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Fim da espera de 25 anos: União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul e cria mercado de US$ 22 trilhões

Fim da espera de 25 anos: União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul e cria mercado de US$ 22 trilhões

(Foto: Reprodução)

Fim da espera de 25 anos: União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul e cria mercado de US$ 22 trilhões


Com o “sim” da maioria do bloco europeu, tratado será assinado no Paraguai na próxima semana; Paraná deve ser um dos estados mais beneficiados com abertura para o agronegócio e setor automotivo.

O dia 9 de janeiro de 2026 entra para a história das relações internacionais. Após um quarto de século de negociações, idas e vindas diplomáticas e resistências protecionistas, a União Europeia (UE) aprovou oficialmente o acordo de livre comércio com o Mercosul. O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após a confirmação dos votos da maioria qualificada dos países-membros.

A decisão derruba as últimas barreiras impostas por nações como França e Polônia e abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, conectando mais de 700 milhões de pessoas.

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O fim de uma maratona diplomática

“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica. A Europa está enviando um sinal forte”, celebrou Ursula von der Leyen. A aprovação ocorre em um momento estratégico, logo após o Brasil ter presidido o bloco sul-americano no segundo semestre de 2025, período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou intensamente para destravar as negociações.

Agora, com o aval europeu garantido, von der Leyen viajará ao Paraguai na próxima semana para a cerimônia de ratificação, já que o país vizinho assumiu a presidência rotativa pro-tempore do Mercosul em dezembro de 2025.

Um gigante econômico de US$ 22 trilhões

Os números do acordo são superlativos. Segundo a ApexBrasil, o tratado integra dois blocos que somam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões.

  • Comparativo: Esse volume econômico supera o da China (US$ 19 tri) e fica atrás apenas dos Estados Unidos (US$ 29 tri).
  • Impacto no Brasil: A estimativa é de um incremento imediato de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras para a Europa.

O acordo prevê a redução gradual de tarifas sobre diversas commodities e a eliminação imediata de taxas para produtos industrializados estratégicos, alterando profundamente a balança comercial transatlântica.

Como a economia do Paraná ganha com o acordo

O Paraná desponta como um dos estados brasileiros com maior potencial de aproveitamento imediato do novo tratado, devido ao perfil duplo de sua economia: força no campo e na indústria.

  • Agronegócio e Proteína Animal: O Paraná é líder na produção e exportação de frango e um gigante na suinocultura. O acordo amplia as cotas de exportação de carnes e grãos para a Europa com tarifas reduzidas ou zeradas, beneficiando diretamente as grandes cooperativas do Oeste e Sudoeste do estado.
  • Polo Automotivo: O texto do acordo prevê a redução imediata de tarifas para “máquinas, equipamentos de transporte e motores de pistão”. Isso é música para os ouvidos do polo automotivo de São José dos Pinhais e Curitiba. A facilitação na importação de componentes europeus de alta tecnologia e a exportação de veículos montados ou autopeças paranaenses torna a indústria local mais competitiva globalmente.
  • Produtos Químicos e Couro: Outros setores fortes no estado, como o de curtumes e a indústria química, também terão acesso facilitado ao exigente mercado europeu.

A geopolítica da “Soberania Estratégica”

A aprovação não é apenas econômica, mas geopolítica. Em um mundo fragmentado, a Europa buscou garantir parceiros confiáveis para não depender excessivamente da Ásia ou da volatilidade política norte-americana.

O Chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, foi uma das vozes mais ativas a favor da conclusão. Ele classificou o acordo como um “forte sinal da soberania estratégica” europeia. “Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos – precisamos avançar mais rápido”, pontuou Merz, refletindo o desejo da indústria alemã, representada pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea), que vê na América do Sul um mercado vital para seus veículos.

Repercussão em Brasília: Inflação e Investimentos

No Brasil, a equipe econômica recebeu a notícia com otimismo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, destacou o efeito prático no bolso do consumidor: “Mais produtos disponíveis e maior competição ajudam a baixar ainda mais a inflação”.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, focou na atração de capital. Para ele, abre-se uma “nova avenida de cooperação” que trará tecnologia e investimentos europeus para o Brasil, modernizando o parque industrial nacional através da importação de máquinas de ponta sem tarifas proibitivas.

A resistência vencida e os próximos passos

A vitória do “Sim” não foi unânime. Países com forte lobby agrícola protecionista, como França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda, votaram contra, temendo a competitividade do agronegócio do Mercosul. O ministro polonês Stefan Krajewski chegou a lamentar publicamente: “Se a Itália estivesse do nosso lado, o acordo seria bloqueado”. No entanto, o sistema de votação da UE exige maioria qualificada (15 países representando 65% da população), meta que foi atingida com o apoio dos pesos-pesados como Alemanha e Espanha.

O que acontece agora?

  1. Assinatura: Ocorre na próxima semana no Paraguai.
  2. Ratificação Europeia: O Parlamento Europeu precisa dar o aval final (onde novos embates políticos devem ocorrer).
  3. Vigência: A entrada em vigor nos países do Mercosul será individual, ou seja, o Brasil não precisa esperar a aprovação do parlamento argentino ou uruguaio para começar a colher os benefícios assim que o Congresso Nacional ratificar o texto.
Fim da espera de 25 anos: União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul e cria mercado de US$ 22 trilhões
(Foto: Stephanie Lecoco)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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