Oito em cada dez empresas industriais no Brasil enfrentaram dificuldades para obter crédito, tendo os juros elevados como o principal entrave ao financiamento. A revelação faz parte da Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
Realizada entre 1º e 12 de agosto do ano passado com 1.789 empresas, a pesquisa destaca que a atual política monetária restritiva encarece significativamente o crédito, desestimulando investimentos em expansão e inovação.
Juros Elevados: O Principal Entrave
Para 80% dos empresários que tiveram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos), os juros altos foram o maior obstáculo. Em seguida, aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).
O cenário se repete no crédito de longo prazo (acima de cinco anos), onde 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros elevados. A exigência de garantias foi citada por 31%, e a ausência de linhas compatíveis com projetos de investimento por 17%.
“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Queda na Busca e Aumento das Recusas
A taxa Selic elevada não apenas dificulta o acesso, mas também reduziu a busca por crédito. A pesquisa mostra que 54% das empresas não procuraram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores ao levantamento, e 49% não buscaram financiamento de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, e para o longo prazo, esse percentual caiu para 17%.
Aqueles que tentaram, muitas vezes, não tiveram sucesso. Quase um terço das empresas que buscaram crédito de longo prazo não conseguiu, enquanto cerca de 20% das que procuraram financiamento de curto ou médio prazo também foram recusadas.
Dificuldade Amplificada no Longo Prazo
As dificuldades no acesso ao crédito de longo prazo são mais acentuadas, especialmente para empresas de menor porte. Enquanto 27% das grandes empresas não obtiveram esse tipo de financiamento, o percentual sobe para 37% nas pequenas e alarmantes 43% nas médias empresas. No crédito de curto ou médio prazo, as taxas de recusa foram de 16% para grandes, 21% para pequenas e 26% para médias empresas, evidenciando um desafio maior para o planejamento de investimentos de maior fôlego.
Condições de Crédito em Deterioração
A percepção sobre as condições de crédito também é negativa. Cerca de 35% das empresas avaliaram que as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram, e 33% fizeram a mesma avaliação para o longo prazo. Para 47%, as condições permaneceram semelhantes, enquanto apenas 14% relataram melhora no curto ou médio prazo, e apenas 12% no longo prazo.
Risco Sacado: Uma Alternativa Pouco Explorada
Apesar das dificuldades, a modalidade de “risco sacado” – antecipação de recebíveis por meio da qual o fornecedor recebe pagamento adiantado de uma instituição financeira – ainda é pouco utilizada. Apenas 13% das indústrias contrataram operações de risco sacado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e outros 5% pretendiam contratar. A grande maioria, 54%, não contratou nem pretendia contratar, enquanto 29% não souberam ou preferiram não responder, indicando um possível desconhecimento ou falta de interesse na ferramenta.
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