(Foto: Marcelo Camargo / Tânia Rêgo)
Inflação dos alimentos: cesta básica sobe em todas as capitais e Manaus lidera o ranking de aumentos em março
O custo dos alimentos subiu em todo o país, impulsionado pela restrição na oferta do feijão e aumento da carne bovina. São Paulo segue com a cesta mais cara (R$ 883,94), enquanto o salário mínimo ideal, segundo o Dieese, deveria ultrapassar os R$ 7.400.
O mês de março de 2026 pesou no bolso dos brasileiros. O custo da cesta básica de alimentos registrou aumento em todas as capitais do país e no Distrito Federal, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A maior elevação do mês foi registrada em Manaus, onde o custo médio saltou 7,42%. Na sequência, os maiores impactos foram sentidos nas seguintes capitais:
- Salvador: 7,15%
- Recife: 6,97%
- Maceió: 6,76%
- Belo Horizonte: 6,44%
- Aracaju: 6,32%
No acumulado do ano, o cenário também é de alta generalizada. Todas as capitais registraram inflação nos alimentos básicos, com taxas variando de 0,77% (São Luís) a 10,93% (Aracaju). O panorama contrasta com o mês de fevereiro, quando 12 capitais e o Distrito Federal haviam registrado queda nos preços (com Manaus, inclusive, liderando as baixas no período com -2,94%).
Vilões do mês: Feijão, carne e leite
O grande responsável por puxar a inflação dos alimentos para cima em março foi o feijão, que subiu em todas as cidades analisadas. O motivo, segundo os pesquisadores, é a restrição da oferta gerada por dificuldades na colheita e uma menor área de produção em relação ao ano passado.
O tipo do grão consumido varia de acordo com a região, mas o aumento foi nacional:
- Feijão preto (consumido no Sul, RJ e ES): altas que chegaram a 7,17% em Florianópolis.
- Feijão carioca (demais capitais): altas expressivas, atingindo até 21,48% em Belém (em fevereiro, Campo Grande já havia registrado alta de 22,05% no grão).
Além do feijão, os consumidores também pagaram mais caro pelo tomate, pelo leite integral e pela carne bovina de primeira — esta última valorizada devido à menor disponibilidade de animais para abate e ao ritmo aquecido das exportações brasileiras.
O ranking das cestas mais caras
A composição da cesta básica varia entre o Centro-Sul e o Norte/Nordeste do país, adaptando-se aos hábitos alimentares de cada região. Em março, o ranking das capitais com o custo médio mais elevado foi:
- São Paulo: R$ 883,94
- Rio de Janeiro: R$ 867,97
- Cuiabá: R$ 838,40
- Florianópolis: R$ 824,35
Na outra ponta da tabela, as cestas mais baratas do país foram encontradas no Norte e no Nordeste:
- Aracaju: R$ 598,45
- Porto Velho: R$ 623,42
- São Luís: R$ 634,26
- Rio Branco: R$ 641,15
A distância para o salário mínimo ideal
A pesquisa do Dieese também calcula qual deveria ser o salário mínimo no Brasil para atender à determinação constitucional. Por lei, a remuneração básica deveria ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Utilizando como base a cesta mais cara do país (São Paulo, R$ 883,94), o Dieese estima que o salário mínimo ideal em março deveria ser de R$ 7.425,99.
Esse valor é 4,58 vezes maior que o salário mínimo atual em vigor no país, que é de R$ 1.621,00. A disparidade aumentou em relação a fevereiro, quando o mínimo ideal havia sido calculado em R$ 7.164,94.

Com informações de Agência Brasil
- Correios: plano de demissão voluntária alcança apenas 30% da meta, mas projeta economia bilionária - 9 de abril de 2026
- EUA e Irã concordam com cessar-fogo de duas semanas; petróleo e gás despencam no mercado global - 9 de abril de 2026
- Do útero ao parto: Estado reforça rede materno-infantil com ultrassom morfológico e triagem neonatal - 8 de abril de 2026





