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IOF azêda relação: crise fiscal piora embate entre Governo e Congresso
Após semanas de negociações e a tentativa frustrada de aumento do IOF, a relação entre o Planalto e o Congresso azeda de vez. A insatisfação com as medidas econômicas e a demora nas emendas parlamentares levam o presidente da Câmara a pautar votação que pode reverter o decreto do imposto.
A semana encerrou com um cenário desfavorável para o governo federal, que enfrenta uma deterioração significativa em sua relação com o Congresso Nacional. Após semanas de tensas negociações, motivadas pela crise gerada pela tentativa de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a insatisfação parlamentar atingiu um novo patamar. A postura desfavorável dos congressistas ao pacote de medidas alternativas apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, culminou na decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar para a próxima segunda-feira, 16 de junho, o requerimento de urgência que visa derrubar o decreto que havia amenizado o reajuste do imposto.
Emendas parlamentares e pressão do STF
Além do descontentamento com as propostas da equipe econômica do Executivo, a demora no pagamento das emendas parlamentares tem contribuído para a falta de apoio do Congresso às medidas governamentais. O embate a respeito desses repasses é uma constante desde o início da atual gestão e se intensificou ainda mais nesta semana com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que cobrou, mais uma vez, esclarecimentos sobre a transparência e a rastreabilidade do processo. A expectativa do governo é que a aceleração da liberação dos recursos possa melhorar a relação com o Parlamento.
Votação incerta e recado político
Embora haja a previsão de votação da urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL 314/2025), ainda não há certeza de que o texto será, de fato, derrubado, mesmo com a pressão da oposição e de partidos do Centrão. Por enquanto, o movimento na Câmara dos Deputados funciona como um recado claro da insatisfação da Casa com a articulação política de Fernando Haddad, que se tornou alvo de críticas abertas pela forma como tem conduzido o alinhamento das propostas. Líderes do governo indicam que apenas a urgência será votada, sem previsão, por enquanto, para a análise do mérito do projeto.
Para ser aprovada, a urgência precisa de 257 votos favoráveis dos 513 deputados. Se passar, a matéria poderá ser votada diretamente no plenário. No entanto, devido ao feriado da próxima semana e aos festejos juninos, que levam os parlamentares a retornarem às suas bases eleitorais, a expectativa é que essa votação não ocorra, pelo menos, nas próximas duas semanas. Esse período pode ser crucial para que o governo apresente novas alternativas, que incluam mais medidas de corte de gastos, atendendo assim às recomendações dos deputados.

Popularidade em queda e ajustes no IR
Em um cenário que agrava a situação do governo, a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua em queda livre. Segundo pesquisa DataFolha, apenas 28% dos eleitores brasileiros avaliam o governo atual como ótimo ou bom, enquanto 40% o consideram ruim ou péssimo. O instituto aponta que essa avaliação mantém o pior nível de todos os três mandatos do presidente Lula. O levantamento foi realizado entre 10 e 11 de junho, questionando 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 136 municípios brasileiros.
Em outra frente, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, nesta quinta-feira (12), um projeto de lei do Congresso Nacional que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2025. O PLN 1/2025 possibilita que mudanças propostas pelo governo no Imposto de Renda (IR) de pessoas físicas possam valer por tempo indeterminado, e não apenas por cinco anos como era a regra anterior. A matéria agora segue para votação no plenário do Congresso Nacional.
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