(Foto: Ronald Gutridge)
Fim de uma era: tratado nuclear expira e Rússia e EUA ficam sem limites para arsenais pela primeira vez em 50 anos
Vencimento do ‘Novo Start’ nesta quinta (5) remove travas para mísseis estratégicos. Trump busca novo acordo com a China, Pequim recusa e Papa Leão XIV alerta para risco de corrida armamentista.
O mundo acordou nesta sexta-feira (6) em um cenário de segurança global inédito em meio século. O tratado Novo Start expirou nesta quinta-feira (5) sem que Estados Unidos e Rússia chegassem a um acordo de renovação, deixando as duas maiores potências nucleares do planeta sem quaisquer limites legais para o tamanho de seus arsenais estratégicos.
O pacto era o último remanescente de uma arquitetura de controle de armas construída durante a Guerra Fria. Ele limitava o número de mísseis, lançadores e ogivas estratégicas (aquelas de longo alcance, capazes de destruir cidades inteiras) a 1.550 para cada lado.
Especialistas em segurança internacional alertam que o vácuo diplomático abre portas para uma nova e perigosa corrida armamentista, agora agravada pelo uso de Inteligência Artificial e pela ascensão militar da China.
O Impasse: Washington x Moscou
A expiração ocorre após um jogo diplomático de empurra. O presidente russo, Vladimir Putin, havia proposto manter as regras atuais por mais um ano. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, não formalizou resposta.
A Casa Branca sustenta que Trump deseja um “acordo melhor”, que obrigatoriamente inclua a China nas negociações. Em nota oficial divulgada horas antes do fim do prazo, a Rússia classificou a postura americana como “errada e lamentável”.
“A Rússia continua preparada para tomar contramedidas militares e técnicas decisivas para mitigar potenciais ameaças adicionais à segurança nacional”, diz o comunicado do Kremlin, ressaltando, porém, que o país está aberto à diplomacia.
Trump não se pronunciou no momento da expiração. Segundo a Casa Branca, o presidente decidirá o caminho a seguir “em seu próprio cronograma”.
China: “Não participaremos”
Pequim, o terceiro elemento dessa equação, lamentou o fim do acordo, mas recusou-se a sentar à mesa com as duas superpotências. O argumento chinês é matemático: o país possui cerca de 600 ogivas, uma fração das cerca de 4.000 que Rússia e EUA possuem cada um.
“As forças nucleares da China não estão no mesmo nível das dos Estados Unidos e da Rússia. A China não participará das negociações de desarmamento nesta fase”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
Para a China, o fim do tratado impacta negativamente a estabilidade estratégica global e a responsabilidade recai sobre Washington, que deveria retomar o diálogo bilateral com Moscou antes de exigir a participação de terceiros.
O Fator Risco e o Apelo do Papa
Sem o tratado, perde-se também o mecanismo de verificação e transparência. Karim Haggag, do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, alerta que a falta de previsibilidade, somada a novas tecnologias como a IA, torna o cenário propenso a crises por erros de cálculo.
“Sem transparência, as relações provavelmente serão mais propensas a crises… adicionando complexidade e uma preocupante falta de canais de comunicação”, avaliou Haggag.
Diante da tensão, o Papa Leão XIV fez um apelo contundente no Vaticano. Na véspera do fim do acordo, o pontífice pediu moderação global.
“A situação atual exige que façamos tudo o que for possível para prevenir uma nova corrida armamentista, que ameaça ainda mais a paz entre as nações”, disse o Papa.

Com informações de Agência Brasil
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