte dessa produção para Londrina”, detalhou Pedrollo, ressaltando que a planta foi construída em formato modular para facilitar futuras expansões.
O prefeito da cidade, Tiago Amaral, confirmou as tratativas para as próximas fases. “Hoje é a primeira etapa, mas o projeto compreende uma segunda etapa do moinho e, na sequência, as fábricas de massas, biscoito e uma estrutura de tecnologia muito forte” , destacou.
Obras viárias para garantir o escoamento
Para suportar o tráfego pesado de recebimento de grãos e expedição de produtos industrializados, o poder público precisou adequar a malha viária do entorno.
Em breve, será iniciada a duplicação da Avenida Saul Elkind — principal via de acesso ao novo bairro industrial — e da Rua Joni Belai Aguiar. O aporte será de R$ 25,3 milhões para a modernização de 5,77 quilômetros de pistas, garantindo agilidade no escoamento das cargas e segurança para os trabalhadores do complexo.
O impacto direto na cadeia do trigo no Paraná
A consolidação de um moinho com capacidade para mais de 200 mil toneladas anuais encontra terreno fértil no estado. O Paraná é atualmente o segundo maior produtor de trigo do Brasil, com uma área plantada de 1,1 milhão de hectares e uma colheita de 2,3 milhões de toneladas na safra de 2024, gerando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 2,9 bilhões.
O investimento da J.Macêdo fortalece diretamente o produtor local, já que Londrina desponta como a segunda cidade que mais produz trigo no estado (57 mil toneladas e VBP de R$ 71,2 milhões), ficando atrás apenas de Cascavel (65,5 mil toneladas). O fortalecimento da indústria local adiciona valor agregado ao grão, que na última safra também rendeu US$ 105,7 milhões em exportações paranaenses.
O peso da holding J.Macêdo no mercado nacional
Criada em 1939 no Ceará, a J.Macêdo consolidou-se como uma das maiores empregadoras e indústrias de alimentos do Brasil, mantendo cerca de 3 mil colaboradores em suas unidades.
A companhia é a atual líder nacional nos segmentos de farinha de trigo de uso doméstico e misturas para bolos, e ocupa a vice-liderança no mercado de massas alimentícias. Além das marcas voltadas ao consumidor final, como Dona Benta, Sol, Petybon, Brandini e Boa Sorte, a holding possui uma forte atuação na Linha Profissional, fornecendo insumos de alta performance para o setor de panificação.

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná
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