(Foto: Marcelo Casal Jr)
Fim da farra dos golpistas? Novas regras do Pix permitem rastrear dinheiro e agilizar reembolso a partir desta semana
Mecanismo Especial de Devolução (MED) foi atualizado para seguir o rastro de transferências entre contas “laranjas”; estimativa é reduzir golpes bem-sucedidos em até 40%.
Fazer um Pix ficou mais seguro. Entraram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas regras de segurança definidas pelo Banco Central (BC), desenhadas especificamente para combater a rapidez com que criminosos movimentam dinheiro roubado. A principal mudança é a evolução do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), que agora ganha “olhos” para rastrear valores transferidos entre múltiplas contas.
Até então, quando uma fraude ocorria, o bloqueio do valor muitas vezes falhava porque os criminosos transferiam o dinheiro rapidamente da primeira conta (geralmente de um “laranja”) para outras contas em cascata. Com a atualização, o sistema passa a rastrear o caminho do dinheiro e permite o bloqueio em contas intermediárias, e não apenas na conta de destino inicial.
O que muda na prática?
A expectativa do Banco Central e de especialistas em segurança digital é alta: estima-se que as mudanças possam reduzir em até 40% a efetividade dos golpes financeiros.
As principais alterações são:
- Rastreio em Cadeia: O sistema monitora o fluxo do dinheiro. Se o golpista receber o valor e transferir para outra conta imediatamente, o MED consegue identificar e bloquear o valor nessa segunda ou terceira conta.
- Bloqueio Automático: Contas com denúncia de fraude podem ter recursos bloqueados preventivamente, antes mesmo da conclusão da análise humana.
- Devolução Acelerada: O prazo para que a vítima tenha o dinheiro de volta na conta deve cair para até 11 dias após a contestação (antes, o processo podia se arrastar por semanas).
- Botão de Pânico: Os aplicativos bancários agora são obrigados a ter uma área de contestação visível e de fácil acesso, permitindo que a vítima acione o alerta sem precisar ligar para o SAC.
Atenção: O Banco Central reforça que o MED deve ser acionado apenas em casos de fraude, golpe, coação ou erro operacional do banco. A ferramenta NÃO serve para recuperar dinheiro enviado por engano (quando o próprio usuário digita a chave errada, por exemplo). Nesses casos, a negociação deve ser direta com quem recebeu.
Passo a passo: Caí em um golpe, e agora?
Com o novo sistema integrado, a agilidade da vítima é fundamental. Veja o que fazer:
- Conteste imediatamente: Acesse o aplicativo do seu banco e use a opção de contestação do Pix (geralmente na área do extrato ou em segurança).
- O sistema age: O seu banco comunica a instituição que recebeu o dinheiro em até 30 minutos.
- Bloqueio: Os recursos são bloqueados na conta do suspeito (ou nas contas seguintes para onde o dinheiro foi movido).
- Análise: Os bancos têm um prazo curto para analisar os indícios de fraude.
- Desfecho: Se a fraude for confirmada, o valor é estornado para a sua conta. Se não houver provas de crime, o recurso é liberado ao recebedor.

Com informações de Agência Brasil
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