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‘Guerra aberta’: Paquistão bombardeia capitais afegãs e agrava conflito direto contra o Talibã

(Foto: Frank Muller)

‘Guerra aberta’: Paquistão bombardeia capitais afegãs e agrava conflito direto contra o Talibã


Ataques com mísseis atingiram Cabul, Kandahar e Paktia na madrugada desta sexta-feira (27). Cabul relata retaliação a bases paquistanesas em meio a uma longa disputa sobre o abrigo de terroristas na fronteira.

A tensão na Ásia Central atingiu seu ponto de ebulição. Durante a madrugada desta sexta-feira (27), forças militares do Paquistão lançaram uma série de bombardeios contra alvos do governo Talibã nas principais cidades do Afeganistão. A ofensiva marca uma drástica escalada militar em uma região já instável e ameaça desencadear um conflito prolongado ao longo dos 2.600 quilômetros de fronteira que separam as duas nações islâmicas.

A gravidade da situação foi confirmada pela retórica adotada por Islamabad. O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, foi categórico ao classificar a ofensiva: “Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós e vocês”, declarou.

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O mapa dos ataques: Mísseis e combates terrestres

Fontes de segurança paquistanesas detalharam que a operação envolveu o lançamento de mísseis ar-terra direcionados a escritórios e postos militares do Talibã. Os ataques atingiram três pontos cruciais do país vizinho:

  • Cabul: A capital afegã e centro administrativo do país. Testemunhas relataram o som de jatos rasgando o céu e explosões seguidas por sirenes de ambulâncias. Vídeos verificados mostram densas nuvens de fumaça preta e um grande incêndio.
  • Kandahar: O coração político e espiritual do Talibã, onde reside o líder supremo do regime, Haibatullah Akhundzada.
  • Paktia: Província fronteiriça onde imagens registraram um quartel-general do Talibã em chamas.

Além dos ataques aéreos, houve registros de intensos confrontos terrestres envolvendo artilharia pesada em vários setores da fronteira. O governo Talibã, por meio de seu porta-voz Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeios paquistaneses e anunciou que lançou “ataques retaliatórios” contra instalações militares do Paquistão.

Guerra de Narrativas: O balanço de baixas

Com a comunicação restrita e a impossibilidade de verificação independente imediata por agências internacionais, os dois lados divulgaram balanços de baixas drasticamente diferentes, configurando uma verdadeira guerra de narrativas:

  • A versão do Paquistão: Mosharraf Zaidi, porta-voz do governo paquistanês, afirmou que os contra-ataques eliminaram 133 combatentes talibãs e deixaram mais de 200 feridos. Além disso, 27 postos afegãos teriam sido destruídos e 9 capturados.
  • A versão do Talibã: Cabul afirma ter matado 55 soldados paquistaneses e capturado 19 postos militares do país vizinho. Do lado afegão, o Talibã admite a morte de apenas 8 de seus combatentes e 11 feridos, além de 13 civis machucados na província de Nangarhar.

A raiz do conflito: Fronteiras e terrorismo

A justificativa paquistanesa para a ofensiva militar é descrita como uma resposta a “ataques afegãos não provocados”. No entanto, a raiz da crise é mais profunda e se arrasta há anos.

As relações entre Cabul e Islamabad azedaram definitivamente devido à acusação persistente do Paquistão de que o Afeganistão serve como um “santuário seguro” para grupos militantes armados (especialmente o Tehrik-i-Taliban Pakistan – TTP, conhecido como o Talibã Paquistanês). Segundo Islamabad, esses grupos cruzam a fronteira, realizam atentados terroristas em território paquistanês e recuam para o abrigo afegão.

O Talibã, que retomou o poder no Afeganistão em 2021, nega veementemente as acusações e argumenta que a incapacidade do Paquistão de conter o terrorismo interno é um problema de segurança exclusivo de Islamabad, e não de responsabilidade afegã.

Com o fim da “paciência” declarada pelo Ministério da Defesa paquistanês, a comunidade internacional agora observa com apreensão o desdobramento de um embate direto entre um regime fundamentalista recém-restaurado e uma potência nuclear (Paquistão).

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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