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Kung Fu Cibernético: robôs humanóides roubam a cena no Ano Novo Chinês e mostram força da indústria local

(Foto: Reprodução)

Kung Fu Cibernético: Robôs humanóides roubam a cena no Ano Novo Chinês e mostram força da indústria local


Startups apresentaram lutas de espadas e “boxe bêbado” na maior audiência da TV mundial; China já detém 90% do mercado global de humanóides e preocupa Elon Musk.

A maior vitrine televisiva do mundo não exibiu apenas cantores ou dançarinos neste ano. O gala anual do Festival da Primavera da CCTV — programa de maior audiência da China, comparável ao Super Bowl americano — transformou-se nesta segunda-feira (16) em uma demonstração de força da política industrial de Pequim. O recado foi claro: a China quer dominar o futuro da robótica humanóide.

Quatro startups emergentes (Unitree Robotics, Galbot, Noetix e MagicLab) levaram seus robôs para o palco nacional, misturando entretenimento com um aviso sutil sobre o avanço tecnológico do país.

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“Boxe Bêbado” e Espadas

O destaque da noite foi a performance da Unitree Robotics. Mais de uma dúzia de humanóides realizaram sequências sofisticadas de artes marciais, brandindo espadas, bastões e nunchucks a poucos metros de crianças que atuavam no palco.

Tecnicamente, o momento mais impressionante foi a imitação do “boxe bêbado” (estilo tradicional de kung fu). Os robôs simularam movimentos vacilantes e quedas para trás, recuperando o equilíbrio sozinhos.

Para especialistas, isso vai muito além da dança: demonstra inovações críticas na coordenação motora fina, giroscópios avançados e algoritmos de recuperação de falhas — essenciais para que robôs operem em fábricas ou casas no futuro.

Política de Estado no Palco

A aparição dessas máquinas no horário nobre não é coincidência. Georg Stieler, consultor de tecnologia na Ásia, explica que o evento funciona como um canal direto entre a política industrial e o público.

“As empresas que aparecem no palco recebem recompensas tangíveis em forma de pedidos do governo, atenção dos investidores e acesso ao mercado”, afirma Stieler.

O apoio vem do topo. O presidente Xi Jinping reuniu-se pessoalmente com fundadores de startups de robótica no ano passado, dando ao setor o mesmo peso político que concedeu aos veículos elétricos e semicondutores.

O entusiasmo reflete-se no mercado financeiro: grandes empresas do setor, como AgiBot e Unitree, preparam-se para ofertas públicas iniciais (IPOs) ainda este ano.

Domínio de Mercado e o “Medo” de Musk

Por trás do show, os números mostram uma hegemonia chinesa. Segundo a empresa de pesquisa Omdia, a China foi responsável por 90% dos cerca de 13 mil robôs humanóides vendidos globalmente no ano passado. O banco Morgan Stanley projeta que as vendas do país mais que dobrarão para 28 mil unidades este ano.

A velocidade chinesa já ligou o alerta no Ocidente. Elon Musk, CEO da Tesla — que desenvolve o robô Optimus —, admitiu recentemente que seus maiores concorrentes virão da Ásia.

“As pessoas fora da China subestimam o país, mas a China é um adversário de outro nível”, disse Musk no mês passado, enquanto tenta focar a Tesla em Inteligência Artificial incorporada.

Inteligência Artificial Integrada

O show da CCTV também destacou a “alma” das máquinas: a Inteligência Artificial.

  • Noetix: Seus robôs atuaram em esquetes cômicos ao lado de atores reais.
  • Alibaba: O chatbot de IA “Doubao” teve destaque na abertura.
  • MagicLab: Realizou dança sincronizada ao som de “We Are Made in China”.

A estratégia de Pequim é a chamada “IA+”: unir a capacidade de software (inteligência artificial) com a poderosa cadeia de suprimentos de hardware do país para compensar, com automação, o envelhecimento de sua força de trabalho humana.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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