Em sessão solene de retomada dos trabalhos legislativos, presidente destacou números macroeconômicos positivos e priorizou voto em projeto para alterar jornada de trabalho
Entrega da mensagem e leitura no Congresso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (2), a Mensagem ao Congresso Nacional com o balanço de 2025 e as prioridades para 2026.
O documento, com mais de 900 páginas, foi levado pessoalmente pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e a leitura introdutória foi feita pelo primeiro secretário da Mesa do Congresso, deputado federal Carlos Veras (PT-PE).
Diversos ministros e autoridades acompanharam a sessão solene que marcou a retomada dos trabalhos legislativos após o recesso.
Panorama econômico: PIB, bolsa, dólar e inflação
Na mensagem, Lula afirmou que o governo superou o ceticismo e fechou 2025 com indicadores positivos. Segundo o texto, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu pelo terceiro ano consecutivo. A Bolsa de Valores registrou alta de 34% em relação a 2024 e ultrapassou pela primeira vez a marca de 160 mil pontos. O dólar, por sua vez, teve em 2025 a maior queda dos últimos nove anos.
O presidente também destacou a inflação de 4,26% em 2025, a menor em sete anos, e ressaltou que o país caminha para fechar o mandato com a menor inflação acumulada da história.
Investimentos, emprego e renda
Lula citou o ingresso de mais de US$ 77,7 bilhões em investimentos estrangeiros — o maior volume em sete anos — e afirmou que o Brasil se consolidou como o segundo destino mais atraente para capital externo. O desemprego caiu para 5,2%, a menor taxa da série histórica, e a renda média dos trabalhadores subiu para R$ 3.574, segundo o governo, valor recorde.
O crescimento econômico, combinado com aumento real do salário mínimo e mais oferta de empregos, permitiu a saída de cerca de 2 milhões de famílias do programa Bolsa Família. O presidente também informou que, entre 2023 e 2025, 17,4 milhões de brasileiros deixaram a pobreza, e que a classe C já representa 61% da população.
Programas sociais, educação e benefícios
A mensagem elencou medidas aprovadas no ano anterior, como a redução de 70% no custo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o programa Gás do Povo e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Também foi mencionada a ampliação do programa Pé-de-Meia, que ultrapassou 4 milhões de estudantes beneficiados e, segundo o governo, reduziu a evasão no ensino médio em 43%.
O texto destacou que mais de 68,4% das escolas públicas contam com internet de qualidade e que o país saiu pela segunda vez do Mapa da Fome, após a redução da insegurança alimentar registrada em 2023.
Comércio exterior, tarifas e novos mercados
Lula ressaltou o fechamento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, após 25 anos de negociações, e afirmou que o novo bloco reúne cerca de um quarto do PIB mundial. O presidente citou também a reação do Brasil ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com a criação do Plano Brasil Soberano para socorrer empresas e preservar empregos.
Segundo a mensagem, o governo abriu 521 novos mercados para exportações brasileiras e encerrou 2025 com exportações recordes de US$ 348,7 bilhões. No acumulado de três anos, o total atingiu US$ 1,03 trilhão.
Segurança pública e prioridades legislativas para 2026
No balanço de 2025, Lula afirmou que o ano marcou a “maior ofensiva contra o crime organizado de todos os tempos”, citando a Operação Carbono Oculto, que, segundo a mensagem, bloqueou movimentações fraudulentas estimadas em mais de R$ 70 bilhões e revelou que líderes do crime organizado atuavam em endereços de alto padrão no Brasil e no exterior.
O presidente reforçou o apelo ao Congresso pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e do projeto de lei Antifacção, que prevê penas mais severas e restrições à progressão de pena para líderes do crime organizado.
Entre as prioridades para 2026, Lula destacou, em tom direto, o fim da escala 6×1 de trabalho “sem redução de salário”:
“O tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, afirmou o presidente na mensagem.
Ele também defendeu a regulamentação do trabalho por aplicativos e criticou a precarização da mão de obra, tema que vem sendo negociado entre o governo e a Câmara dos Deputados.
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