(Foto: Thomas White)
Meta admite na Justiça: 19% dos adolescentes no Instagram são expostos a nudez indesejada
Documentos revelados em julgamento na Califórnia expõem pesquisa interna da rede social; empresa enfrenta milhares de processos por danos à saúde mental de jovens.
O debate sobre a segurança de crianças e adolescentes nas redes sociais ganhou um novo e alarmante capítulo nos tribunais norte-americanos. Quase um em cada cinco usuários do Instagram (19%) com idades entre 13 e 15 anos relatou à própria Meta ter visualizado “nudez ou imagens sexuais” indesejadas na plataforma.
A revelação veio a público na última sexta-feira (20), por meio de um documento judicial divulgado durante um processo no estado da Califórnia (EUA) e analisado pela agência Reuters.
Os dados constam em trechos de um depoimento prestado em março de 2025 pelo chefe do Instagram, Adam Mosseri. Segundo Andy Stone, porta-voz da Meta, a estatística não é fruto de uma varredura nas publicações da rede, mas sim de uma pesquisa interna realizada com os próprios usuários em 2021 sobre suas experiências no aplicativo.
Automutilação e o “escudo” das mensagens privadas
Além do conteúdo sexualmente explícito, o depoimento de Mosseri revelou outra estatística preocupante envolvendo o mesmo público (jovens de 13 a 15 anos):
- 8% dos adolescentes relataram ter visto alguém se machucar ou ameaçar cometer automutilação dentro do Instagram.
Mosseri tentou minimizar o peso da pesquisa, afirmando que levantamentos baseados em autorrelato são “notoriamente problemáticos”. O executivo argumentou ainda que a esmagadora maioria das imagens sexualmente explícitas circula por meio de Mensagens Diretas (DMs) entre os usuários, uma área onde a moderação esbarra em limites de privacidade.
“A Meta deve considerar a privacidade dos usuários ao analisá-las. Muitas pessoas não querem que a gente leia suas mensagens”, justificou o chefe do Instagram em seu depoimento.
O julgamento na Califórnia
A divulgação desses documentos ocorre no escopo de uma ação movida por uma jovem da Califórnia que começou a usar o Instagram e o YouTube (pertencente ao Google) ainda na infância.
A autora do processo acusa as gigantes da tecnologia de lucrarem ao projetar algoritmos e recursos viciantes voltados para crianças, mesmo cientes dos danos. Ela alega que o uso prolongado dos aplicativos alimentou quadros graves de depressão e pensamentos suicidas ao longo de sua vida.
O caso reflete uma onda jurídica maior: apenas nos Estados Unidos, a Meta enfrenta milhares de ações judiciais de famílias, distritos escolares e líderes globais que a acusam de alimentar uma crise sem precedentes na saúde mental da juventude.
A resposta da Meta
Tanto a Meta quanto o Google negam as acusações de que seus produtos são desenhados para viciar, destacando os constantes investimentos em recursos de segurança e controle parental.
No final de 2025, pressionada pelo escrutínio público e judicial, a Meta anunciou uma atualização em suas políticas. A empresa prometeu remover ativamente imagens e vídeos contendo nudez ou atividade sexual explícita (incluindo conteúdos gerados por Inteligência Artificial) dos feeds de usuários adolescentes, abrindo exceções apenas para contextos estritamente médicos ou educacionais.
Com informações de Agência Brasil
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