O Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), determinou uma nova regra que impactará diretamente a forma como consumidores e trabalhadores de aplicativos interagem com as plataformas digitais.
Empresas de entrega e transporte por aplicativo serão obrigadas a detalhar, no preço final pago pelo usuário, quanto corresponde à taxa da plataforma e quanto é destinado à remuneração de entregadores e motoristas. A medida, que será oficializada em portaria nesta quarta-feira (25) no Diário Oficial da União, visa garantir maior transparência nas relações de consumo e trabalho.
Obrigatoriedade e Multas por Descumprimento
A determinação do MJSP é clara: a informação sobre a composição do preço é um direito básico do consumidor. “Sem a transparência e a informação, o consumidor não pode escolher. É um direito básico”, ressaltou Ricardo Morishita Wada, secretário Nacional do Consumidor.
Ele alertou que o descumprimento do direito à informação, garantido pelo Código de Defesa do Consumidor há 35 anos, acarretará em processos sancionatórios. As multas podem variar de R$ 500 a expressivos R$ 13 milhões, dependendo da gravidade da infração.
Visão do Governo: Transparência e Combate a Lucros Abusivos
A iniciativa é parte de um esforço maior do governo para regulamentar e fiscalizar o setor de plataformas digitais. Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, enfatizou o papel da transparência.
“Nada como a transparência para mostrar quanto o trabalhador recebe, quanto essas plataformas estão lucrando de maneira abusiva com quase nada de custo”, afirmou.
Boulos e Wada participaram da apresentação do relatório final do Grupo de Trabalho Técnico (GTT) Interministerial de Entregadores por Aplicativo, que detalha medidas a serem implementadas sem a necessidade de aprovação do Congresso Nacional.
Acidentes de Trabalho e Reconhecimento de Direitos
O relatório governamental, elaborado com a participação da sociedade civil, também prevê avanços significativos na proteção de trabalhadores de aplicativos. Será incluído o item “Trabalhador de plataforma digital” nas fichas de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Essa medida permitirá que hospitais e unidades de saúde que atendam entregadores e motoristas vítimas de acidentes de trânsito registrem essa especificidade. Com isso, os trabalhadores terão mais embasamento para acionar a Justiça do Trabalho e garantir seus direitos após acidentes na jornada.
Edgar Francisco da Silva, o Gringo Motoka, presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AmaBRA), elogiou a iniciativa, destacando a exposição a riscos e a falta de capacitação e Equipamentos de Proteção Individual (EPI) por parte das empresas.
Pontos de Apoio: Dignidade e Humanidade
Outra medida de impacto social é a instalação de 100 pontos de apoio em capitais e regiões metropolitanas. Esses espaços serão equipados com banheiros, água, vestiários, áreas para alimentação e descanso, além de conectividade.
“O ponto de apoio traz dignidade”, afirmou Junior Freitas, conhecido como Jr. Freitas, liderança do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos. Para ele, é uma “questão de humanidade” poder ter acesso a condições básicas de higiene e descanso.
Remuneração e Segurança: Uma Demanda Essencial
Jr. Freitas também expressou a expectativa de que o valor mínimo das corridas para entregadores, a “taxa mínima”, seja elevado de R$ 7,50 para R$ 10. Ele argumenta que a remuneração está diretamente ligada à segurança e saúde dos trabalhadores.
“Quanto menos a gente ganha, mais fica exposto. Quanto mais ficamos expostos, mais temos riscos de sofrer acidente. A remuneração é um ponto essencial para a saúde. Quando o trabalhador se acidenta, ele fica sem receber”, explicou.
A demanda por melhores remunerações é considerada fundamental pela categoria e será discutida no Comitê Interministerial de Monitoramento e Implementação das Ações para Trabalhadores por Aplicativos, coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, buscando manter um diálogo contínuo com os trabalhadores.
Com informações de Agência Brasil
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