(Foto: Divulgação PCPR)
Falso biomédico que causou a morte de idosa em 2025 é preso por continuar fazendo cirurgias ilegais
Erick Avelaneda Ferreira de Souza, de 22 anos, passou a atender clientes em domicílio e teve a prisão preventiva decretada após ameaçar testemunhas e depredar um comércio em Curitiba.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu preventivamente, na manhã desta quarta-feira (1º de abril), um estudante de biomedicina de 22 anos acusado de realizar procedimentos estéticos de forma ilegal em Curitiba. O jovem, identificado como Erick Avelaneda Ferreira de Souza, já havia sido indiciado por homicídio doloso qualificado pela morte de uma paciente de 66 anos em outubro de 2025.
Apesar da gravidade das acusações do ano passado, as investigações revelaram que o estudante não interrompeu suas atividades ilícitas. Para fugir da fiscalização, ele mudou o modus operandi: deixou de alugar salas em espaços de coworking e passou a oferecer os serviços estéticos invasivos diretamente na casa das clientes.
Ameaças a testemunha e depredação motivaram a prisão
O estopim para o pedido de prisão preventiva ocorreu após uma pessoa reconhecer o estudante e alertar duas novas clientes sobre o histórico criminal dele. Assustadas com a informação da morte ocorrida em 2025, as mulheres desmarcaram os procedimentos que já estavam agendados.
Ao descobrir o motivo dos cancelamentos, Erick passou a ameaçar a pessoa que fez o alerta. A intimidação escalou para a violência física contra o patrimônio, resultando na depredação do estabelecimento comercial do denunciante, que registrou um boletim de ocorrência.
“Diante dessa situação, representamos pela prisão preventiva considerando a necessidade da garantia da ordem pública, uma vez que ele continuava atendendo, e por conveniência da instrução criminal, já que estava ameaçando testemunhas.” — Aline Manzatto, delegada da PCPR.
Durante o cumprimento do mandado de prisão e de busca e apreensão na residência do suspeito nesta quarta-feira, os agentes localizaram medicamentos sem indicação de procedência e diversos instrumentos de uso exclusivo médico. A polícia também encontrou materiais biológicos e itens utilizados em procedimentos que não haviam sido descartados corretamente, gerando risco sanitário.
Relembre o caso: paciente pagou R$ 15 mil e morreu após infecção
O nome de Erick Avelaneda ganhou os holofotes policiais em 2025, após a trágica morte de Silvana de Bruno, de 66 anos.
Apresentando-se falsamente como dentista e biomédico formado nas redes sociais, o estudante cobrou R$ 15 mil da vítima para realizar três intervenções estéticas: aplicações de plasma facial, lipo de papada e uma lipoenxertia nos seios. Na época, os atendimentos ocorriam em salas alugadas por diária nos bairros Centro, Campo Comprido e Cabral.
Dias após as intervenções, Silvana desenvolveu um quadro gravíssimo de infecção de pele e partes moles. Ela foi internada e precisou ser submetida a uma cirurgia de mastectomia total (retirada completa das mamas e de parte do tecido do tórax) na tentativa de conter a necrose. A idosa não resistiu ao choque séptico e faleceu no dia 2 de outubro de 2025.
Falso biomédico e exercício ilegal da medicina
As investigações da época já atestavam que Erick não possuía qualificação para atuar na área. O Conselho Regional de Biomedicina (CRBM) confirmou que o jovem era apenas estudante, não possuía registro profissional e já havia sido alvo de uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público por exercício ilegal da profissão.
Mesmo ciente dos riscos, ele realizava atos cirúrgicos exclusivos de profissionais da medicina. Pela morte de Silvana, a PCPR concluiu o inquérito indiciando o estudante por exercício ilegal da medicina e homicídio doloso qualificado (com dolo eventual, quando o autor assume o risco de matar).
Agora detido, o estudante foi encaminhado ao sistema penitenciário e permanece à disposição da Justiça para responder tanto pelos crimes de 2025 quanto pelas recentes ameaças e fraudes.

Com informações de Agência de Notícias da Polícia Civil do Paraná
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