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Fraude no Aprova Paraná: operação mira esquema que aprovou alunos de Medicina na UEL, UEM e UEPG

Fraude no Aprova Paraná: operação mira esquema que aprovou alunos de Medicina na UEL, UEM e UEPG

(Foto: Divulgação PCPR)

Fraude no Aprova Paraná: operação mira esquema que aprovou alunos de Medicina na UEL, UEM e UEPG


Operação cumpriu sete mandados de busca contra estudantes de Tapejara e uma fiscal de prova. Irregularidade foi detectada pela Secretaria de Educação após aprovações suspeitas na UEL, UEM e UEPG.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou uma operação nesta semana para desarticular um esquema de fraude na avaliação “Prova Paraná Mais 2025”, exame que serve como porta de entrada para as universidades estaduais. O alvo da investigação é um grupo suspeito de burlar o sistema para garantir vagas em cursos de altíssima concorrência.

As ordens judiciais, que incluem sete mandados de busca e apreensão, foram cumpridas nas cidades de Tapejara, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Segundo as autoridades, o esquema criminoso garantiu a aprovação irregular de pelo menos sete alunos da rede pública de ensino.

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Como funcionava o esquema em Tapejara

As investigações apontam que o epicentro da fraude ocorreu em um colégio estadual no município de Tapejara, na região Noroeste do estado. O esquema teria beneficiado diretamente estudantes da instituição, garantindo notas altas o suficiente para o ingresso no ensino superior de forma ilícita.

O destino dos sete alunos investigados chamou a atenção das autoridades:

  • Cinco deles conseguiram vagas para o cobiçado curso de Medicina;
  • As matrículas sob suspeita ocorreram em três das principais instituições do estado: Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG);
  • Outros dois estudantes garantiram vagas em cursos que também possuem alta concorrência.

Além dos alunos, a Polícia Civil cumpriu mandados contra a fiscal responsável por aplicar a prova na sala de aula dos suspeitos. Ela é investigada por facilitar a fraude ou se omitir deliberadamente durante a realização do exame. Até o momento, os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelas autoridades para não atrapalhar as investigações em curso.

O estopim da operação policial

A operação não partiu de uma denúncia anônima, mas do próprio sistema de vigilância do Governo do Estado. A investigação teve início imediato após a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) identificar fortes indícios de fraude nos resultados da avaliação “Prova Paraná Mais 2025”.

Este exame é fundamental, pois seus resultados são utilizados como critério classificatório direto para o ingresso em instituições públicas de ensino superior do Estado. Diante da suspeita, a PCPR foi acionada para averiguar o caso a fundo.

A descoberta: notas incompatíveis com o histórico escolar

O fio da meada foi puxado pela coordenação de avaliação do Departamento de Acompanhamento Pedagógico da Seed. Ao analisar os resultados da Prova Paraná Mais, os técnicos identificaram um padrão estatístico altamente improvável e suspeito em uma mesma turma de Tapejara.

Os alunos sob investigação apresentaram pontuações extremamente próximas entre si, atingindo a marca de mais de 95% de acertos nas questões objetivas. O que acendeu o alerta vermelho, no entanto, foi o desempenho inferior na redação.

Ao cruzar esse pico de acertos com o histórico escolar dos estudantes, a Seed verificou uma incompatibilidade gritante com as notas e o rendimento que eles apresentaram ao longo dos anos letivos.

O modus operandi: celulares ocultos e bilhetes em sala

Com a Polícia Civil no caso, a mecânica do crime foi desvendada. Durante as investigações conduzidas pelo delegado Thiago Vicentini de Oliveira, a PCPR constatou como os alunos conseguiram uma nota tão alta.

A fraude contou com o uso de tecnologia proibida e comunicação clandestina dentro do local de exame.

“Dois candidatos utilizaram telefones celulares de forma oculta nos dois dias de prova. Eles pesquisaram respostas e as repassaram aos demais envolvidos por meio de anotações.” — Thiago Vicentini de Oliveira, delegado da PCPR.

A conivência da fiscalização no colégio de Tapejara

Para que um esquema envolvendo celulares e troca de bilhetes funcionasse durante os dois dias de aplicação de um exame oficial, houve falha grave ou participação ativa na supervisão.

O esquema envolveu diretamente os estudantes de uma escola estadual localizada em Tapejara. Segundo a delegada da PCPR, Taís Mendonça de Melo, a fiscal responsável pela aplicação da prova na sala dos suspeitos também é um dos alvos centrais das investigações e das medidas de busca. A suspeita é de que ela tenha facilitado a fraude ou se omitido deliberadamente durante a realização do exame.

Tolerância zero e a segurança do Aprova Paraná

Com a repercussão da operação, a Secretaria de Educação veio a público defender a lisura do processo seletivo. O diretor de Educação da Seed, Anderfabio Oliveira, ressaltou que o próprio fato de a fraude ter sido descoberta internamente atesta a eficácia dos filtros do programa.

“O programa Aprova Paraná Universidades é conduzido com base em critérios técnicos e conta com mecanismos de verificação que asseguram a confiabilidade dos resultados e a integridade do processo. Situações que contrariem as regras serão tratadas com a adoção de medidas administrativas e legais cabíveis.” — Anderfabio Oliveira, diretor de Educação da Seed.

A Seed reiterou, em nota, que não haverá qualquer flexibilização diante de condutas que comprometam a igualdade de condições entre os milhares de estudantes paranaenses e que continuará colaborando ativamente com a Polícia Civil.

UEPG defende a transparência do programa

Com a repercussão da operação policial, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) se manifestou oficialmente. A instituição confirmou que está colaborando com a Polícia Civil para esclarecer os fatos o mais rápido possível e reforçou a credibilidade do sistema de cotas.

“O Aprova Paraná Universidades é uma forma reconhecidamente segura e democrática de ingresso nas instituições públicas estaduais de ensino superior do Paraná e deve ser defendida enquanto tal, a despeito de qualquer tentativa de fraude. No caso mencionado, a Universidade Estadual de Ponta Grossa trabalha de forma a colaborar com a investigação, para que se esclareçam quanto antes os fatos. A Universidade informa ainda que medidas cabíveis serão tomadas caso se comprove qualquer irregularidade.” — Nota oficial da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O que é o programa Aprova Paraná Universidades

O “Aprova Paraná Universidades” é uma iniciativa estadual de inclusão educacional. Ele garante que 20% de todas as vagas nas sete universidades estaduais do Paraná sejam reservadas exclusivamente para alunos que cursaram o ensino médio na rede pública.

A seleção desses estudantes é feita com base na nota obtida na “Prova Paraná Mais”. É importante ressaltar que a participação neste programa não impede que o aluno da escola pública tente o ingresso no ensino superior por outros caminhos tradicionais, como prestando o vestibular próprio de cada instituição ou utilizando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Fraude no Aprova Paraná: operação mira esquema que aprovou alunos de Medicina na UEL, UEM e UEPG
(Foto: Divulgação UEL)

Com informações de Agência de Notícias da Polícia Civil do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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