(Foto: Dani Navarro)
‘Garça Infernal’: nova espécie de dinossauro gigante predador de peixes é descoberta no deserto do Saara
Fósseis do Spinosaurus mirabilis foram encontrados no Níger; predador de 12 toneladas e crista em forma de espada encerra antigo debate na paleontologia.
A imagem clássica do Spinosaurus, o gigante carnívoro que aterrorizou o público na franquia Jurassic Park, acaba de ganhar um novo e fascinante capítulo. Em uma expedição a um local remoto e árido do deserto do Saara, no Níger, cientistas descobriram fósseis de uma nova espécie desse colossal predador semiaquático.
Batizado de Spinosaurus mirabilis (que significa “lagarto espinhoso impressionante”), o animal viveu no período Cretáceo da África, há cerca de 95 milhões de anos. Ele dividia o topo da cadeia alimentar global com gigantes como o Tyrannosaurus rex e o Giganotosaurus, mas com um estilo de caça e anatomia completamente diferentes.
Os detalhes da descoberta foram publicados na última quinta-feira (19) na prestigiada revista científica Science.
A anatomia da ‘Garça Infernal’
Os pesquisadores descrevem a nova espécie como uma verdadeira “garça infernal”. O S. mirabilis tinha cerca de 12 metros de comprimento, pesava entre 5 e 7 toneladas e vagava por ambientes florestais, entrando em rios profundos para capturar peixes de grande porte, como os celacantos.
O que mais impressionou os paleontólogos foram as adaptações extremas do animal para a pesca e para a exibição:
- A Crista de Cimitarra: O crânio exibia uma crista óssea de 50 centímetros de altura, curvada como uma espada cimitarra.
- Focinho de Crocodilo: O focinho era alongado e as narinas ficavam recuadas (mais atrás do que o normal), permitindo que ele submergisse a boca na água para perseguir presas enquanto continuava respirando normalmente pela superfície.
- Armadilha para Peixes: As fileiras de dentes superiores e inferiores se encaixavam perfeitamente (interdigitação), criando uma armadilha fatal que impedia que peixes escorregadios escapassem da mordida.
“Seus grandes dentes cônicos sem serrilhas formam uma ‘armadilha para peixes’ muito boa para perfurar e prender presas nas mandíbulas. Ele era melhor em caçar peixes do que em caçar outros dinossauros”, explica o paleontólogo espanhol Daniel Vidal, coautor do estudo.
O fim da “Teoria do Oceano”
Até então, a ciência conhecia apenas uma espécie desse gênero: o Spinosaurus aegyptiacus, descoberto no Egito em 1915. Como os fósseis do aegyptiacus foram achados perto da antiga costa do Mar de Tétis, muitos cientistas defendiam a hipótese de que o espinossauro era um animal totalmente aquático, que nadava e mergulhava em mar aberto.
A descoberta no Níger derruba essa teoria. Os fósseis do mirabilis foram encontrados em Jenguebi, uma região de arenito rica em fósseis no interior do continente, a cerca de 1.000 quilômetros da antiga costa oceânica mais próxima. Isso prova que o animal era um predador de águas rasas e rios interiores (semiaquático), e não um monstro marinho.
O paleontólogo Paul Sereno, da Universidade de Chicago e autor principal da pesquisa, classificou a nova descoberta como “o golpe de misericórdia para a hipótese aquática”.
Para que servia a crista gigante?
Sólida, mas frágil demais para ser usada como arma em combates físicos, a crista na cabeça do predador tinha outra função. Segundo Paul Sereno, ela provavelmente era revestida de queratina (como o chifre de um touro), exibia cores vivas e servia para o reconhecimento entre indivíduos ou intimidação.
“Trata-se de amor e vida — atrair um parceiro, defender seus locais favoritos para se alimentar”, resumiu o pesquisador sobre o uso da estrutura óssea.
Para chegar a Jenguebi e resgatar partes de três crânios de S. mirabilis, a expedição de 2022 partiu da cidade de Agadez e enfrentou três dias de viagem fora de estrada, com os veículos constantemente atolando nas dunas do Saara. O esforço, segundo os cientistas, devolveu ao espinossauro o seu tão merecido momento de destaque na ciência.
Com informações de Agência Brasil
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